A 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado teve início na última sexta-feira (15) para exibir os longas e curtas-metragens que disputam o Kikito de Ouro, um dos principais troféus dedicados ao cinema brasileiro. Fora da competição oficial, os primeiros dias do festival foram marcados por estreias aguardadas, com destaque para O Último Azul, do diretor Gabriel Mascaro, premiado no Festival de Berlim e selecionado para a abertura au concur do evento.
O Último Azul e o tabu do envelhecimento
Edison Vara/Agência Pressphoto
No tapete vermelho – que virou azul em homenagem ao filme – o diretor Gabriel Mascaro fala sobre a estreia do longa no Brasil, com estreia marcada para 28 de agosto nos cinemas. “Depois dos festivais internacionais, o Urso de Prata em Berlim, a gente finalmente devolve o filme para o Brasil, que é o lugar em que estamos mais ansiosos para compartilhar o filme”, diz Mascaro ao AdoroCinema.
O Último Azul acompanha a história de Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos que vive em um Brasil distópico, em que o governo despacha todos os idosos para colônias isoladas da sociedade, com o objetivo de acelerar a produtividade econômica. Rodrigo Santoro, homenageado com o Kikito de Cristal em Gramado, faz participação no longa.
“Vivemos num mundo em que todos querem ser jovens para sempre. E a reflexão que a gente propõe aqui é exatamente essa: o envelhecer como um processo natural. Acho que o filme fala sobre o direito que todos temos, inclusive os idosos, as crianças, de sonhar, de redescobrir a vida, de, sei lá, se aos 80 anos você quiser aprender a pintar, por que não?”, nos explica o ator em entrevista exclusiva.
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente é a nova série brasileira da HBO
Edison Vara/Agência Pressphoto
Também fora da competição, o primeiro sábado do Festival de Gramado teve exibição do episódio inicial de Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, nova minissérie de 5 episódios da HBO estrelada por Ícaro Silva, Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro.
Ambientada durante a década de 1980 e tendo a epidemia de AIDS como centro da trama, a série acompanha um grupo de jovens lidando com as consequências da doença – não só fisicamente, mas emocionalmente, marcadas por um período de profundo preconceito com pessoas que viviam com vírus e com a negligência governamental em relação à saúde pública. Neste cenário, os protagonistas se arriscam para trazer ao Brasil, clandestinamente, um novo remédio que revolucionou o tratamento da AIDS.
Em conversa com o AdoroCinema no tapete vermelho, o elenco contou sobre os principais impactos do novo trabalho. “Acho que o que mais me emociona é essa rede de solidariedade que surge quando existe uma dor e as pessoas transformam essa dor no afeto, no que é possível fazer junto. Ninguém teria feito o que acontece nessa série sozinho e eu acho que isso é o mais emocionante”, reflete Bruna Linzmeyer.
“Acho que o público pode esperar muita emoção, muita alegria e profundidade também. O que mais me impacta nessa série é que, embora o tema seja muito denso, todos os personagens estão muito dispostos a viver e, assim, acho que eles nos ensinam muito sobre como viver”, pontua Ícaro Silva.
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente estreia em 21 de agosto na HBO Max.