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    A Mulher Invisível
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    A Mulher Invisível

    "Eu Sou Solidão em Busca de Companhia"

    por Francisco Russo

    "Talvez seja meio absurdo para você, mas eu amo a minha mulher". A frase de abertura de A Mulher Invisível provoca impacto não pela ideia apresentada, mas por ser incomum diante do mundo atual. Em uma sociedade que costuma valorizar os relacionamentos rápidos, e muitas vezes fúteis, chega a ser um sacrilégio uma afirmação do tipo. Entretanto, este é o pensamento de Pedro, interpretado por Selton Mello. Feliz no casamento, ele vê sua vida despedaçar ao ser abandonado pela esposa. Impulsionado pelo amigo Carlos (Vladimir Brichta), decide adentrar o "fabuloso mundo dos solteiros" e começa a sair, conhece várias mulheres, leva algumas para casa... mas o vazio permanece. A nova rotina, incluindo o sexo, é apenas um meio de ocupação. Pedro quer mais da vida, quer amar, como um dia amou sua esposa.

    É deste desejo que surge Amanda, linda, graciosa e ao mesmo tempo provocante e ingênua, personificada por Luana Piovani. O diretor Cláudio Torres declarou que, sem ela, o filme não seria rodado. Pode ser. Fato é que Torres tratou com carinho a maneira como sua personagem é apresentada,. Ela seduz sem ser vulgar, excita sem mostrar mais que o necessário, usa o jogo de palavras para brincar com diversas fantasias. Através destes detalhes é criada a mulher ideal - ao menos teoricamente. Mérito mais do diretor que da atriz, que, assim como ocorreu em O Homem que Copiava, empresta sua beleza para compôr um de seus melhores papéis.

    Por Amanda, Pedro se apaixona e vive uma sensação de fascínio e incredulidade, devido à forma como tudo ocorreu e por viver tal situação. A alegria volta à sua vida e assim ela retoma sua condição normal, com o retorno ao trabalho e ao convívio social. Até que vem a percepção explícita de que ela não existe - para o público, não para Pedro. A partir de então é mais explorado o lado pastelão, como os trejeitos apaixonados de Selton Mello vistos em cenas que são simplesmente hilárias, como a dança solitária na boate e a situação no cinema. Entretanto, mais interessante do que tais momentos é o estado emocional do próprio Pedro.

    O título desta coluna é dito pelo personagem e exemplifica perfeitamente o porquê de toda a trama. A solidão que Pedro sente não é aquela aplacada pela simples presença de outras pessoas. É mais profunda, é o desejo de ter alguém que represente mais em sua vida e com quem possa dividir, vibrar, chorar, ser feliz e infeliz... viver em sua plenitude. É por alguém que preencha esta lacuna que ele está em busca e, como não encontra, cria. Amanda nasce desta forma, para depois mostrar que mesmo a mulher perfeita não é ideal se não for verdadeira. O filme usa então seu lado fantástico para provocar uma inesperada e, até certo ponto, surpreendente reviravolta.

    A Mulher Invisível diverte e possui diversas frases espirituosas que refletem bem a questão dos relacionamentos humanos, tanto pelo lado masculino quanto feminino. Tudo isso sem apelar para a vulgaridade. No elenco, destaque para Selton Mello, apesar da insistência em gritar sempre que seu personagem mostra-se nervoso, e as rápidas aparições de Fernanda Torres, dando dicas à irmã apaixonada por Pedro. Os cinéfilos ainda notarão duas claras referências a sucessos da sétima arte: O Sexto Sentido e Quanto Mais Quente Melhor. Bom filme.

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