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    Druk - Mais uma Rodada
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Druk - Mais uma Rodada

    Hábitos que podem aprisionar ou libertar

    por Barbara Demerov
    Após o forte drama social apresentado em A Caça, o diretor Thomas Vinterberg se destaca na temporada de premiações em 2021 para retomar sua parceria com o ator Mads Mikkelsen. Em Druk - Mais uma Rodada, a dupla mergulha em mais um drama que fala sobre os reflexos da pressão da sociedade -- desta vez de uma forma um pouco mais contida e com foco nas tramas de quatro homens infelizes com suas vidas. 

    O que Vinterberg apresenta ao público em sua trama é como até mesmo a mais singela ideia, que surge a partir de um encontro de amigos, pode se tornar algo gigantesco e com conclusões drásticas. A partir de um estudo que afirma a necessidade de o corpo humano viver com um teor alcoólico de 0,05 para relaxar mais, os quatro professores passam a beber diariamente. Essa é a porta de entrada para uma trama que vai evoluindo sutilmente problemas que antes estavam submersos.

    A direção de Vinterberg é fluida e espontânea, e isso faz com que a jornada de Martin (Mikkelsen) e seus colegas seja mais real ainda. A câmera do cineasta está sempre próxima dos personagens, seja dentro da sala de aula, no banheiro da escola ou nos restaurantes e bares que o grupo frequenta. Isso faz com que a narrativa também se torne bem pessoal, uma vez que são expostos problemas internos e profissionais nas mesmas medidas. E, por mais que o personagem de Mikkelsen seja o protagonista, os demais amigos também garantem atenção do diretor -- tanto para mostrar o lado bom deste desafio de bebida ou o pior cenário possível.



    Novamente, Mads Mikkelsen brilha com uma atuação que prioriza muito mais seus olhares e expressão corporal do que as falas em si, o que resulta em uma performance contida, mas que representa alguém que está pedindo por socorro em silêncio. A evolução e soltura de Martin é explícita na cena final de Druk, mas toda a jornada de autoconhecimento e reflexões que nascem de seu hábito de beber também é interessante de se acompanhar. O resultado da "brincadeira" que envolve álcool não é o esperado pelos personagens, mas o senso de libertação que nasce em suas mentes é visível.

    Ao mesmo tempo, Druk de certa forma critica o hábito de beber pela linha tênue que existe entre diversão e vício. Enquanto parte dos amigos permanece bebendo para seguir a teoria científica, outros passam a depender exclusivamente do álcool para seguir com suas rotinas. Martin entra em um perigoso meio-termo, uma vez que se nega a enxergar de que seus problemas só aumentaram com o alto consumo de bebida e as falhas de comunicação com sua esposa.

    O filme de Vintenberg, que está indicado ao Oscar de Melhor Direção e Melhor Filme Internacional, cria uma experiência que destaca o bem-estar de Martin e os demais personagens, ao mesmo tempo que limita suas próprias vidas graças ao poder do novo vício. Os quatro estão presos em suas próprias mentes e problemas a cada taça compartilhada secretamente, e isso é exibido de forma crescente ao longo das atitudes que todos acabam tomando. Druk fala sobre como nossas escolhas podem ser libertadoras, mas também aponta para as consequências de algumas delas.
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