No início dos anos 2000, uma onda de filmes de gênero inovadores da Coreia do Sul invadiu o Ocidente, incluindo sucessos de bilheteria como Medo, Mr. Vingança e Oldboy. O que todos eles tinham em comum era um estilo de narrativa completamente diferente e profundamente comovente, que dava menos ênfase a momentos chocantes e mais à atmosfera, à profundidade psicológica, à depravação humana e a reviravoltas sofisticadas na trama.
Não é de admirar, portanto, que remakes de Hollywood tenham surgido rapidamente – como o já mencionado Medo ou Janghwa, Hongryeon, seu título original, de Kim Jee-woon. Com direção intensa, profundamente perturbadora e uma reviravolta que reavalia toda a história, ele é considerado um dos filmes de terror asiáticos mais influentes de todos os tempos.
Apenas alguns anos após o lançamento do original, o inevitável remake dirigido por Charles e Thomas Guard chegou aos cinemas em 2009: The Uninvited (no Brasil, O Mistério das Duas Irmãs). Comercialmente, o filme teve um desempenho medíocre e – sem surpresa – não conseguiu alcançar nem o status cult nem o brilhantismo narrativo do original. Ainda assim, o remake é assistível graças a um ou outro momento mais caprichado.
Quando a perturbação tem duas faces
Paramount
Após sua mãe morrer em um incêndio, a jovem Anna (Emily Browning) tenta o suicídio. Como resultado, vai parar em uma clínica para tratamento. Dez meses depois, Anna continua sem lembrar o que aconteceu na noite em que a mãe morreu. Apesar disto, o dr. Silberling (Dean Paul Gibson) resolve lhe dar alta. Anna é então levada de volta para casa por seu pai, Steven (David Strathairn), um escritor de sucesso.
Lá ela encontra Rachel Summers (Elizabeth Banks), a enfermeira de sua mãe, como sua madrasta e também sua irmã, Alex (Arielle Kebbel). Logo Anna passa a ser assombrada por fantasmas, que a fazem acreditar que Rachel matou sua mãe.
O que vemos – e o que ignoramos
Reprodução / Cineclick Ásia Filme Big Blue
O cerne da história, claro, está no que não sabemos – no não dito e no não visto, nas lacunas que só podemos preencher com novas reviravoltas. De uma perspectiva atual, já estamos bastante acostumados a narrativas não confiáveis como essa: percepções fragmentadas, rupturas psicológicas, verdades que só ficam claras em retrospecto. Por isso, a resolução não nos impacta tanto hoje quanto impactava na época – porque muito já está implícito, mesmo que o remake seja mais explícito do que o original coreano, que opera de maneira muito mais sutil.
Ainda assim, em seus momentos mais fortes, O Mistério das Duas Irmãs não deixa de causar impacto – com um ou dois sustos repentinos e momentos de horror corporal, consegue ser um filme de terror sólido, que se alimenta de indícios, tensão e fissuras psicológicas.
Se quiser tirar suas próprias conclusões, as duas versões do filme estão disponíveis para aluguel ou compra no Prime Video.