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João Santana
8 críticas
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4,0
Enviada em 18 de setembro de 2026
Filme complexo e provocador! Gosto desse diretor, ele não é nem um pouco literal. Já assisti outros filmes dele e sempre é uma experiência desconcertante, incômoda, "fora da caixa", com narrativas com suspense, reviravoltas e vários simbolismos (a serem interpretados pelo espectador ou intencionados pelo roteiro?). Em um filme que trata sobre alienígenas, teoria da conspiração, fanatismos e radicalismos e pessoas suspeitas de terem sérios problemas mentais (superfície do filme), de forma paradoxal, a crítica é ao ser humano, com seu instinto violento e egoísta, é a "praga" que está acabando com a vitalidade do planeta terra. A cena final para mim foi épica, diante do peso e gravidade da sua crítica, aquele fim foi uma redenção, trouxe até um alívio, esteticamente perfeita. Quando você no meio do filme acha que o enredo vai desembocar no óbvio de outros roteiros de filmes, o fim termina do jeito que só esse diretor, brilhante, poderia terminar. Uma reviravolta inesperada e que me agradou. Recomendo.
Quem colocar o filme para assistir sem saber que é um filme de Yorgos provavelmente vai achar tudo bastante esquisito. Mas quem já estiver preparado para o estilo do diretor talvez até estranhe o começo tão tranquilo. Não demora, porém, para os seus toques característicos começarem a aparecer. Maluco? Talvez. Criativo? Com certeza.
O ápice do filme, para mim, está justamente na crítica tanto ao negacionismo quanto às teorias conspiratórias. Finalmente um filme que consegue criticar os dois lados sem parecer estar necessariamente pendendo para um ou para outro. É uma abordagem que, além de interessante, evita aquela necessidade de transformar uma discussão complexa em uma simples disputa entre “certo” e “errado”.
As atuações também são muito boas. Apesar de o filme trabalhar com poucos personagens, eles possuem uma dinâmica muito interessante e conseguem sustentar muito bem a história por meio das interações entre si.
E, claro, como é de costume nos filmes do diretor, aquilo que inicialmente parece estar caminhando para um filme sem grandes momentos de violência rapidamente toma outro rumo. De repente, somos jogados em cenas extremamente violentas e gráficas, mas sem que Yorgos perca sua maneira peculiar e quase lúdica de contar histórias.
Um bom filme. Mas, como acontece com praticamente todos os trabalhos do diretor, definitivamente não é para todos. É preciso sair um pouco da caixinha, deixar algumas expectativas de lado e estar disposto a interpretar o que está por trás daquilo que está sendo mostrado.
"Bugonia" reforça a assinatura peculiar do diretor Yorgos Lanthimos, enquanto oferece uma experiência um pouco mais acessível em comparação com suas obras anteriores. A natureza bizarra e as surpresas inesperadas persistem, criando um ambiente intrigante. O roteiro escrito por Will Tracy se destaca por unir elementos clássicos de um thriller de sequestro, utilizando uma estrutura que mantém um ritmo ágil e a tensão em crescente ascensão, atraindo o espectador para um envolvimento constante.
As atuações de Emma Stone e Jesse Plemons são, sem dúvida, o grande destaque do filme. A química entre os dois atores proporciona um duelo psicológico dinâmico que dá vida ao enredo. Plemons apresenta um captor cujo estado de paranoia é ao mesmo tempo assustador e tragicômico, oferecendo uma perspectiva humana sobre a loucura que permeia seu personagem. Stone brilha como uma executiva astuta e implacável, que, mesmo em sua vulnerabilidade, busca manipular seus sequestradores, explorando a complexidade de sua personagem com maestria.
A sátira social que o filme propõe é feroz e provocadora, funcionando quase como um espelho que reflete as inquietações e dores do século XXI. O longa aborda de forma incisiva temas como o negacionismo, a cultura das teorias da conspiração e a desconfiança nas instituições, revelando os desafios enfrentados pela classe trabalhadora sob o sistema capitalista. Essa crítica social é um dos pontos mais elogiados, pois transmite uma mensagem relevante que ressoa com o público contemporâneo.
Em certos momentos, o Yorgos se apoia em caricaturas exageradas e em um sentimento de superioridade intelectual. Essa abordagem pode levar a uma superficialidade na exploração dos personagens, impedindo que o compreenda verdadeiramente as nuances da loucura que eles vivenciam. A sensação de que algumas dimensões dos personagens não são totalmente exploradas pode deixar uma impressão de que o filme não se aprofunda como poderia.
Eu já esperava o final e ele me fez spoiler: sentir-me meio culpado por desconfiar do personagem e chamá-lo de esquisitão. Eu adorei saber que ele não era louco e tinha razão sobre a personagem da Emma Stone ser um alienígena!
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