Guillermo del Toro é um diretor que trouxe muita alegria aos cinéfilos, sendo O Labirinto do Fauno uma de suas obras mais marcantes. No entanto, o cineasta mexicano passou por momentos terríveis durante a produção daquele que permanece, até hoje, um de seus melhores filmes, algo que ele mesmo reconheceu em Cannes, onde apresentou uma nova restauração do longa.
O próprio cineasta confessou em diversas ocasiões que não o enxergou com clareza, como quando o mostrou a Alfonso Cuarón, dizendo-lhe de antemão que era um desastre, ao que o autor de Filhos da Esperança respondeu: "Cara, é ótimo, você está louco".
"Fazer este filme foi como ir contra a corrente a cada instante"
Agora, Del Toro deu mais detalhes sobre o que ele mesmo descreveu da seguinte forma: "20 ano atrás, fazer este filme foi como ir contra a corrente a cada passo. Foi a segunda pior experiência cinematográfica da minha vida, a primeira sendo Mutação com os Weinsteins. Aquilo foi horrível."
O diretor mexicano destaca que "foi muito difícil na pré-produção; ninguém queria financiá-lo, e tudo deu errado durante a produção. E a pós-produção foi igualmente difícil". Tudo indicava que O Labirinto do Fauno poderia ser um completo desastre, o que torna seu sucesso ainda mais notável.
Warner Bros. Pictures
"Não estou acostumado a bajulação"
Foi no Festival de Cannes de 2006 que ele descobriu que todo o esforço e todas as dificuldades tinham valido a pena: "É o que acontece quando se vai do escritório para casa. E foi muito estranho porque, apesar do meu físico, não estou acostumado a bajulação. Acho muito difícil assimilar o afeto. E Alfonso Cuarón estava comigo no corredor e me disse: Deixe entrar. Deixe o amor entrar."
Felizmente, desta vez tudo teve um final feliz, já que O Labirinto do Fauno foi um sucesso comercial estrondoso — arrecadou 83 milhões dólares contra um orçamento de 19 milhões dólares — e também foi indicado a 6 Oscars, dos quais acabou ganhando 3, incluindo o de melhor roteiro original para Del Toro.