Wicked: Parte 1 é, sem exagero, um dos melhores filmes musicais que já vi — e não apenas por respeitar a obra original, mas por entender profundamente o que o cinema pode fazer com ela. O longa consegue o feito raro de ser extremamente fiel à peça da Broadway e, ao mesmo tempo, expandir sua força narrativa usando o poder cinematográfico a seu favor.
As músicas continuam sendo o coração da obra — e seguem absolutamente maravilhosas. Cada número musical é tratado como um evento, não só pelo impacto sonoro, mas pela construção visual, pelo ritmo e pela forma como a câmera participa da emoção, algo que o palco naturalmente não permite. O filme não apenas reproduz as canções: ele as reinventa em escala épica, sem jamais perder a alma do musical.
Visualmente, Wicked é um espetáculo à parte. Oz ganha vida de forma mágica, exuberante e simbólica, reforçando o contraste entre fantasia e manipulação política que sempre esteve no subtexto da história. O resultado é um filme que encanta os olhos, mas também convida à reflexão — exatamente como a obra original se propõe a fazer.
O grande destaque, no entanto, está na dupla protagonista. Cynthia Erivo e Ariana Grande formam uma parceria belíssima, cheia de química, contraste e verdade emocional. Cynthia entrega uma Elphaba intensa, vulnerável e poderosa, enquanto Ariana surpreende ao construir uma Glinda carismática, leve e gradualmente mais complexa. Juntas, elas sustentam o filme não apenas com talento vocal, mas com presença dramática e sensibilidade.
Wicked: Parte 1 é mágico — no sentido mais completo da palavra. Um musical grandioso, emocionalmente envolvente e tecnicamente impecável, que respeita sua origem teatral enquanto abraça o cinema como linguagem própria. Um espetáculo que prova que grandes musicais ainda podem emocionar, impressionar e permanecer na memória.