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Diego Ferreira
1 seguidor
15 críticas
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4,5
Enviada em 21 de junho de 2026
A Separação é um daqueles filmes que provam que grandes conflitos podem nascer de decisões aparentemente simples. O diretor Asghar Farhadi transforma uma separação conjugal em um efeito dominó de mentiras, escolhas impulsivas e consequências que atingem todos ao redor. Mais do que falar sobre um divórcio, o filme aborda o peso de cuidar de um familiar idoso, os conflitos entre dever e desejo e como cada decisão carrega um preço. O mais impressionante é que não existem vilões...apenas pessoas tentando fazer o que acreditam ser certo, enquanto a verdade se torna cada vez mais difícil de definir. Um drama humano, intenso e extremamente realista, que permanece na mente muito depois dos créditos finais.
A separação é um filme de drama iraniano que foi dirigido e roteirizado por Asghar Farhadi. O filme recebeu 2 indicações ao Oscar de 2012: melhor roteiro original e melhor filme internacional- vencendo a última categoria. Na trama, acompanhamos Nader (Payman Maadi) que se divorcia da mulher Simin (Leila Hatami), e precisando de alguém para cuidar do seu pai idoso com Parkinson, decide contratar Razieh (Sareh Bayat). Após uma discussão com Razieh e sem saber que ela estava grávida, Nader provoca o aborto, o que o leva aos tribunais iranianos. O filme de fato começa com a separação do casal diante do impasse em que Simin deseja se divorciar e sair do país junto com a sua filha e Nader precisa ficar para cuidar do seu pai idoso. As coisas começam a complicar na vida de Nader quando contrata uma humilde empregada, porém muito religiosa para cuidar do seu pai. Aqui que o roteiro ganha força porque mostra a realidade religiosa dentro do país, pois Razieh fica impedida de realizar certos trabalhos com o pai de Nader (especialmente no que se diz a respeito a troca de roupas, banho etc). A partir disso, o filme fica focando mais em cenas de tribunais, mas diferentes daqueles que estamos acostumados nos filmas norte-americanos. Embora que não sabemos se aquilo é realmente verdade, pois o juiz não é nada de imparcial. O ponto forte do filme é tratar a verdade como relativa e a religião como um ponto chave para essa relatividade, muito mais como uma convenção social. Aqui o juramento sobre o Corão é levado realmente a sério. Os protagonistas tiveram seus destaques, mas o ponto alto da atuação foi a jovem Sarina Farhadi (filha do diretor), em seu papel da filha de Simin e Nader, conseguiu passar a angustia vivida da sua personagem diante da separação dos seus país e de todo o desenrolar dos eventos diante do tribunal. Alguns não gostaram do final do filme por não sabermos uma determinada decisão envolvendo o casal, mas talvez seja melhor assim, o filme vai muito mais além do que uma simples separação.
A história é muito bem conduzida e também não podemos deixar de falar no inesperado da condição humana . Somos levados a situações difíceis sem termos o menor controle de nada .
O filme inicia de uma forma que é capaz de demonstrar prontamente a personalidade e originalidade do seu criador e, consequentemente, da sua história e o modo como ela nos será contada. Logo na primeira cena encontramos um casal incapaz de resolver a situação que se encontra, cada um intransigente quanto a sua decisão, precisando que seja determinada uma solução judicialmente, nos mostrando que a separação do casal é só o prelúdio dessa narrativa.
Ainda em referência a cena inicial, o expectador logo é deixado ciente de que a cultura, religião, estrutura social e outros aspectos serão quase personagens no desenvolvimento da história. Estamos no Irã, país que possui o Islã como religião oficial e que influencia todos os aspectos da vida privada e social. Igreja e Estado andam juntos. Assim, para conseguir se separar do marido Nader (Peyman Maadi), Simin (Leila Hatami) precisaria de sua concordância, o que não acontece pois isso significaria que ficaria longe de sua filha, Termeh (Sarina Farhadi), que acabaria partindo com a mãe.
Mesmo que as diversas diferenças culturais nos saltem aos olhos em diferentes momentos, Asghar Farhadi consegue através de seu roteiro simples, sensível e genuíno, afastar sua obra de uma representação estereotipada das personagens e das peculiaridades da sociedade iraniana. Nesse ponto, apesar de ser o temor constante da cuidadora Razieh (Sareh Bayat) de desobedecer aos dogmas de sua religião a força motriz dos principais conflitos da trama, a história trata fundamentalmente dos questionamentos presentes em todos seres humanos.
O diretor consegue captar a dualidade interna de todas as pessoas com perfeição através do desenvolvimento de seus personagens. Nos insere nas situações com enorme facilidade por meio um trabalho de câmera natural e intimista, como se no convidasse a espionar e simultaneamente socorrer essas famílias de seus problemas. Ele nos faz questionar o que vimos, o que sabemos, o que sentimos e o que temos como certo e errado, ao mesmo tempo que nos mostra a inexistência de uma única e definitiva maneira de agir e que o comportamento humano muitas vezes se encontra em áreas cinzentas onde o bem e o mal não podem ser delimitados e estáticos. Por fim, não menos impressionante é a atuação do elenco. As crianças que se acham envolvidos nos conflitos dos pais transbordam na tela o sentimento inevitável de impotência e tristeza e os adultos nos fazem crer que tudo que estão vivendo poderia acontecer com qualquer um de nós, em especial o ator Peyman Maadi, que traz uma representação crua de um homem em conflito. Difícil encontrar falhas nesse filme que é uma obra-prima do cinema com um espírito provocador, sensível e acima de tudo, humano.
Realmente tenho que concordar com tudo que falou-se sobre esse filme, a qualidade do roteiro é muito boa! , o filme te prende desde o início , quando pensa-se que a ideia central seria a separação do casal , a história toma outros rumos , outras vertentes.., a questão religiosa muito presente, o machismo , a cultura iraniana retratada de forma cotidiana., sem ter nenhuma trilha sonora , mas uma fotografia excelente, bons atores! o filme retrata como o amor pode fazer sofrer., assim como a mentira , e o orgulho .., apesar de hipotético , o final , com musica clássica , deixa claro que qualquer escolha , não fugiria do sofrimento. - um belo filme , bela historia - este filme está mais próximo de uma obra prima do que de um filme comum.
O Filme é bom, porém achei o filme um tanto cansativo , muito longo, já pude perceber que Asghar Farhadi, gosta de trazer situações complexas e comuns do dia a dia o que ele faz muito bem, pois no Irã não existe tanta liberdade assim há inúmeros assuntos que são tabu, naquele país e suas histórias realmente faz a gente pensar, se colocar no lugar do personagem e refletir o que eu faria se me encontrasse numa situação dessas, só fico muito triste com a realidade das mulheres no Irã e nas demais nações do Oriente Médio, é difícil demais ser mulher por lá, machismo, preconceito,submissão são terríveis Aff, mas voltando ao filme fiquei extremamente angustiada com as situações dos personagens e mesmo estando fascinada pelo trabalho de Shahab Hosseini (e por ele também,rs) me deu muita agonia principalmente numa das últimas cenas em que ele agride a esposa e a si mesmo (que nervoso) e a situação da filha do casal que não ficou esclarecido com que ela decidiu ficar., No mais tenho gostado do trabalho de Asghar Farhadi que traz assuntos que faz a gente refletir sobre diversas situações.spoiler:
Esse filme foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, além de indicado a melhor roteiro original. Ele também está aí para provar como falso esse preconceito de "filme iraniano" como sinônimo de filme parado, difícil, do tipo que só os críticos gostam.
Mais um filme que confirma a excelente qualidade da produção iraniana. O drama de uma separação por diferentes convicções sobre a vida e a educação dos filhos. Muito sensível e sem maniqueísmos.
Esse filme foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, além de indicado a melhor roteiro original. Ele também está aí para provar como falso esse preconceito de “filme iraniano” como sinônimo de filme parado, difícil, do tipo que só os críticos gostam.
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