(...)No que o filme realmente acerta, é ao recriar perfeitamente os ambientes no qual estamos inseridos. Contudo, o roteiro fraco não ajudou na narrativa. Os diálogos têm seus momentos com algum conteúdo filosófico, mas pareceu simulado e às vezes brega. Ele tenta incorporar um pensamento mais moderno também, mas acabar perdendo qualquer sensação de autenticidade da época.
Em relação à atuação, nenhum dos atores interpretou seus personagens de forma excepcional. Como bem já sabemos, a trama é sobre uma busca por vingança e Jack Houston transmite tristeza, ao invés de raiva. Judah Ben-Hur ao ser transformado em escravo é retratado quase como um mártir do que alguém que sobrevive se alimentando pelo ódio. Nós não duvidamos do seu caráter, nem seu heroísmo é questionado.
Jesus (Santoro), que seria a ligação e a conexão de tudo, pois ele é a imagem do perdão, da redenção e da tolerância, é um personagem que ficou solto na história e não tem um desenvolvimento sólido. Em algumas cenas vemos muito rapidamente e muito breve sua trajetória. De repente, o terceiro ato é concluído (em um ritmo bastante acelerado) pelo seu personagem e isto ficou um pouco fora de contexto. É como se aquilo fosse colocado de última hora para concluir uma história que não tinha um final.
O único personagem que realmente conseguiu sobressair foi Messala interpretado maravilhosamente bem por Toby Kebbell. Quando Massala diz à Tirzah que: “terei que matar seu irmão”, quando sua declaração de amor é interrompida por Ben-Hur, é simplesmente de dar arrepios. Ele retratou perfeitamente sua indignação, sua força militar e sua dedicação ao Império Romano a cima de qualquer coisa. Mas até seu desfecho pareceu forçado. Ainda, a habilidade em conseguir demonstrar a frustração do personagem, em relação à falta de reconhecimento pela sua família adotiva como um membro dela se torna desequilibrada por uma construção narrativa que não dá suporte à sua revolta, pois ele não é completamente rejeitado.
A famosa corrida de bigas foi muito mal executada. As cenas são completamente computadorizas (uso exagerado de CGI em outras cenas também) ficando tudo muito artificial. Os movimentos de câmara tremidos e cortes rápidos impediram que se pudesse entender exatamente o que acontece nas cenas de ação.
Por fim, é notável que este filme deu mais ênfase em recriar um cenário dramático e de ação, mas falha na narrativa ao deixar de apresentar e desenvolver a questão central do filme: a vitória pela redenção do protagonista à Cristo, ou seja, pelo reconhecimento da moralidade cristã que constituí a essência de Ben-Hur.