Sinopse:
Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre assombrado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento em um campo de batalha.
Crítica:
"A Feira", dirigido por Corin Hardy, é um filme que, apesar de tentar expandir o universo de "Invocação do Mal", acaba caindo em clichês que limitam seu potencial. Embora apresente elementos visuais impressionantes e uma ambientação gótica intrigante, a narrativa falha em se sustentar, repetindo fórmulas já desgastadas dentro do gênero de terror sobrenatural.
O enredo começa promissor, com a ideia de um convento na Romênia e uma freira que comete suicídio, criando uma atmosfera de mistério e tensão. A presença do padre assombrado e da noviça, imbuídos de uma fé intensa, poderia resultar em um desenvolvimento fascinante. No entanto, a personagens não são suficientemente aprofundados, deixando o público sem uma conexão emocional real com suas lutas. Taissa Farmiga e Demián Bichir tentam trazer profundidade aos seus papéis, mas o roteiro não lhes dá substância suficiente.
A mistura de ambientes escuros e elementos góticos criam uma estética que poderia ter sido realmente aterrorizante. Contudo, o filme recorre a jumpscares previsíveis, que acabam se tornando mais irritantes do que assustadores. A teologia subjacente, embora interessante, não é explorada de forma a elevar a trama, resultando em diálogos superficiais que soam vazios.
Além disso, a "freira demoníaca", representada pela sempre aterrorizante Bonnie Aarons, poderia ter sido uma figura central mais impactante. Sua presença promete um terror palpável, mas sua atuação acaba sendo comprometida por um roteiro que não desenvolve sua complexidade. Ao invés de se tornar uma figura de medo, ela cai na armadilha de antagonistas monocórdicos, reduzindo a tensão da qual o filme inicialmente se aproveitava.
Em resumo, "A Feira" se apresenta como um espetáculo visual que falha em entregar uma história envolvente. Apesar de trazer alguns momentos de tensão e sustos temporários, a falta de profundidade nas personagens e a previsibilidade de seu enredo acabam ofuscando suas qualidades. É uma experiência que pode entreter os fãs do gênero, mas que provavelmente não deixará uma marca duradoura.