Meu Namorado É Um Zumbi (ou Warm Bodies, para os íntimos do inglês), o filme que prova que até um cadáver em decomposição pode ser mais romântico que seu ex. Em um mundo pós-apocalíptico onde zumbis resmungam como adolescentes em um chat de Discord, surge R (Nicholas Hoult), um morto-vivo que, além de ter a memória de um peixe dourado, descobre que amar uma humana é mais complicado que achar um cérebro saboroso no meio do caos.
A premissa é tão absurda quanto deliciosa: R come o cérebro do ex-namorado de Julie (Teresa Palmer) e, de repente, boom – ele se apaixona por ela via efeito colateral de canibalismo emocional. É tipo Tinder, só que com mais sangue e menos ghosting (afinal, ele já é um fantasma literal). O filme tenta vender que zumbis podem ser fofinhos, como se fossem cachorrinhos abandonados – só que, em vez de latidos, eles emitem grunhidos de constipação intestinal.
O humor seco de R é o verdadeiro salvador da trama, porque, convenhamos, a ideia de uma humana se apaixonar por um cara com a pele de um abacate esquecido na fruteira é no mínimo... questionável. Julie, coitada, deve ter batido a cabeça no apocalipse, porque em nenhum universo paralelo uma pessoa normal olharia para um zumbi babando e pensaria: "Nossa, que prince charming... espero que não me coma (literalmente)".
E não podemos ignorar os clichês: o zumbi que quer ser humano, a garota rebelde que vê bondade onde não deveria, o vilão humano que é mais irracional que os mortos-vivos – tudo temperado com uma trilha sonora indie que tenta disfarçar o fato de que isso é Crepúsculo com menos brilho e mais necrose.
Mas, no fim, Meu Namorado É Um Zumbi é como um sanduíche estranho que você come mesmo sabendo que não deveria: ridículo, previsível, mas inexplicavelmente gostoso. Se você suspender a descrença (e o nojo), pode até achar charmoso um romance onde o maior obstáculo não é o ciúme, e sim o risco de o namorado devorar sua família no jantar de domingo.
Porque, no fundo, todo mundo merece um amor que renasce... mesmo que venha do túmulo. ❤️