O Bem Amado
Críticas AdoroCinema
3,0
Legal
O Bem Amado

PRASEMPREMENTE ENGRAÇADO

por Roberto Cunha

Alguns personagens dispensam apresentações. Odorico Paraguaçu, sem sombra de dúvida, é um deles. Isso, claro, para uma boa parcela da população brasileira que teve a oportunidade de assistir a novela, o seriado ou até a peça, baseados na obra de Dias Gomes. Agora, O Bem Amado chega nos cinemas nacionais escorado num elenco pra lá de competente e a direção de igual quilate de Guel Arraes. Embora o começo seja brusco com Zeca Diabo (José Wilker) entrando em ação, o primeiro discurso do político "de alma lavada e enxaguada" já deixa claro o tom hilário do filme.

Na conhecida história, Odorico (Marco Nanini) assume a prefeitura de Sucupira com a missão de construir e inaugurar o cemitério da cidade. Mas como não morre ninguém por aquelas bandas, o político enfrenta a pressão de Vladimir (Tonico Pereira), que o acusa de corrupto, e ainda tem que dar conta do "fogo" da irmãs Cajazeiras, Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia (Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes).

O roteiro é bom, manteve alguns personagens, deixou outros de lado, e tomou algumas liberdades como fazer um paralelo com a política nacional, citando Jango ou mostrando imagens do movimentos das Diretas Já!. Mas acima de tudo, como era de se esperar, extraiu mesmo - e com maestria - as pérolas dos diálogos de um homem de muitas palavras (neologismo puro) e para quem "moral e política são coisas diferentes". Arraes não se furtou de explorar, apesar da polêmica, o corpo feminino ao apresentar um nu insinuante da atriz Maria Flor e inseriu um artifício "quase teatral" ao colocar os personagens falando com a "quarta parede" (a câmera) em algumas cenas. O resultado, se não incomoda, pode soar estranho para algumas pessoas.

Entre as curiosidades, uma alusão escancarada ao clássico Tubarão com direito a cena e trilha visivelmente inspirada nos acordes de John Williams. Um ponto interessante, ainda no aspecto sonoro, são as vinhetas musicais com forte influência de "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso, que não por acaso comanda a trilha do longa produzido por sua esposa Paula Lavigne. Em linhas gerais, o filme vai agradar quem conhece e, principalmente, aqueles que nunca tiveram um contato com o universo imaginário do autor e personagem, "protagonistas" da primeira novela colorida brasileira. E mesmo com um final que deixou a desejar, O Bem Amado diverte, passa rápido e tem tudo para ser adorado.

Quer ver mais críticas?