M3GAN (2025)
"M3GAN " é escrito e dirigido por Gerard Johnstone (diretor do primeiro filme), a partir de uma história que ele co-escreveu com Akela Cooper. Akela, junto com James Wan, são os criadores da ideia original do filme e ambos também assinaram como roteiristas do primeiro filme. Nesse segundo filme o roteiro ficou à cargo somente do diretor, já que Akela Cooper não participa e o James Wan esteve apenas como produtor. "M3GAN " é uma sequência do filme "M3GAN" de 2022 e o segundo filme da franquia "M3GAN".
A trama acompanha M3GAN sendo reconstruída para combater uma robô militar humanoide construído com a tecnologia de M3GAN, que está tentando uma dominação por inteligência artificial.
Quando "M3GAN" surgiu lá em 2022, o longa veio naquela onda de bonecos assassinos, bebendo exatamente da fonte de personagens como o icônico "Chucky" e a já consagrada "Annabelle". Porém, estava muito claro que esses personagens serviram apenas como inspiração para "M3GAN", já que em nenhum momento o longa fez questão de ser levado a sério se estabelecendo dentro desse universo. "M3GAN" usa apenas a temática do terror e do suspense, mas seu conceito é uma ficção que funciona como um terror galhofa, até pela indicação estimada na época. Por mais que "M3GAN" use, e até crie, um clima de suspense e terror, a base principal é a diversão e o entretenimento de forma totalmente despretensiosa e descompromissada.
No entanto, o primeiro filme ainda consegue um pequeno destaque ao abordar (de forma rasa, eu entendo) um drama familiar envolvendo a criança que perdeu os pais, e de forma forçada precisa aprender e se adaptar à convivência com uma tia inexperiente no quesito ser "mãe". Nesse ponto o longa consegue abordar o luto, a solidão, os traumas, o afeto, o carinho, a atenção, a amizade e até o amor. Podemos considerar que o filme consegue uma abordagem sobre um drama familiar dentro de uma trama que se estabelece como uma ficção científica de terror. Nesse quesito "M3GAN" consegue um destaque ao apostar em uma mistura de ficção científica e terror pop, um trash horror comedy, um terror com alguns toques de drama e comédia, uma espécie de terror que não é terror, ou um terror sem terror.
Dito tudo isto sobre o primeiro filme: "M3GAN " simplesmente abandona tudo que eu mencionei anteriormente se afastando completamente do drama familiar, do terror e do suspense, e mergulhando de cabeça na ação desenfreada, na ficção científica de comédia pastelona, abraçando de vez uma galhofa cômica e completamente fútil. Temos aqui nada mais nada menos do que um filme que aposta completamente no humor, na comédia e principalmente na ação, com o claro intuito de viralizar nas redes sociais e no TikTok da vida (claro, a onda do momento).
E aqui eu quero deixar bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra esta opção, até porque querendo ou não o primeiro filme também apostou em viralizar nas redes sociais atingindo o público e a onda daquele momento. E tá tudo certo, a franquia "M3GAN" é isso, é apostar em viralizar nas redes, em dancinhas no TikTok, em representatividade no público alvo, em ser galhofa mesmo, em apresentar um terror sem terror, uma ação desenfreada sem nenhum sentido, aquele famoso "comfort movie".
Sobre o elenco eu não tenho muito o que destacar; apenas os retornos de Allison Williams e Violet McGraw, como a tia Gemma e a sobrinha, agora mais crescida, Cady.
Amie Donald volta a interpretar fisicamente os movimentos da M3GAN, e isso ela faz com muita perfeição (assim como já havia feito no primeiro filme).
Jenna Davis também volta como a dubladora da M3GAN, onde eu também vejo um ótimo trabalho, como podemos notar naquele diálogo mais realista e dramático entre ela e a Gemma em um momento oportuno da trama.
Temos a adição no elenco da atriz Ucraniana Ivanna Sakhno como AM3LIA. AM3LIA é uma robô militar espiã assassina, uma espécie de vilã que se transforma em uma arma militar altamente letal e que se rebela contra contra todas as ordens que lhe são exigidas. Ivanna traz uma personagem bem trabalhada e bem atuada, tanto no quesito gestual quanto nos diálogos. Tudo bem que nas partes em que ela aparecia mais robótica eram utilizados dublês e efeitos especiais, mas ainda assim ela conseguiu empregar um olhar e uma postura bem arrojada da famosa vilã que quer destruir tudo e todos.
O elenco se completa com Jemaine Clement (Alton Appleton), o bilionário corrupto da tecnologia cuja empresa fez avanços em biomecatrônica.
Timm Sharp (Tim Sattler), um coronel do exército responsável pela criação de AM3LIA.
Brian Jordan Alvarez e Jen Van Epps, Cole e Tess, os amigos de trabalho da Gemma.
Tecnicamente o longa é bem estruturado, já que visualmente falando o trabalho de montagem, efeitos especiais, dublês, ação e lutas são bem coreografados e bem montados. A trilha sonora é aquilo que já esperávamos, não que isso seja um problema, até porque é exatamente esta trilha e estas músicas que o longa adotou como rótulo da franquia.
Em questão de aceitação e bilheteria: "M3GAN " arrecadou US$ 24 milhões nos Estados Unidos e Canadá, e US$ 15 milhões em outros territórios, totalizando US$ 39 milhões ao todo. Vemos aqui em queda vertiginosa em relação ao primeiro filme, já que "M3GAN" arrecadou mais de US$ 180 milhões em todo o mundo.
E antes de encerrar eu preciso destacar que "M3GAN " ainda tenta criar conexões com o espectador, algo como criar mais empatia pela boneca, talvez se importar mais com a sua causa defendida, algo como se dessa vez a M3GAN passasse de vilã para uma espécie de anti-heroína, já que temos o surgimento da AM3ELIA com os seus propósitos e intuitos. Dentro desse embate entre as duas o longa tenta explicitar em como a IA está dominando o mundo atual, em como hoje temos IA em praticamente tudo, como se a IA fosse parte das nossas vidas, queira você ou não. É exatamente dentro desse contexto que a M3GAN termina tentando passar uma espécie de mensagem como se uma inteligência artificial também pudesse, ou devesse, evoluir. Algo meio bizarro e até patético, mas que está lá.
No mais: "M3GAN " goste ou não entrega exatamente aquilo todos nós esperávamos, pois vamos ser sinceros, em nenhum momento você esperou um filme cult, coeso, inteligente, inovador, que fizesse sentido em alguma coisa. A franquia "M3GAN" foi criada para ser galhofa, clichê, genérica, pastelona, o famoso terror/ação de Shopping Center, aquele filme criado com o único intuito de entreter e divertir de forma descompromissada e totalmente aquém de qualquer realidade.
Porém, ainda assim a "M3GAN" se estabelece de vez no cenário dos bonecos assassinos como os já citados "Chucky" e "Annabelle". Pois é fato que a franquia ainda percorrerá por várias continuações.
- 22/05/2026