"Muito hipócrita": Snoop Dogg é detonado após reclamar de cena com menos de 10 segundos em filme da Pixar
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Músico ressuscitou polêmica de anos atrás com estúdio de animação.

Sempre que alguém mais velho diz algo que vai contra o que já defendeu um dia, quando jovem, ou apresenta algo que contradiz a própria persona, a sentença "viveu o suficiente para se tornar vilão" sempre surge. Embora a sabedoria seja, sim, algo adquirido com o tempo, esse conhecimento não é garantido com o passar da vida.

Quem evocou este tipo de reflexão recentemente foi Snoop Dogg, músico controverso que emplacou grandes hits ao longo das últimas décadas e faz parte intrínseca da cultura pop, em especial, da existência e expansão do hip hop. Depois de ter dito mudar de ideia quanto à presidência de Donald Trump, um político conservador que, em mais de uma ocasião, já deu declarações contra minorias - algumas das quais o músico está incluído -, o rapper se envolveu em outra polêmica.

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Em uma participação no podcast It's Giving, apresentado por Sarah Fontenot, Snoop relatou sua experiência ao assistir Lightyear ao lado do neto. Ao citar a cena em que um casal lésbico é apresentado - que, na época do lançamento do filme já causou certo alvoroço -, ele afirma: "O que você vê é o que você vê, e eles estão colocando isso em todos os lugares", disse.

Segundo o cantor, seu neto questionou o fato de duas personagens terem um bebê. "Eles dizem: 'Ela teve um filho — com outra mulher'. Bom, meu neto, no meio do filme, diz: 'Papa Snoop, como ela teve um filho com uma mulher? Ela é uma mulher!'"

A cena que irritou Snoop Dogg

Pixar

A sequência em questão é apresentada no primeiro bloco do filme e tem menos do que 10 segundos. Trata-se da passagem em que vemos a progressão do tempo na rotina de Buzz e o avanço daqueles que o cercam. Sua colega de trabalho engravida e depois mostra que vive com uma companheira e o filho.

"Put* m*rda, eu não vim para isso. Só vim assistir ao maldito filme", continuou. "Me ferrou. Fiquei com medo de ir ao cinema. Vocês me jogaram no meio de uma m*rda para a qual não tenho resposta... Fiquei confuso. Pensei: 'Que parte do filme é essa?' São crianças. Temos que mostrar isso nessa idade? Eles vão fazer perguntas. Eu não tenho a resposta."

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A inclusão de um casal que pode existir na vida real assustou Snoop Dogg, mas a abordagem do rapper com as mulheres e o uso de drogas é naturalizado, apontaram alguns internautas. Nas redes sociais, muitos repercutiram a notícia com indignação. "Vira pra criança e diz: 'elas adotaram'. Qual a dificuldade nisso?", indagou uma usuário do X (Twitter).

"Para ele f1 [fumar maconha] e sexualizar mulher nos clipes e nas redes dele não é m*rda, mas a representação de duas mulheres com um filho no desenho é", afirmou outro. Comentários do gênero, apontando contradições, também se acumularam, como "Só o que faltava, maconheiro conservador", "engraçado, o cara é conhecido por drogas e sexo não consegue lidar com gays e lésbicas. Esse pessoal conservador é muito hipócrita, na boa" e "mostrar a realidade das famílias do mundo que deixaram de ser apenas entre homem & mulher assusta dessa forma? Fumar maconha e sexualizar mulheres deve ser melhor e mais indicado à criança".

Reprodução/Youtube

Uma cena posterior a esta do filho, em que as personagens se beijam, voltou às redes neste fim de semana. Em algumas publicações, é fácil encontrar comentários como "imagine se assustar com um momento de cinco segundos" e até reflexões quanto ao contexto político de cada situação:

"Snoop Dogg era homofóbico nos anos 90 e depois se tornou pró-gay quando Obama legalizou o casamento gay para evitar reações negativas. Agora é socialmente aceitável odiar gays novamente, então ele simplesmente voltou a ser como sempre foi. A maior venda do hip-hop", apontou um perfil da rede social.

Lembre-se do caso

Pixar

Lightyear é um dos primeiros filmes da Pixar a ter uma personagem relevante com uma identidade queer. No entanto, as lideranças do próprio estúdio quase retiraram os momentos afetivos da personagem, incluindo um beijo entre ela e sua esposa. Pouco tempo depois, uma carta de funcionários e ex-funcionários para a empresa foi revelada ao público, dos quais apontavam vários cortes neste e em outros filmes.

Chris Evans, o eterno Capitão América, falou sobre a questão. "Sempre haverá pessoas com medo, sem consciência e tentando manter o que era antes. Mas essas pessoas morrem como dinossauros", continuou o astro da Marvel. "Acho que o objetivo é não dar atenção a eles, seguir em frente e abraçar o crescimento que nos torna humanos", disse o dublador de Buzz em entrevista à Reuters.

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"Por mais ótimo que seja — e você sabe, já me perguntaram isso algumas vezes — é legal, e é maravilhoso, me deixa feliz. É difícil não ficar um pouco frustrado por ter que ser um tópico de discussão. Que seja esse tipo de 'notícia'", comentou à Variety sobre a polêmica do casal e do beijo.

Ele completa: "O objetivo é que possamos chegar a um ponto em que seja a norma, e que isso não precise ser em águas desconhecidas, que eventualmente seja assim que as coisas são. Essa representação em todos os níveis é como fazemos filmes. Olha, é uma honra fazer parte de algo que está dando esses passos, mas o objetivo é olhar para trás e ficar chocado por termos demorado tanto para chegar lá."

Lightyear segue disponível no catálogo do Disney+.

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