"Eu não o queria": Este diretor foi forçado a trabalhar com John Wayne em um icônico faroeste
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

A razão para isso? Suas opiniões políticas.

Até Clint Eastwood se tornar um concorrente sério para ele no final da década de 1960, John Wayne era o epítome do faroeste – reputação pela qual o ator trabalhou duro: até sua morte em 1979, ele interpretou 135 (!) papéis principais, o que o torna um recordista até hoje. E embora tivesse a reputação de não ser uma pessoa particularmente fácil de conviver, Wayne teve parcerias duradouras com grandes cineastas.

Sua colaboração com o mestre John Ford é lendária e resultou em um total de 14 filmes – incluindo marcos como No Tempo das Diligências, Rastros de Ódio e O Homem que Matou o Facínora. Ele também apareceu cinco vezes diante das câmeras de Howard Hawks e Andrew V. McLaglen, mas nem todos os diretores estavam interessados ​​em escalar o ator. Mark Rydell, por exemplo, não tinha nenhuma simpatia por Wayne – mas acabou sendo forçado a trabalhar com ele.

Mark Rydell foi forçado a filmar com John Wayne

Warner Bros.

Rydell havia feito dois filmes indicados ao Oscar quando se deparou com um romance chamado Os Cowboys, que gira em torno do fazendeiro Wil Anderson, abandonado por seus criadores de gado no auge da corrida do ouro e forçado a contratar um grupo de estudantes inexperientes. Segundo o diretor, ele sabia depois das primeiras 15 páginas que queria fazer um filme do livro – e também teve imediatamente em mente o protagonista perfeito: George C. Scott, que acabara de ganhar um Oscar por sua atuação no drama de guerra Patton – Rebelde ou Herói?.

No entanto, seus financiadores insistiram que o diretor escalasse John Wayne para o papel principal – e Rydell concordou relutantemente. Em uma entrevista a Jon Zelazny, o cineasta admitiu sem rodeios: "Eu não o queria. Eu queria George C. Scott. Mas [a Warner] tinha um contrato com Wayne, então [o produtor e executivo do estúdio John Calley] disse: 'Vamos nos encontrar com ele. Ele realmente quer o papel.'"

Sem motivo para arrependimentos!

Warner Bros.

Rydell aceitou a condição para fazer o projeto decolar. Aliás, não eram as habilidades de atuação de Wayne que desagradavam o diretor, mas sim suas visões políticas.

Rydell descreve seu primeiro encontro com Wayne da seguinte forma: "Fiquei completamente surpreso [...]. Quero dizer, ele era o completo oposto de todos os meus ideais. Ele era muito direitista e um dos cofundadores da Black List nos anos 1950. Eu, por outro lado, era um músico judeu do Bronx com visões bastante liberais. E lá estava eu ​​sentado com ele."

"Ele apertou minha mão – minha mão praticamente desapareceu na dele, era tão grande – e disse: 'Eu realmente apreciaria se você me desse a chance de interpretar esse papel, senhor' Ele me cativou completamente. Eu disse a ele: 'Por favor, nunca vamos falar de política, apenas de arte'."

Os Cowboys
Os Cowboys
2h 11min
Criador(es): Mark Rydell
Com John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern
Usuários
3,3

Apesar de suas posições radicalmente opostas, Rydell e Wayne se deram muito bem durante as filmagens – e Os Cowboys se tornou um sucesso artístico e comercial. E não é só isso: um especialista em Velho Oeste considera o filme uma das contribuições mais realistas já feitas do gênero!

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