Um dos filmes de guerra mais realistas de todos os tempos: Ganhou um Oscar e foi comandado por quatro diretores!
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Uma história contada a partir de múltiplas perspectivas.

Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram a base naval americana de Pearl Harbor, no Havaí. A consequência: os Estados Unidos entraram na guerra. Isso selou a escalada final do conflito para a Segunda Guerra Mundial.

Existem inúmeros filmes sobre Pearl Harbor, ou que pelo menos fazem referência parcial ao evento histórico. Entre eles, destacam-se títulos como 1941 - Uma Guerra Muito Louca, de Steven Spielberg (que representou um golpe significativo para sua carreira na época); e A Batalha de Midway, clássico de guerra dos anos 70 que se passa poucos meses após o ataque.

Seis anos antes, o filme Tora! Tora! Tora! foi lançado, buscando retratar os eventos que cercaram o ataque de forma precisa e objetiva – e obteve um sucesso impressionante. Isso se deveu à colaboração de uma equipe de filmagem formada por americanos e japoneses, retratando os eventos da perspectiva dos dois países.

O trauma americano: Esta é a história de Tora! Tora! Tora!

20th Century Fox

Os americanos, usando a máquina de decifração Purple, haviam conseguido quebrar as mensagens de rádio japonesas. No entanto, a Frota do Pacífico dos EUA, no Havaí, não possuía o dispositivo – razão pela qual o devastador ataque japonês de 7 de dezembro de 1941 os pegou completamente de surpresa e indefesos. Apesar dos claros sinais de alerta, o perigo não foi reconhecido nos mais altos escalões políticos e militares, e o fluxo de informações foi drasticamente atrasado.

Com a mensagem de rádio "Tora! Tora! Tora!", os pilotos japoneses finalmente relataram o sucesso do ataque. As consequências de Pearl Harbor foram devastadoras: vários navios de guerra americanos foram afundados e quase 2.500 americanos perderam a vida. Foi um ataque sem aviso prévio, sem declaração de guerra. Um trauma para os EUA por muitos anos, senão décadas.

As cenas do lado japonês foram dirigidas pelos cineastas Toshio Masuda e Kinji Fukasaku. Já as do lado americano foram filmadas por Richard Fleischer. Essa divisão de trabalho garantiu o mais alto grau possível de objetividade e neutralidade.

Tora! Tora! Tora!
Tora! Tora! Tora!
Data de lançamento 20 de novembro de 1970 | 2h 24min
Criador(es): Akira Kurosawa, Richard Fleischer, Kinji Fukasaku
Com Martin Balsam, E.G. Marshall, James Whitmore
Usuários
3,7
Assista agora no Disney +

Curiosidade: o lendário Akira Kurosawa foi originalmente escalado para dirigir a versão japonesa. Kurosawa passou dois anos trabalhando no roteiro e na pré-produção. Insatisfeito com o progresso lento e com as filmagens realizadas até então, a 20th Century Fox substituiu Kurosawa por Masuda e Fukasaku apenas duas semanas após o início das filmagens – que duraram um total de oito meses e custaram aproximadamente 25 milhões de dólares.

Embora o sucesso de bilheteria esperado (especialmente nos EUA) não tenha se concretizado, a crítica foi só elogios. Em 1970, Tora! Tora! Tora! ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Especiais, além de outras quatro indicações (incluindo Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia). O filme está no Disney+.

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