No Brasil não teve muita repercussão, mas na Nova York de 1985, Krush Groove era tudo: o filme sobre a criação da Def Jam Recordings e o sucesso de artistas afro-americanos como Run-DMC ou Russell Simmons logo ganhou status cult: arrecadou quatro vezes mais do que custou. O filme teve uma incrível trilha sonora, seu diretor, Michael Schultz, continua em atividade agora mesmo (aos seus 86 anos) e marcou o nascimento de um ator que naquela época nem sequer havia começado sua carreira de comediante e que, de fato, não aparece nos créditos (afinal, seu papel se reduz a ficar de pé ao lado do telefone durante uma briga): um tal de Chris Rock.
Warner Bros.
Chris Rock começou a fazer stand-up em 1984, mas antes disso era um simples rapaz, filho de uma professora e um caminhoneiro. Naquela época, Rock, que abandonou o ensino médio por causa do bullying, trabalhava como garçom em restaurantes de fast food e encontrou no humor uma saída. Não era estranho aos estúdios: durante os fins de semana em que trabalhava como DJ, conseguiu o papel em Krush Groove, e foi seu único contato com o cinema até 1987, quando apareceu, de surpresa, em Um Tira da Pesada 2.
Acontece que Eddie Murphy o tinha visto em um de seus monólogos e decidiu, de maneira unilateral, que ele merecia mais sucesso, então, sem rodeios, deu-lhe um pequeno papel em seu filme. A partir daí foi ascendendo em Hollywood pouco a pouco: conseguiu aparecer de 1990 até 1993 no desejado Saturday Night Live e, à base de monólogos e pequenos filmes, construiu uma carreira que culminou com a apresentação do Oscar em 2016.
Não, essa não foi a do tapa: essa foi a cerimônia de 2022, quando estava apresentando o prêmio de melhor documentário e fez uma piada sobre Jada Pinkett-Smith e Até o Limite da Honra. O resultado? Uma das imagens mais tristemente épicas da história das cerimônias de premiação. E talvez nada disso teria acontecido se ele não tivesse se posicionado ao lado do telefone durante uma briga em Krush Groove!