Não que seja importante, relevante, mas há pouco tive enfim a oportunidade de assistir a esperada continuação que introduz de vez o universo cinematográfico da DC nas telonas, após o "passo inicial" com "O Homem de Aço" de 2013.
Não estou aqui respondendo aos críticos especialistas que desceram a lenha no filme, mas sim, é uma manifestação de repúdio ao oportunismo disfarçado de embasamento, a parcialidade travestida de fanatismo.
Desprovido de revanchismos, mas diante das inevitáveis e talvez NECESSÁRIAS comparações, este inaugura de vez o ciclo de filmes que construirão a imagem dos heróis da DC dentro de um contexto amplo tal qual faz a Marvel há quase uma década, aparentemente de maneira mais organizada.
A DC aposta no característico clima denso e "carrancudo" das HQs, animações ou qualquer mídia que já tenha utilizado e tentativas de "colorir" demais as coisas, de modo geral, sempre pareceu um passo na direção errada. Isso já coloca a saga num caminho diferente dos desbravados pela Marvel no cinema. Enquanto esta aposta em películas ricas em humor e enredos diretos (que simplesmente "ligam os pontos" em sequência), de fácil assimilação, a DC "complica" as coisas para si própria, de certo modo, afastando-se "receitas prontas", transparecendo mais seriedade, comumente confundida como uma maturidade excludente, fazendo uma "seleção natural" de publico. Isso, na verdade, não faz deste um filme para adultos, nem restringe o público dos filmes da Marvel à adolescentes e crianças.
Talvez a pressa em "buscar o tempo perdido" da DC tenha resultado num terreno mal preparado para seus heróis e então, o filme, mesmo longo, tem pouco tempo para tratar de maneira profunda e clara os acontecimentos que direcionam a trama, mas a simultaneidade dos fatos torna justificável a quantidade razoável de coisas acontecendo, que, mesmo conectadas, parecem uma colcha de retalhos, desconexa e desesperada por fazer sentido. Isso fica ainda mais acentuado se você não for um fã que tenha uma mínima intimidade com o universo DC. Resumindo! Para todo fragmento de história lá presente, há uma razão de assim ser. Sim! Muitas coisas acontecem e assim o é por necessidade e caso não seja um espectador acomodado demais para transferir ao filme a responsabilidade de "digerir" o enredo e lhe entregar tudo de bandeja, tornando tudo tão óbvio, mesmo não sendo nada complexo, bom, então você, assim como eu, não vai achar isso um problema, como uma boa parcela da crítica viu.
Nenhum dos personagens principais se destacam em seus papéis a ponto de serem destacados por atuações marcantes, mas são atuações que, em geral, justificam suas escolhas.
Eu, assim como a maioria, relutei em ver Affleck assumindo a figura do morcego de Gotham, mas admito que este conseguiu, sem forçar a barra, se aproximar do Bruce Wayne amargurado e "no limite" que eu já vi em animações e HQs e tanto gosto, por serem características que idealizo num herói. O Batman daqui não hesita em ultrapassar limites que antes pareciam intransponíveis. É o Batman definitivo, ao passo que Christian Bale vem logo atrás, com seu idealismo, enquanto que Affleck deu a Bruce Wayne um olhar triste - e me perdoem pela "redundância" - brilhantemente opaco, revelando neste a sombra de um homem a quem não resta nada além de ser Batman.
Kal-El, para os íntimos, vivido novamente por Henry Cavill segue a linha do seu Superman de 2013 e consegue ser o mesmo, mas diferente daquele. É também, ao meu ver, assim como já visto mais claramente no "Homem de Aço", um Superman que já vi retratado nas páginas cheirosas das HQs e em animações. Um Superman que por vezes perde o controle de suas ações, tornando-se praticamente uma ameaça aos que quer proteger. Quem diria que até mesmo o "exemplar perfeito" de herói poderia ter um lado "anti"?
A novidade fica por conta de Gal Gadot, a Diana Prince. A Mulher Maravilha era novidade pra mim no cinema, visto que detesto Velozes e Furiosos. Sua aparição mesmo que mais discreta é marcante e aparece como uma figura imponente frente aos "moleques briguentos" que sempre dividiram os holofotes como "os heróis" da DC, principmente no cinema.
A novidade negativa, por sua vez, fica por conta de Jesse Eisenberg. Ele não é mau ator, mas mesmo não havendo nenhum destaque nas atuações, como Heath Ledger conseguiu fazê-lo, ele destoou dos demais. Não dá, porém, para atribuir os exageros à sua atuação sem a certeza de que este não tenha sido o Lex Luthor concebido pelos "cabeças" por de trás das câmeras. Aliás, aqui está talvez um dos únicos, senão o único ponto de concordância entre a "crítica especializada" majoritariamente e eu: O Lex Luthor de Jesse Eisenberg é perturbado mentalmente, diferente do Luthor metódico e manipulador que estou acostumado, mesmo que estas características estejam presentes e são, necessariamente seu modo fundamental de agir e a razão de Batman e Superman conflitarem. Uma pena que estas características ficam ofuscadas pela personalidade caricata que lhe rendeu comparações com Coringa.
Vejam, não sou especialista ou mesmo alguém que possa se denominar crítico de cinema. Não poderia falar da direção, roteiro, música, fotografia, tomadas de câmera e qualquer coisa que envolva aspectos técnicos assim, mas eu gosto muito de cinema e gosto ainda mais de superheróis, sejam da Marvel ou da DC e posso lhes assegurar que mesmo que estejam certos estes críticos que fizeram enormes os problemas que viram no filme, estamos falando de uma obra que tem por objetivo entreter e eu saí da sessão com a certeza de que o filme atingiu seu objetivo de me deixar ainda mais empolgado com a expectativa à mil para os filmes que estão por vir e não há crítica, não há explicações sobre cores e tomadas de câmera equivocadas que vão diminuir meu interesse por esse universo rico, complexo e cativante que a DC construiu ao longo de décadas e hoje, graças a tecnologia, pode retratar fielmente nos cinemas, dando vida ao que antes tínhamos de imaginar, entre um balão de diálogos e sequências de quadrinhos.