Virginia Woolf foi uma pioneira, desbravadora não apenas da literatura moderna: seus escritos também moldaram profundamente o pensamento feminista. Já nas décadas de 1920 e 30, ela criticava a historiografia dominada por homens e defendia a autodeterminação das mulheres, especialmente das escritoras.
No entanto, a vida de Woolf foi marcada por crises psicológicas e profunda tristeza, até que ela tirou a própria vida. Ela deixou uma carta comovente para o marido, Leonard, na qual escreveu: "Não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós". Essa carta, seu suicídio e, sobretudo, seu romance Mrs. Dalloway servem de base para As Horas, filme de Stephen Daldry.
A produção, por sua vez, é baseado no romance homônimo de Michael Cunningham, vencedor do Prêmio Pulitzer. Três linhas do tempo e os destinos de três mulheres são magistralmente entrelaçados, tornando suas profundezas psicológicas palpáveis.
Nesta história estrelas brilham
Paramount Pictures / Miramax Films
As Horas impressiona não apenas por sua construção engenhosa. Acima de tudo, as atuações são convincentes: Nicole Kidman interpreta a frágil, porém forte, Virginia Woolf de forma sutil e profunda, ficando quase irreconhecível com um nariz protético – e ganhando merecidamente o Oscar de Melhor Atriz por isso.
Ela está em excelente companhia: Meryl Streep, embora "apenas" muito elogiada (e não indicada ao Oscar) por As Horas, detém o recorde de indicações com 21 no total e três vitórias. Julianne Moore, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por As Horas, soma três outras indicações e uma vitória.
Conheça a narrativa de As Horas
Paramount Pictures / Miramax Films
Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro Mrs. Dalloway. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro.
Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.
As camadas se entrelaçam não só no conteúdo, mas também visualmente: mulheres acordam, flores são colocadas sobre a mesa em momentos e vidas diferentes. Uma densa rede de reflexões e paralelos se desdobra, ligando não apenas as histórias, mas também temas profundos: as três mulheres compartilham a experiência de viver sob dependências, de conflitos internos e da necessidade de emancipação.
Três destinos que se cruzam
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, retrata um dia na vida da socialite londrina Clarissa Dalloway, dedicada a tarefas aparentemente banais. A grande inovação do romance está no seu fluxo de consciência: grande parte da história são os pensamentos e sentimentos da protagonista, fragmentos de associações e monólogos interiores sobre oportunidades perdidas, sociedade, morte e guerra. Isso se reflete metaforicamente em As Horas — mas dentro das três protagonistas, cujas pressões e tensões, vividas de formas distintas, se tornam muito reais.
As Horas é um filme tranquilo, inteligente e profundamente melancólico, que explora o que significa ser mulher em diferentes épocas, impulsionado por atuações espetaculares que capturam, nas banalidades do cotidiano, uma insuportável leveza do ser.
Atualmente, o filme está disponível para compra ou aluguel no Prime Video ou Apple TV.