Considerada hoje um pilar da cultura pop, a mitologia Star Wars contou com uma origem de certa forma caótica. George Lucas, seu idealizador, teve que enfrentar um ceticismo persistente, até mesmo entre produtores e amigos mais próximos.
Os bastidores de grandes filmes costumam guardar segredos surpreendentes, mas os que envolvem a gênese de Star Wars são particularmente reveladores. Na década de 1970, enquanto lutava para ter seu projeto aprovado, Lucas organizou uma exibição-teste do que viria a ser Star Wars: Uma Nova Esperança, em um evento que reuniu nomes de peso da indústria cinematográfica - Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Brian De Palma e mais.
RECEPÇÃO FRIA E CRÍTICAS MORDAZES
Durante a exibição, Lucas apresentou aos presentes uma versão inacabada de Uma Nova Esperança, com efeitos especiais incompletos e cenas de batalhas substituídas por imagens aéreas da Segunda Guerra Mundial - em vista de ilustrar o ritmo e o estilo dos takes espaciais. O resultado foi o que podemos chamar de desconfortável, arrancando um silêncio sepulcral por parte do público, ao término.
Segundo o livro Easy Riders, Raging Bulls, de Peter Biskind, ao final da exibição, “não houve aplausos, apenas um silêncio constrangedor”. Entre os poucos que perceberam o potencial do filme, Spielberg tentou tranquilizar o amigo: "George, é ótimo! Vai faturar 100 milhões de dólares!" O ator Alan Ladd foi outro que compartilhou de otimismo, embora permanecesse cauteloso.
Naquela noite, Lucas ligou para Spielberg para falar sobre a exibição e sondar mais uma vez o potencial do longa-metragem. Spielberg então reafirmou que o projeto seria um grande sucesso. No documentário, Light & Magic, disponível no Disney+, Spielberg reflete sobre suas impressões da época e afirma francamente: "Dizer que não estava terminado é um eufemismo".
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Após o evento, o grupo saiu para jantar. Foi então que as críticas começaram a surgir, principalmente por parte de De Palma, que argumentou sobre a falta de clareza no roteiro - como relatado por Spielberg:
“Quando fomos jantar depois, Brian começou a gritar com George: ‘Não entendo sua história! Não tem contexto! Que história é essa de espaço sideral? Quem se importa? Estou completamente perdido!’ E George começou a gritar de volta para Brian, dizendo: ‘Você nunca fez um filme comercial na sua vida! Do que você está falando?’ E Brian respondeu: ‘Não vai funcionar. Ninguém vai entender. É só uma coisa vazia com estrelas e naves espaciais bobas se movendo por aí.’”
Ironicamente, foi De Palma quem teve uma ideia primordial:
“E foi aí que Brian sugeriu uma sacada genial: 'Por que você não começa o filme com algum tipo de lenda? Você vive dizendo que quer fazer deste filme uma espécie de série espacial, então por que não faz uma lenda como antigamente, algo que suba na tela e conte toda a história?’”
Foi assim que nasceu a lendária sequência pré-créditos dos filmes de Star Wars. O próprio De Palma, com a ajuda do roteirista Jay Cocks, participaria posteriormente da reescrita do roteiro, em vista de torná-lo mais impactante.
Os créditos iniciais do primeiro filme de Star Wars eram originalmente muito mais longos e incluíam elementos históricos sobre a Velha República, os Sith e os Jedi. Como mencionado, eles foram reescritos por Lucas com a ajuda de De Palma, que o aconselhou a ser mais sucinto. Com isso em mente, o resto é história.