Ótimo material. Só possível porque a diretora era muito próxima a Dilma e Lula, por influências familiares, e fez vários vídeos pessoais inéditos com cenas do dia a dia, do poder ao impeachment, à prisão. É um documento histórico sim, muito bem estruturado, contado na ordem dos fatos, sem recursos de digressão no tempo, recurso que deixa confuso se não for bem feito. Fica mais claro toda a sequência das intenções, ações, e consequências alcançadas dentro do jogo político , mais claro agora que na época em que ocorreram, de maneiras espaçadas, abafadas, e dispersas pelos demais acontecimentos cotidianos. Instiga os interessados em história a pesquisar e revisitar os fatos. As falas e expressões de emoção captadas dos manifestantes nas ruas também são registros históricos marcantes. Como a de uma funcionária da limpeza do Senado, que também justifica a pertinência do nome do documentário. Mas há uma falha lamentável e ingênua: a narradora, a própria diretora, vitimiza Lula e Dilma e se vitimiza e a todos da esquerda até mesmo no tom condoído, melado, resignado, de toda a sua narração. Como se fosse a narração de uma vítima do Holocausto. Totalmente mal pensado isso para o filme. Desnecessário porque as cenas reais do filme falam por si só. Pode jogar um material muito sério e de valor na vala comum dos acusados de panfletagem. Destaque para áudios gravados semanas antes da votação do impeachment de Dilma, entre Romero Jucá e o presidente da Transpetro, em que revelam o temor de uma verdadeira sangria causada pelas investigações da Lava-jato e o desejo de trocar o governo, para que o novo presidente, Michel Temer, fizesse pactos com o Supremo e o que mais fosse preciso. Outro destaque, mais uma vez uma observação fria de um fato notório: Não houve nenhum líder de massas genuíno como Lula, já que conquistou isso sem que esse tipo de personalidade estivesse sendo buscada pelas pessoas. Não surgiu pela espontaneidade nenhum outro líder nessa proporção. Quanto à mensagem do título, não parece que a democracia como a pensávamos está ruindo, mas que continuamos descobrindo que ela não existia como pensávamos.
Para aquele que vê o filme, através de sua narrativa mentirosa, e não acompanha o que realmente ocorreu, pode acreditar que foi um golpe o q aconteceu. Esta obra cinematográfica, digna de ir pro lixo, na verdade é um trabalho parcial de militantes travestidos de artistas. É uma pena que alguém dê mais de 1 estrela pra esta vergonha.
Parte narrativa linear dos principais acontecimentos na política brasileira nos últimos anos, parte retrato pessoal das desilusões e indignações da documentarista Petra Costa, Democracia em Vertigem pode ser uma obra fácil de se criticar pela sua assumida parcialidade. Mas é também uma difícil de ignorar pela sinceridade e articulação com que apresenta seus pontos. Podia ter sido mais plural? Podia. Mas talvez a própria natureza do projeto não permitisse meio-termos, até porque Costa se coloca logo de início como uma narradora subjetiva e emocional, em um completo arco de personagem. Primeiro, conhecemos uma jovem ativista cheia de sonhos e grandes expectativas ao passo que narra por uma perspetiva puramente pessoal a ascensão de Lula e o que isso significou. Ao fim, o que vemos é uma mulher madura de coração partido pelos rumos tomados pela Nação, bem como sua indignação com certas injustiças causadas pelo radicalismo político. De qualquer ângulo que se olhe, este é um sólido trabalho de documentação em fita que retrata de forma marcante o Brasil de hoje.
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