Casablanca (1942)
"Casablanca" é dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid. O elenco de apoio inclui Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Dooley Wilson. O roteiro de "Casablanca" é baseado em "Everybody Comes to Rick's", de 1940, uma peça teatral não produzida de Murray Burnett e Joan Alison.
"Casablanca" curiosamente é filmado e ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, cujo foco está centrado em em Rick Blaine (Humphrey Bogart), um expatriado americano que gerencia um bar em Casablanca, a maior cidade de Marrocos. Ele reencontra seu antigo grande amor, Ilsa Lund (Ingrid Bergman), que busca ajuda com seu marido, Victor Laszlo (Paul Henreid), um líder da resistência, para escapar dos nazistas. Rick deve escolher entre seu amor por ela ou ajudá-los a fugir.
Eu costumo afirmar que para um filme ser considerado uma obra-prima do cinema ele necessariamente precisa me elevar a enésima sensação de satisfação, me despertar inúmeras reações, eu fico feliz, fico triste, me emociono, fico em êxtase, fico nervoso, fico eufórico, fico alucinado, fico nostálgico, fico em estado de choque, e magistralmente "Casablanca" me leva a todos estes sentimentos aflorados em um misto de reações.
"Casablanca" é amplamente, dignamente e merecidamente considerado como um dos maiores romances da história do cinema. Eu diria que "Casablanca" é a maior história de um amor impossível da história do cinema. O longa-metragem é autêntico, é hábil, é inteligente, é muito bem orquestrado, pois estamos falando de um roteiro absurdamente genial, que usa a base de um drama romântico com um pano de fundo político. O filme tem um peso imenso devido à sua capacidade de unir romance, intriga política e dilemas morais em um contexto real de guerra, transformando-se em um marco cultural duradouro.
O maior triunfo de "Casablanca" é justamente o reencontro de um amor adormecido, de uma grande paixão do passado que é revivida em meios à todos os conflitos presente. Este é o ponto que transforma "Casablanca" em um filme grandioso e inovador, pois temos toda uma abordagem em cima de uma narrativa de guerra, onde inevitavelmente ocorre o embate entre o romance e a política de interesses, entre o sacrifício e o heroísmo, colocando à prova tanto os desejos de Ilsa como principalmente os desejos do Rick. Já que Rick se portava como um homem ferido, frio, desiludido, descrente, solitário, por outro lado se mostrava hábil, inteligente e maquiavélico para orquestrar seus planos.
É incrível o poder que "Casablanca" tem em nos despertar sentimentos distintos, dúvidas ocasionais, curiosidades frequentes, perguntas jamais respondidas; pois estaria Rick protegendo Ilsa pelo amor que ele sempre teve por ela? Se ele realmente a amasse porquê ele não lutou para ficar com ela? Será que realmente ele a amou tanto assim para protegê-la a deixando fugir com outro homem? E a principal delas: será que Rick realmente amava Ilsa ou foi somente um amor repentino porém avassalador como a icônica e lendária frase - "Sempre teremos Paris"? Fato é que querendo ou não o final de "Casablanca" foge dos clichês românticos triviais e se ilustra como uma das maiores provas de amor já demonstradas no cinema, o amor pela vida.
Além do roteiro que é genialmente perfeito, "Casablanca" vai muito mais além ao nos apresentar dois ícones do cinema, duas personalidades que marcaram a história da sétima arte; simplesmente Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.
Bogart foi eleito pelo American Film Institute como a maior estrela masculina do cinema norte-americano de todos os tempos. É considerado um dos grandes mitos do cinema e ganhou o Oscar de melhor ator de 1951 por seu papel em "The African Queen".
Já Ingrid foi uma das maiores atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Com sua beleza e seu imenso talento de atriz, ela foi uma das figuras mais célebres da história do cinema americano. Além disso, Ingrid Bergman é também uma das atrizes mais premiadas, incluindo três Oscars, dois Primetime, um Tony, quatro Golden Globe, um BAFTA e uma Volpi Cup.
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman possuem um química invejável, uma sintonia perfeita, contracenam de forma leve, natural, singela, elegante, prazerosa, onde tínhamos um belíssimo envolvimento nas trocas de olhares, nos diálogos, no gestual, onde ambos ganhavam toda a cena enquanto atuavam com um toque mais teatral. Sem dúvidas era uma forma diferente de atuar, de interpretar, era uma atuação diferente, era um cinema diferente, mais elegante, requintado, poético, fino, inteligente, teatral e intimista. Por outro lado o poder da atuação de ambos também estavam presentes nos diálogos icônicos com frases emblemáticas como:
"O mundo todo desmoronando e nós apaixonados."
"Se esse avião decolar e você não estiver nele, você se arrependerá. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas em breve e para o resto da sua vida."
"Beije-me. Beije-me como se fosse a última vez."
"De todas as espeluncas em todas as cidades do mundo, ela entra justamente na minha."
"Sempre teremos Paris."
E aqui eu preciso citar a minha passagem preferida do filme. O momento em que Ilsa diz para o Sam (Dooley Wilson): "Toque uma vez, Sam, por causa dos velhos tempos" e, posteriormente, "Toque, Sam. Toque 'As Time Goes By'" (Composta por Herman Hupfeld em 1931). Este é um dos momentos mais belo e encantador de toda a história do cinema. E já aproveito para puxar o gancho da trilha sonora composta pelo mestre Max Steiner, o lendário criador de centenas de clássicos temas para filmes americanos. A trilha sonora de "Casablanca" toca no fundo da alma. Se você assistir "Casablanca" e não for contagiado pela belíssima trilha sonora com certeza você já está morto por dentro. O lendário diretor Michael Curtiz de "As Aventuras de Robin Hood" (1938) entrega um trabalho exuberante, genial, que traz a essência da obra com sua filmagem plástica, com takes com tomadas longas, que impulsionava ainda mais aquelas cenas com diálogos históricos; como acontece exatamente na última cena do filme. A cenografia do longa é impecável, pois é impossível você não se emocionar com o poder e a magnitude de uma película em preto e branco ditando a força do amor com a assolação de uma guerra.
"Casablanca" é um patrimônio cultural histórico obrigatório para todos os cinéfilos que se prezem. Uma obra que impactou o cinema. Um clássico que incorpora elementos estilísticos do eterno noir dos anos 40. Uma pérola cinematográfica que virou um marco na indústria ao nos apresentar um dos maiores e mais impactantes casais com uma história de amor impossível do cinema. Sem dúvidas "Casablanca" ajudou a moldar a forma de se fazer e de se pensar cinema, sendo um dos pilares mais sólidos da história do cinema, representando o ápice da eterna Era de Ouro de Hollywood.
"Casablanca" não é apenas um filme, é um deleite para a alma, é um afago no coração, é um suspiro de um amor verdadeiro que respira cinema no mais alto padrão cultural, lendário e histórico.
Uma obra-prima categórica!
- 24/04/2026