25 anos atrás, essa ficção científica foi um fracasso tão grande que faliu um estúdio de cinema
Compartilhe esta matéria

Poucos meses depois do lançamento, filme já era considerado como um dos piores do século.

Assim como existem filmes que salvaram estúdios, como é o caso de Cinderela com a Disney após Segunda Guerra Mundial, existem produções que representaram a ruína de uma empresa. A ideia de levar essa história para os cinemas teve um grande impulso de John Travolta.

"Tenho um carinho especial por esse livro. Hubbard era um grande escritor e eu tinha uma ideia do potencial do filme; uma fantasia em minha mente que durou anos", disse o ator ao The New York Times em 2008, quase uma década após A Reconquista mudar a história da indústria cinematográfica ganhar um novo, e vergonhoso, capítulo.

A próxima ficção científica da Marvel estreia mais cedo: 4 dias para conhecer uma nova legião de heróis do MCU

Baseado em um romance de L. Ron Hubbard, mais conhecido como o fundador da Cientologia, a trama nos leva ao distópico ano 3000, onde a Terra vive um cenário desértico e a humanidade está à beira da extinção. Com esse panorama, uma raça alienígena intitulada Psychlo transformou nosso planeta em colônia, destruindo nossas cidades e abolindo nossas instituições.

O projeto com ares de Star Wars foi concebido justamente para ser uma espécie de sucessor espiritual da franquia de George Lucas, mas acabou sendo um fracasso tão grande que levou o estúdio que o produziu à falência.

A Reconquista levou uma produtora independente ao fim

Franchise Pictures

À começar, o livro que inspirou A Reconquista já era controverso, por seu teor supostamente criar pontes com a Cientologia. Ao levar isso para os cinemas, os temas precisariam ser revisados para que isso não se tornasse apenas uma ficção panfletária.

John Travolta vivia os ecos de Pulp Fiction, e com isso abraçou o projeto com esforço pessoal de levá-lo às telonas. Inclusive, ele chegou a convidar Quentin Tarantino para dirigir a adaptação, mas o cargo ficou com Roger Christian, já que havia trabalho em alguns filmes de Star Wars como cenógrafo e assistente de direção.

Sem o engajamento de grandes estúdios, mas alguns milhões de dólares do astro de Hollywood, a produtora independente Franchise Pictures adquiriu os direitos do filme com a ambição de fazer algo parecido com outros projetos de ficção científica das décadas anteriores.

Críticas negativas e fraude

Franchise Pictures

O resultado foi um desastre: baixíssima bilheteria com menos de 30 milhões de dólares arrecadados, ondas de críticas negativas pela mídia especializada e o encerramento da empresa que havia sido fundada há pouco tempo.

"A Reconquista é como viajar de ônibus com alguém que precisa de um banho há muito tempo. Não é apenas ruim; é desagradável de uma forma hostil", escreveu Robert Ebert, um dos críticos de cinema mais respeitados da indústria. Pouco tempo depois, o The New York Times cravou que "pode muito bem se tornar o pior filme deste século".

Quase 40 anos depois, Arnold Schwarzenegger retorna à franquia de ficção científica que mudou sua carreira

Fora os problemas posteriores ao lançamento, o filme ainda foi alvo de uma investigação pelo FBI. Descobriu-se que o filme não custou 73 milhões de dólares para ser produzido, mas apenas 44 milhões. Foi revelado que a Franchise Pictures fraudou os valores e, três anos após o lançamento de A Reconquista, a empresa decretou falência após ser condenada a pagar a indenização pelo ocorrido.

Embora a curiosidade de assistir ao filme pudesse levar alguns leitores ao projeto, A Reconquista não está disponível em nenhum serviço de streaming no Brasil - e isso pode ser uma coisa boa.

Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
Links relacionados