Costumo colocar um filme de fundo enquanto trabalho — algo leve, descartável, que sirva de trilha sonora para minha produtividade. Porém, ao me deparar com o título "O Maníaco do Parque", confesso que parei tudo. Afinal, trata-se de um dos casos mais brutais e emblemáticos da crônica policial brasileira. O mínimo que esperava era um filme tenso, investigativo, com alguma reverência ao tema. O que recebi, no entanto, foi um insulto artístico disfarçado de produção audiovisual.
O longa começa prometendo pouco — e cumpre com um zelo digno de elogios. Mas não contente com entregar o mínimo, ele cava com afinco o buraco da mediocridade. Em vez de explorar o caso real com profundidade, opta por centrar sua trama em uma jornalista genérica em busca de "se destacar" na profissão. O caso do serial killer vira mero papel de parede, algo entre um enfeite narrativo e um clickbait fílmico.
Marco Pigossi, o único ator que poderia ter salvo alguma dignidade desse espetáculo grotesco, mal aparece. Quando surge, é apenas para ser humilhado por sua subordinada em uma sequência digna de um panfleto militante mal diagramado. Em determinado momento, você começa a se perguntar se todos os personagens masculinos foram inspirados em caricaturas de folhetins da Globo — todos machistas, opressores, ou simplesmente inúteis. Inclusive o chefe da protagonista, que não faz absolutamente nada, mas ainda assim leva sermão. Merecido? Talvez. Convincente? Jamais.
A cereja do bolo (ou o prego no caixão) é a cena em que o caso é resolvido. Prepare-se para um plot twist que deixaria até os roteiristas de Chaves embaraçados: a jornalista simplesmente mostra um vídeo da internet para uma sobrevivente e, voilà, caso encerrado. Polícia? Para quê. Investigação? Bobagem. Evidências? Isso é coisa de gente que respeita o gênero policial.
As vítimas reais? Desrespeitadas. A inteligência do espectador? Insultada. A polícia? Um figurante cômico. O roteiro é tão raso que, com três dias de folga e um pacote de bolachas, qualquer ser humano alfabetizado escreveria algo mais digno. No meio da projeção, já não estava apenas decepcionado — estava indignado. Me sentia cúmplice dessa aberração, por tê-la permitido ocupar minha tela e, pior, meu tempo.
A cinematografia é uma ode à mesmice estética das novelas das 18h. A atuação beira o amadorismo estudantil. O roteiro parece ter sido concebido durante um surto de ego inflado, como se alguém tivesse tido uma epifania superficial de cinco minutos e achasse que havia resolvido os problemas sociais do Brasil — tudo isso sem sair do sofá.
Não me dei ao trabalho de pesquisar o diretor, roteirista ou a mente por trás desse disparate. Mas, seja quem for, desconfie dela. No final, o filme tenta se levar a sério com um discurso moralista tão deslocado da realidade quanto o próprio enredo. É uma pregação vazia, tão descolada do caso real que beira a irresponsabilidade.
Se arrependimento matasse, eu estaria escrevendo esse texto do além. Gastei meu tempo, atrasei meu trabalho, e ainda fui brindado com essa aberração cinematográfica. Se puder dar um conselho: não assista. Nem de fundo. Nem como castigo. Nem em transe.
Nota: 0.