Frankenstein inspirou um dos personagens mais icônicos da Marvel: Um super-herói que redefiniu o conceito de monstro
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Embora a Casa das Ideias tenha seu próprio monstro inspirado na criatura, há um membro dos Vingadores que segue toda a ideia do personagem.

Desde o seu lançamento, Frankenstein, de Guillermo del Toro, provou que a história de Mary Shelley segue atemporal. Com Jacob Elordi dando vida a um ser titânico que combina força e vulnerabilidade, o filme transforma a Criatura em um antagonista cativante, estabelecendo-a como um ícone capaz de rivalizar com os maiores personagens dos quadrinhos.

Essa representação da Criatura como um herói trágico se conecta diretamente à inspiração que a obra exerceu sobre a cultura popular, e também à criação de outro dos personagens mais icônicos do século XX: o Hulk. A história de um ser poderoso, incompreendido e perseguido pela sociedade, que luta entre seus lados humano e monstruoso, também se reflete tanto nas telas quanto nas páginas dos quadrinhos da Marvel.

Dois lados da mesma moeda

Universal Pictures
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Desde sua aparição em The Incredible Hulk #1 em 1962, o Hulk tem sido apresentado como um personagem com uma grande dualidade: meio homem, meio monstro, em constante conflito com sua própria natureza e com a sociedade que o teme. Stan Lee, inspirado pelo filme Frankenstein de 1931 e por O Médico e o Monstro, queria criar um monstro heroico, alguém que, apesar de sua aparência aterrorizante, tivesse um coração nobre.

Jack Kirby, co-criador do Hulk, confirmou em entrevistas que essa influência era palpável, incluindo inclusive referências diretas a personagens clássicos como Frankenstein nas primeiras edições. Assim, a ideia de um ser caçado por humanos e, ao mesmo tempo, capaz de feitos heroicos, foi poderosamente transferida dos filmes de terror clássicos para o mundo dos quadrinhos.

O Médico e o Monstro, Hulk e Frankenstein

Universal Pictures

Embora o Hulk tenha se tornado um ícone por si só, seu design inicial e sua história apresentam semelhanças impressionantes com a Criatura: uma cabeça quadrada, testa larga, bochechas encovadas e uma força imensa que muitas vezes sai do controle. Em suas primeiras aparições, o Hulk era cinza, evocando a atmosfera fantasmagórica dos clássicos da Universal. Mas, com o tempo, o verde se tornou sua cor característica, e a essência de um monstro incompreendido permaneceu intacta. Tanto a Criatura quanto o Hulk personificam a ideia de que a aparência externa não define o bem ou o mal; o que importa é como o mundo reage a eles.

Além disso, a inspiração não se limita a Frankenstein: a dualidade Jekyll e Hyde (O Médico e o Monstro) também está presente no Hulk. Enquanto Bruce Banner representa inteligência, racionalidade e fragilidade humana, o Hulk é a manifestação da força bruta e da raiva reprimida. Assim como no romance de Stevenson, essa transformação física reflete uma luta interna, uma tensão entre o que somos e o que poderíamos nos tornar sob pressão. Em Frankenstein, a Criatura também combina inteligência e força, bondade e instinto destrutivo, estabelecendo um paralelo direto com a evolução do Hulk ao longo dos anos.

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Tanto Frankenstein quanto o Hulk mostram que os monstros são, em última análise, um reflexo das falhas humanas: medo, intolerância, orgulho e violência. Enquanto a Criatura de Shelley é vítima de incompreensão e acaba condenada à solidão, o Hulk encontra aliados e caminhos para a redenção, mas ambos compartilham o fardo de serem incompreendidos. As histórias desses personagens nos lembram que a monstruosidade não reside em sua forma física, mas na maneira como os humanos reagem à diferença, e que até mesmo um ser temível pode agir com nobreza.

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