Uma decepção!
Um filme que se propôs ser uma apresentação da sexualidade sentimental, mas que na verdade é um filme de relacionamentos com sexo - a quem quer uma verdadeira apresentação da sexualidade sentimental, sugiro assistir o Impérios dos Sentidos - lá, carência, controle, ciúmes e morte se transformam em sexo, aqui há sexo por um lado e por outro a carência, o controle, o ciúmes e a morte, completamente separáveis - e quem faz a história avançar não é o sexo (como no império dos sentidos), mas a carência, o controle, o ciúmes e a morte...
Um filme que se estrutura como um típico filme de relacionamentos (tal como cenas de um casamente, annie hall, etc), investigando os problemas que condenam de partida o relacionamento ao fracasso, mas no qual a personagem feminina é tratada a maior parte do tempo sob a chave simplista da fragilidade e tem um desenvolvimento incoerente, porque o fato o que é verdadeiramente importante para o filme são os sentimento, atitudes e posturas do personagem masculina. OU seja, se estrutura como um típico filme de relacionamentos, mas é o estudo de um único personagem na verdade (a contraparte feminina só serve para dar a deixa para o homem se expressar).
Um filme que é o estudo de um personagem, mas de um personagem bastante banal e pobre! Compare com o primeiro filme do Gaspar Noé, Sozinho contra todos, que é um estudo penetrante e marcante do ressentimento social - no Sozinho contra Todos, temos um personagem detestável, mas também terrível no seu ódio e nas consequências que esse ódio traz. Já em Love, Murphy é um macho escroto banalzão, intelectualmente presunçoso mas vazio (ouvi-lo falar é um tédio!). O pior é que na primeira cena, que mostra Murphy no seio familiar, o lance de nós ouvirmos os seus pensamentos "terríveis" é uma cópia de sozinho contra todos, mas quanta diferença! Quão o protagonista de sozinho contra todos é absolutamente terrível! E como o murphy só é banal!
Decepção, decepção, decepção.
Só não dou zero, porque a cena de sexo a três é realmente muito bem gravada, tem vários outros momentos de excelente fotografia, e tem alguns (muito poucos) diálogos interessantes.