Profissionais do cinema brasileiro fazem carta pedindo regulação do streaming: Fernanda Torres, Wagner Moura e mais 793 assinam documento
Bruno Botelho dos Santos
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.

Profissionais do audiovisual brasileiro assinaram uma carta aberta em defesa da soberania nacional.

Profissionais do audiovisual brasileiro assinaram uma carta aberta em defesa da regulação do streaming e para assegurar a soberania do nosso cinema. Ela é endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Motta (presidente da Câmara), Gleisi Hoffmann (ministra das Relações Institucionais), Margareth Menezes (ministra da Cultura) e Joelma Gonzaga (secretária do audiovisual do Ministério da Cultura).

Mais de 750 profissionais assinaram a carta, que inclui nomes importantes do cinema nacional como Fernanda Torres, Wagner Moura, Helena Ignez, Kleber Mendonça Filho, Walter Salles, Anna Muylaert, Fernando Meirelles e Petra Costa.

A carta sai em defesa da regulação do streaming no Brasil e pede com urgência um marco regulatório. "A regulamentação do VOD encontra-se com mais de uma década de atraso, em um contexto onde o audiovisual tornou-se central para a circulação de ideias, valores, linguagem e identidade nacional. O Brasil é hoje o segundo maior mercado mundial para plataformas globais de streaming, mas não conta com mecanismos regulatórios que assegurem contrapartidas financeiras, de programação e de propriedade intelectual compatíveis com essa posição", diz o texto da carta.

Os pedidos do documento são:

  • Apoio do poder Executivo ao PL 2331/22, que propõe contribuição financeira mínima das plataformas (6%) no desenvolvimento do audiovisual nacional;
  • Manutenção de Jandira Feghali como relatora do texto no plenário da Câmara;
  • Atuação firme do Ministério da Cultura como defensor da nossa indústria audiovisual;
  • Mobilização para garantir a tramitação urgente da proposta no Congresso Nacional.

"Não podemos aceitar que o nosso mercado audiovisual seja usado como moeda de troca, como em momentos anteriores de nossa história. Devemos almejar equilibrar a nossa balança comercial da cultura, exportando nossa diversidade e nossa produção cultural para o mundo", reforça a carta assinada pelos profissionais do audiovisual brasileiro.

"Sem regulação, o Brasil corre o risco de ser apenas um mercado consumidor, sem consolidar uma indústria nacional capaz de gerar emprego, renda e projeção internacional", diz o texto. "Trata-se de garantir que a voz do Brasil continue a ser contada por brasileiros".

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