O filme de Keanu Reeves que fracassou nos anos 90 e hoje faz mais sentido do que nunca
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Lançado antes de Matrix, Johnny Mnemonic: O Cyborg do Futuro reuniu Keanu Reeves e o criador do cyberpunk em uma distopia sobre dados e corporações que fracassou nos cinemas, mas ganhou novos significados décadas depois.

Quando se fala em Keanu Reeves nos anos 1990, é quase inevitável pensar em Matrix. O filme das irmãs Wachowski redefiniu o cinema de ficção científica e consolidou o ator como um ícone do gênero. No entanto, alguns anos antes, Reeves já havia mergulhado em um universo semelhante em Johnny Mnemonic: O Cyborg do Futuro, produção cyberpunk hoje pouco lembrada, mas relevante sob novos olhares.

Baseado em um conto de 1984 de William Gibson — um dos nomes centrais da literatura cyberpunk —, o longa-metragem imagina um futuro próximo ambientado em 2021, marcado por corporações onipresentes, mercantilização de dados e indivíduos reduzidos a peças descartáveis do sistema. Lançado em 1995, o filme foi mal recebido pela crítica e acumula até hoje apenas 19% de aprovação no Rotten Tomatoes, com avaliações que o consideravam confuso, excessivamente sombrio e inflado de conceitos.

Johnny Mnemonic, o Cyborg do Futuro
Johnny Mnemonic, o Cyborg do Futuro
Data de lançamento 14 de maio de 2026 | 1h 38min
Criador(es): Robert Longo
Com Keanu Reeves, Ice-T, Dolph Lundgren
Usuários
3,6
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Reeves interpreta Johnny, um “mensageiro mnemônico” que transporta informações confidenciais diretamente no cérebro para grandes empresas. Para isso, teve as próprias memórias de infância apagadas. À beira de uma cirurgia para remover o implante, ele aceita um último trabalho, sem saber que os dados excedem sua capacidade e colocam sua vida em risco.

O cenário se agrava quando o contato responsável pela entrega é morto e Johnny passa a ser caçado pela Yakuza, por uma poderosa empresa farmacêutica e pelo próprio intermediário que o contratou. A sobrevivência só é possível com a ajuda de Jane, uma guarda-costas geneticamente modificada, e de um grupo antissistema conhecido como LoTeks.

Keanu Reeves e o arquétipo que definiria sua carreira

Na época, a atuação de Reeves foi criticada por ser fria e pouco expressiva. Com o tempo, no entanto, esse mesmo perfil se mostrou precursor de personagens que o ator consolidaria mais tarde, como Neo, John Wick e outras figuras focadas no trabalho, silenciosas e eficientes. Johnny é um anti-herói que só questiona o sistema quando se torna descartável dentro dele.

Mesmo ignorado em seu lançamento, Johnny Mnemonic: O Cyborg do Futuro permanece como um retrato antecipado de debates atuais sobre dados, identidade e poder corporativo, além de um capítulo importante na construção do cinema que transformaria Keanu Reeves em um símbolo da ficção científica moderna.

Nathalia Jesus
Nathalia Jesus
-Redatora e crítica
Jornalista apaixonada por cinema, televisão e reality show duvidoso. Grande entusiasta de dramas coreanos e tudo o que tiver o dedo de Phoebe Waller-Bridge.
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