Peter Jackson já dirigiu ou escreveu cerca de 17 longas-metragens, mas sua obra mais lembrada continua sendo O Senhor dos Anéis. Em 2018, no podcast Movies That Made Me, da BBC Radio 1, ele foi questionado sobre um único plano favorito da trilogia, uma escolha que, segundo admitiu, não veio de imediato.
Jackson contou que seu primeiro impulso foi lembrar das Minas de Moria, sequência que considera o melhor trecho do livro de J.R.R. Tolkien. Mas nenhum plano específico daquela parte lhe veio à mente. Depois de refletir, o diretor citou outro momento:
“Sim, pensei em um agora. Um do qual eu tenho muito orgulho, porque eu odeio aranhas, é o plano de abertura da Shelob, quando o Frodo acha que está ouvindo algo, e a câmera desce, e você percebe a Shelob rastejando silenciosamente acima...”. A cena aparece em O Retorno do Rei, quando Frodo deixa a toca da criatura rumo à Passagem de Cirith Ungol.
Cena icônica de
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Apesar de não ser a primeira aparição do monstro, é a mais marcante. Antes disso, ela já havia surgido perseguindo Frodo dentro do labirinto de túneis, entre teias densas e os restos de suas vítimas. Após escapar temporariamente e enfrentar Gollum, o hobbit acredita ter alcançado algum respiro — apenas para ser surpreendido quando a música desaparece, o vento domina o som e Shelob avança por cima das rochas. Frodo percebe a ameaça tarde demais e é atingido pelo ferrão paralisante da criatura.
O impacto dessa imagem se deve, em parte, às escolhas de câmera. Jackson posicionou o enquadramento à frente de Frodo, permitindo ao público ver o perigo que ele não vê. A câmera também foi colocada muito baixa, ampliando a sensação de que Shelob domina a cena, e inclinada em um ângulo acentuado, recurso associado à sensação de desequilíbrio.
No comentário em áudio do filme, Jackson contou que o plano surgiu por acaso: “Estávamos brincando com a lente grande angular e a câmera no guindaste, procurando ângulos interessantes”. Ele destacou que só foi possível experimentar graças aos cenários físicos criados pela Wētā Workshop, algo que teria sido limitado com tela verde.