Five Nights At Freddy's 2
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Five Nights At Freddy's 2

Perdido entre o drama e o terror, Five Nights at Freddy's 2 sofre com um roteiro debilitado

por Rafael Felizardo

Nos últimos anos, as adaptações de videogames se tornaram uma tendência na indústria audiovisual. Obras de excelência reconhecida, como The Last of Us, Arcane, Fallout e Sonic 3 ganharam as grandes e pequenas telas em um curto intervalo de tempo - assim como outras produções mais dispensáveis que nem ao menos valem a citação.

Em 2025, Five Nights at Freddy's 2 estreou nos cinemas de todos os cantos do mundo, carregando com ele o peso de uma franquia de jogos eletrônicos com uma base pequena, mas fiel de fãs. Dirigido por Emma Tammi, o longa-metragem conta com os protagonismos de Josh Hutcherson, Elizabeth Lail, Piper Rubio e Matthew Lillard - mas infelizmente, não consegue dizer muito ao que veio.

O que é Five Nights at Freddy’s?

Antes de começarmos esta análise, vale a pena um pouco de contexto. Five Nights at Freddy's é uma franquia de videogame criada por Scott Cawthon em 2014, que apresenta um survival horror no qual o jogador controla Mike Schmidt, um segurança noturno de uma famosa lanchonete. Nele, Mike precisa completar seu turno enquanto evita animatrônicos assassinos que vagam pelo local.

Assim, no enredo de Five Nights at Freddy's 2, um ano se passou desde o trágico evento no Freddy Fazbear’s Pizza, onde rumores distorcidos e histórias exageradas viraram lendas locais. Enquanto Mike esconde a verdade sobre o destino dos animatrônicos, de sua irmã, Abby, a policial Vanessa sofre com uma série de pesadelos traumáticos. No decorrer da trama, Abby consegue se reconectar com Freddy, Bonnie, Chica e Foxy, mas algo maligno pode estar por trás de seus amigos.

Universal Pictures

O filme não convence como drama ou terror

Assim como no primeiro filme, Five Nights at Freddy's 2 até tem boas intenções, mas sua proposta de misturar terror e drama não funciona. O terror não é cativante a ponto de tocar o espectador, e o drama carece de profundidade para sustentar qualquer tipo de peso emocional. O resultado é um projeto que luta para alcançar algo maior, mas que não chega a entregar o almejado.

Com isso em mente, os conflitos entre Vanessa, personagem de Elizabeth Lail, e Mike, de Josh Hutcherson, parecem sempre artificiais demais. Os obstáculos desse relacionamento soam como um simples artifício para dar movimento ao enredo, e não como algo verdadeiramente construído com o passar do tempo. Em vez de uma premissa genuína, o que vemos são crises postiças que raramente convencem, diluindo uma possível solidez narrativa.

Além disso, Five Nights at Freddy's 2 incomoda ao não desenvolver seus argumentos de maneira apropriada. Algumas de suas subtramas são deixadas de lado sem um progresso adequado, comprometendo a consistência do enredo. Há uma falta de coesão que enfraquece o impacto do texto, por mais que partes dele fossem promissores.

O visual de Five Nights at Freddy's 2 é o seu ponto forte

Se em termos de narrativa Five Nights at Freddys 2 tropeça, o longa encontra no visual um acerto. A fotografia assinada por Lyn Moncrief é bastante agradável, um profissional que no passado trabalhou em títulos como Vengeance, When I’m a Moth e The Wind. Além disso, os animatrônicos presentes estão, mais uma vez, muito bonitos - e em uma quantidade ainda maior do que no primeiro filme.

A produção utiliza de maneira bem-vinda efeitos práticos em boa parte de suas cenas, encabeçados pelo Jim Henson's Creature Shop, um dos estúdios mais conceituados da sétima arte. Para se ter ideia, a companhia passou 26 semanas construindo os animatrônicos mencionados, entregando uma coleção de encher os olhos.

Universal Pictures

Em uma grata surpresa, Five Night’s at Freddy’s 2 introduz dois novos animatrônicos: Mangle e a Marionete. O primeiro é uma versão bizarra de Foxy cheio de remendos de outras partes mecânicas, enquanto o segundo se destaca por sua aparência inquietante, com um rosto pálido e uma movimentação quase sobrenatural. Ao mesmo tempo em que Mangle tem uma relevância menor em termos de enredo, a Marionete é basicamente a grande vilã do longa.

O retorno do elenco não tem muito a acrescentar

Figuras principais do primeiro filme, Josh Hutcherson, Elizabeth Lail, Matthew Lillard e Piper Rubio retornam aos holofotes, mas como dito acima, pouco têm a acrescentar. Se retirarmos os animatrônicos, os personagens da franquia não são interessantes o suficiente para se manterem na memória por muito tempo - e isso não é tanto um problema, mas sim uma constatação.

Five Night’s at Freddy’s 2 ainda acrescenta alguns rostos novos à trama, como um segurança interpretado por Freddy Carter e um professor de robótica vivido por Wayne Knight. Sobre Knight, por mais que eu tente não fazer a conexão, seus trejeitos frente às câmeras acabam me lembrando sempre do sorrateiro Newman, de Seinfeld - um personagem que, por sinal, eu amo.

Vale a pena assistir a Five Nights at Freddys 2?

Com sua cota de easter eggs em tela, Five Nights at Freddy’s 2 pode ser um prato cheio para determinado tipo de fã, mas para o resto do público, não convence. Sem profundidade para o drama e sem tensão para o terror, a produção encontra-se em um limbo desconfortável, preso entre a vontade de expandir o universo da franquia e a incapacidade de sustentar seus próprios argumentos.

Não nego que até há boas ideias aqui e ali, mas considerável parte delas são abandonadas antes de amadurecerem. Por vezes, nos encontramos à beira do desenvolvimento de algo interessante, mas uma mudança brusca de direção coloca tudo a perder, enfraquecendo a experiência como um todo.

Por fim, mas não menos importante, destaco que Five Nights at Freddy’s 2 ainda conta com um plot twist completamente insosso, daqueles capazes de revirar os seus olhos em uma sala escura de cinema.

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