A Netflix alcançou a marca de 300 milhões de assinantes no mundo e, apesar das críticas ao volume e à homogeneidade de produções no streaming, continua entregando séries que chamam atenção pela qualidade.
Um dos exemplos mais recentes é Adolescência, minissérie de quatro episódios gravados em plano-sequência, que acompanha Jamie Miller, jovem de Liverpool interpretado por Owen Cooper, influenciado por ideologias masculinas tóxicas disseminadas online. O projeto rendeu 13 indicações ao Emmy, incluindo as de melhor ator para Cooper — o mais jovem nomeado na história de sua categoria — e para Stephen Graham, o criador.
Entre grandes sucessos e produções de orçamento elevado, mas mal recebidas, como The Electric State, há um elemento em comum nas séries mais bem avaliadas: a participação da Plan B Entertainment, produtora fundada em 2001 por Brad Pitt, Brad Grey, Kristin Hahn e Jennifer Aniston.
O estúdio acumula grandes títulos no cinema, incluindo Os Infiltrados, 12 Anos de Escravidão e Moonlight: Sob a Luz do Luar, todos vencedores do Oscar de Melhor Filme, e também investe na TV.
A estreia da Plan B no formato seriado foi em 2008, com Pretty/Handsome para a FX, que não passou do piloto. O primeiro projeto para a Netflix veio em 2016, com The OA, drama de ficção científica estrelado por Brit Marling como Prairie Johnson. A série foi bem recebida e mantém 84% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas acabou cancelada em 2019, deixando um gancho sem conclusão.
Após produzir Outer Range para o Prime Video, a Plan B voltou à Netflix com O Problema dos 3 Corpos, adaptação do romance chinês homônimo, de Liu Cixin. Lançada em março de 2024, a trama acompanha cientistas que descobrem uma ameaça extraterrestre à Terra. A série recebeu seis indicações ao Emmy e foi renovada para mais duas temporadas.
Nem Adolescência, nem The Last of Us: Esta é a melhor série dos anos 2020Nenhum desses projetos, porém, alcançou o impacto cultural de Adolescência, lançado em 2025. No Reino Unido, políticos pediram que a série fosse exibida no Parlamento e nas escolas, proposta apoiada pelo primeiro-ministro Keir Starmer. A produção passou a ser disponibilizada gratuitamente para colégios do ensino secundário.