Kung Fu Panda 2
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Vinicius Monteiro
Vinicius Monteiro

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3,0
Enviada em 11 de junho de 2026
É engraçado como sequências de filmes de animação geralmente caem na armadilha de apenas repetir a mesma fórmula do original para vender brinquedos, não é? Pois "Kung Fu Panda 2" faz exatamente o oposto. Quando sentei para assistir, esperava apenas dar umas boas risadas com um urso desajeitado tropeçando nos próprios pés. O que eu não previa era levar um soco no estômago com uma história densa sobre trauma, adoção e aceitação. Se você acha que filme de bicho falante não tem nada a dizer aos adultos, prepare-se para mudar de ideia.

A direção aqui é um espetáculo de controle e maturidade. Em filmes voltados para o público infantil, é comum que os diretores entrem em pânico e encham a tela de barulho o tempo todo. Yuh Nelson não cai nessa armadilha. Ela sabe exatamente a hora de acelerar nas sequências frenéticas de perseguição e, principalmente, a hora de puxar o freio de mão. O silêncio é usado como uma ferramenta narrativa poderosíssima. A forma como ela posiciona a câmera, muitas vezes de baixo para cima para evidenciar a ameaça mecânica de Shen, revela uma diretora que pensa como alguém do live-action operando no mundo digital.

Apesar do ritmo eletrizante que simplesmente não te deixa pegar o celular, bateu aquela amarga constatação de que o peso puramente literário do roteiro é raso. Sabe quando a história parece voar como uma bala? Isso cobra um preço. Fica a forte impressão de que a trama, em vários momentos, funciona apenas como uma desculpa esfarrapada para costurar as sequências épicas de pancadaria. Falta aquele subtexto nas falas. Os diálogos resolvem conflitos rápido demais, deixando a sensação de que os roteiristas estavam com pressa de chegar na próxima cena de ação.

Mas se o texto peca na profundidade escrita, o humor visual compensa com juros. As piadas pastelão e as expressões faciais absurdas do Po funcionam como uma válvula de escape perfeita quando a atmosfera começa a ficar densa ou sombria demais. E o mais legal é que eles brincam com a física dos animais de forma inteligente. Não há necessidade de apelar para referências de cultura pop descartáveis; o riso vem da própria dinâmica desajeitada de um urso gigante tentando ser furtivo no meio de ninjas e lobos.

As lutas deste filme deveriam ser estudadas. A coreografia é de um absurdo estético sem tamanho. Mesmo com dezenas de inimigos na tela ao mesmo tempo, você nunca se perde ou fica confuso com o que está acontecendo. A fluidez dos movimentos respeita os estilos reais de kung fu, e a genialidade está no uso do ambiente. A cena da perseguição de riquixás pela cidade ou a forma como Po usa músicos de rua como escudo demonstram uma criatividade espacial que humilha muito blockbuster de ação estrelado por atores de carne e osso.

Fui pego de surpresa pela carga psicológica colocada nos ombros do Po. O primeiro filme era sobre provar seu valor; este é sobre curar feridas que ele nem sabia que sangravam. Todo o arco de busca pela "paz interior" após descobrir sua adoção traumática traz uma vulnerabilidade rara para protagonistas de ação. Vê-lo perder o foco e fracassar miseravelmente por causa de memórias reprimidas faz com que a gente crie uma empatia gigantesca. O crescimento dele até o clímax do filme, entendendo que cicatrizes o tornam quem ele é, é de arrancar lágrimas.

E aqui vai um grave defeito que esfriou um pouco a minha empolgação. O filme praticamente esquece que os Cinco Furiosos têm personalidade. Senti um lamentável rebaixamento na importância deles. Exceto pela Tigresa, que ganha algumas breves interações emocionais com o Po, o Macaco, a Víbora, o Louva-a-Deus e o Garça foram reduzidos a meros capangas de luxo. Na prática, eles aparecem, executam um ataque combinado visualmente maneiro e somem, apenas limpando o terreno para o panda brilhar. É um baita desperdício de um elenco tão carismático.

Que espetáculo de antagonista. Lord Shen rouba cada frame em que aparece. Diferente do monstro de músculos que foi Tai Lung, o perigo de Shen vem da sua agilidade e inteligência sombria. Ele é a negação em forma de pavão. Ironicamente, o pavor de ser derrotado por um guerreiro preto e branco é o que faz com que ele próprio construa seu pesadelo. É um vilão muito mais sádico, que não exita em matar ou destruir quem se opõe, trazendo uma frieza que beira a psicopatia.

A direção de arte merece todos os prêmios que disputou. O design de Shen, com sua paleta albina repleta de vermelho que imita sangue, contrasta violentamente com o universo colorido do filme. O detalhe de suas penas que se abrem como um leque de lâminas é assustador. Ao mesmo tempo, notei como as roupas de Po e dos outros heróis apresentam desgastes, sujeira e fios soltos. É um cuidado minucioso com texturas que dá peso e realidade para aqueles bonecos digitais, convencendo o nosso cérebro de que eles existem de verdade naquele mundo.

Não assista a esse filme sem conferir o áudio original. Gary Oldman entrega uma de suas melhores performances aqui, optando por um tom de voz sussurrado, quase aristocrático, que é mil vezes mais intimidador do que se ele estivesse gritando a todo momento. Do outro lado, Jack Black continua sendo a alma do Po, transitando entre o fanboy histérico e a dor angustiante de um órfão com uma naturalidade que assusta. É a dublagem elevando um material que, no papel, poderia soar infantil.

Juntar Hans Zimmer e John Powell na mesma partitura é quase covardia. O uso de instrumentos tradicionais chineses, como o erhu melancólico, fundidos com uma percussão orquestral massiva (os tambores taiko), dita totalmente o clima das cenas. A música transita da comédia pastelão para o drama apocalíptico de forma invisível. Em muitos momentos de silêncio do protagonista, é a trilha sonora que nos conta exatamente o que o personagem está sentindo.

Fiquei de queixo caído com os cenários. A imensidão e a riqueza arquitetônica da cidade de Gongmen mostram um salto gráfico enorme. Mas o que brilha mesmo é o uso psicológico da cor. O filme abusa do vermelho vivo e fumaça para representar a corrupção e a destruição industrial de Shen, enquanto reserva o dourado, o branco e a água para os momentos de paz e fluidez do Po. É uma aula de narrativa pelas cores, algo sutil, mas que prende nossa atenção na tela sem a gente nem saber o porquê.

Um dos recursos narrativos mais geniais dessa sequência foi a decisão de animar os flashbacks de trauma do Po usando animação tradicional em 2D. Além de ser uma homenagem belíssima à arte oriental, recortes e teatro de sombras, essa mudança de textura funciona perfeitamente para isolar as memórias. O passado é plano, doloroso e estilizado, enquanto o presente é tridimensional. Essa quebra visual choca na medida certa e cria um contraste estético maravilhoso.

Poucos percebem de cara, mas existe um subtexto filosófico bem forte rolando ali. O embate central não é só bicho contra bicho. É o kung fu (tradição, disciplina, corpo e espírito) enfrentando o canhão de fogo (a industrialização, a automação letal e a destruição em massa). Shen deturpa a pólvora, inventada para fogos de artifício (alegria), transformando-a em arma. O arco de Po provando que o espírito e a paz interior podem domar até mesmo o chumbo derretido é uma mensagem de preservação cultural belíssima.

A gente costuma elogiar a trilha sonora e ignorar o design de som puro, mas aqui é impossível. O trabalho de edição de áudio dita a agressividade da história. Cada tiro dos canhões de Shen tem um baque surdo, grave, que treme os alto-falantes e transmite uma sensação física de perigo esmagador. Em total contrapartida, quando Po encontra seu eixo no clímax, o barulho da guerra se cala e ouvimos perfeitamente o som cristalino e delicado de uma única gota de orvalho caindo. É o design de som manipulando nossas emoções.

Geralmente, filmes de censura livre têm muito medo de lidar com as consequências da violência. "Kung Fu Panda 2" teve a coragem de pesar a mão de verdade. Lidar abertamente com o tema de genocídio de uma espécie inteira e assassinar personagens em cena (como o Mestre Rinoceronte) mostra que as apostas não são de mentirinha. Ameaças reais criam um senso de urgência que faz com que o público, mesmo os adultos mais céticos, tema verdadeiramente pela vida do herói.

Para não dizer que é tudo perfeito, preciso falar das conveniências absurdas da trama. Sabe quando a sorte parece intervir para o roteirista não ter que pensar muito? Sério, a cabra vidente de Shen simplesmente esbarrar no Po no momento exato em que ele precisava de explicações no meio da rua é o tipo de atalho literário que me tira do filme. São peças de um quebra-cabeça que se encaixam fácil demais, mastigando o avanço da história de um jeito um pouco preguiçoso.

No fim das contas, "Kung Fu Panda 2" é uma daquelas raras continuações que superam o original em quase tudo. Apesar de alguns deslizes na forma de usar os personagens secundários e de um roteiro que prefere atalhos fáceis de vez em quando, a força emocional da jornada do Po, a arte deslumbrante e um vilão formidável fazem tudo valer a pena. Deixei a sessão de ótimo humor e com a sensação de ter visto algo grandioso e muito bem pensado. Se você ainda não viu ou tem aquele preconceito bobo achando que é "só desenho", dê o play nesse fim de semana. Você vai se surpreender de verdade com o que um urso animado tem a ensinar sobre como fazer as pazes com o próprio passado.
Vito Zanotti
Vito Zanotti

3 seguidores 139 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 16 de abril de 2026
Bem inferior ao primeiro, mas não deixa de ser divertido.

Esse filme, diferente de muitas continuações, tem uma história bem legal pos trás. O Chen sendo bem presente na vida de Po, inclusive sendo quem matou sua mãe, que se sacrificou para salvar a vida de seu filho. A gente tem o Chen querendo dominar a China com sua arma mortal que derrotaria o Kung Fu. Mas no fim, somos apresentados com uma força subrenatural de Po com o poder da ''Paz Interior'' que consegue derrotar Chen e sua arma que deixou de ser mortal (pelo menos para o Po).

Eu achei o designer bem sombrio e emocionante. Vemos cenas da mãe do Po se sacrificando para salvar seu filho. Muito diferente do que vimos no primeiro filme. A combinação de cores, principalmente para o lado do Chen, é muito boa. Foi um toque mais para o emocional, o Po tentando descobrir quem ele é e sua verdadeira história. Talvez por isso eu ache esse filme inferior ao primeiro.

Falando no Chen, foi o melhor personagem. Um bom vilão, com sua personalidade diferente e motivações próprias para o mal. Muita gente fala que ele é melhor do que o Tai Lung, mas discordo totalmente. Inclusive, o desenvolvimento do Tai Lung foi muito melhor, tanto que muita gente torceu para ele no primeiro filme e eu fiquei bem desapontado com sua derrota, que para mim, foi por puro roteiro.

Cenas de luta dele com o Po foram bem fracas. Podia ter tido um destaque maior para eles dois juntos lutando. O que aconteceu com Tai Lung no primeiro filme, tornando esse filme incrivel e memorável.

Enfim, isso não o-torna um mal filme, é um filme bem divertido.

- Roteiro: 7/10
- Personagens: 8/10
- Animação 3D e 2D: 9/10
- Aventura e Lutas: 7/10

Nota Final:
Nelson R G de Oliveira
Nelson R G de Oliveira

27 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 23 de março de 2026
Kung Fu Panda 2 Nossa é muito bom mesmo esse violão esse pássaro esse Pavão vilão é muito bom caramba tipo assim cada frase cada cena de luta muito bom mesmo caramba ele é especializado muito naquela de Cultura chinesa mesmo realmente ficaram fiel essa cultura chinesa
Lorenzo Lolo
Lorenzo Lolo

10 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 13 de março de 2026
Kung Fu Panda 2 é amplamente considerado o melhor da franquia por elevar o nível técnico, emocional e narrativo do original. Ele se destaca por um vilão profundo e ameaçador (Lord Shen), um desenvolvimento maduro do passado do Po, cenas de ação com animação impecável e um tom mais sombrio e equilibrado. Mesmo não sendo o meu preferido da franquia eu considero o melhor da franquia nota: 10/10
Eduardo Henrique
Eduardo Henrique

148 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de agosto de 2025
essa continuação da franquia é top demais sendo com o novo vilão que está Zika,roteiro, a ação do filme e as lutas que não pode faltar
Ravi Oliveira
Ravi Oliveira

24 seguidores 511 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 7 de junho de 2025
Sinopse:
Um vilão planeja usar uma arma secreta para conquistar a China e eliminar as artes marciais. Para evitar que isso aconteça, Po precisa descobrir a misteriosa origem do novo inimigo e reunir as forças necessárias para vencê-lo.

Crítica:
"Kung Fu Panda 2" é uma sequência que realmente brilha ao expandir o universo do adorável Po e seus amigos. O filme consegue equilibrar ação, humor e momentos emocionantes, oferecendo uma profundidade que muitas sequências de animação falham em alcançar.

A trama se desenvolve de maneira envolvente, à medida que Po enfrenta um novo vilão que ameaça não apenas sua casa, mas também a essência das artes marciais na China. A maneira como a história entrelaça desenvolvimento de personagens e a busca pela identidade de Po é particularmente cativante. Os flashbacks que revelam sua origem são bem colocados e adicionam um toque emocional que ressoa com o público.

Visualmente, o filme é um deleite. Com uma animação rica em detalhes e uma paleta de cores vibrante, as cenas de combate são coreografadas com maestria, fazendo jus ao tema de artes marciais. Os cenários lindamente desenhados trazem à vida as paisagens da China, tornando cada novo ambiente um prazer de se ver.

Os personagens são outro ponto alto. Enquanto Po continua a ser o protagonista carismático que todos amamos, os novos e velhos membros do elenco trazem uma dinâmica divertida. O vilão, com suas motivações complexas, é mais do que apenas uma ameaça; ele acrescenta uma camada de profundidade que faz a narrativa brilhar.

Além disso, a trilha sonora complementa perfeitamente as emoções do filme, elevando as cenas de tensão e celebração. A mistura de humor e momentos mais sombrios faz com que o filme ressoe com uma audiência mais ampla, desde crianças até adultos.

Por fim, "Kung Fu Panda 2" não apenas se estabelece como uma divertida aventura de animação, mas também como uma reflexão sobre autodescoberta, amizade e a importância de confrontar nossos medos. É uma sequência digna que consegue manter a alma do original, enquanto apresenta algo novo e emocionante. Uma verdadeira celebração do espírito das artes marciais!
Alessandro Danilo
Alessandro Danilo

1 seguidor 9 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de dezembro de 2024
Eu queria muito que a frequência de Kung Fu panda continuasse assim, esse filme é a prova que mesmo sendo um filme infantil eles conseguiram fazer uma mecânica mas seria. Simplesmente o melhor filme de Kung Fu que eu já vi!!!!!
Felipe Santos
Felipe Santos

12 seguidores 169 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 28 de agosto de 2024
Kung Fu Panda 2 é uma das melhores sequências da Dreamworks há bastante tempo, pega tudo que funcionou no primeiro filme e eleva a máxima potência; com muita emoção e cenas de ação fantásticas; essa é definitivamente uma sequência melhor que o original.
gato
gato

9 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 12 de maio de 2024
Ótimo filme! Digno de Oscar,a ideia é a diversão do filme deixa tudo melhor junto com um dos melhores vilões das animações !
Renato Henrique Gimenez
Renato Henrique Gimenez

1 seguidor 23 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 17 de março de 2024
É incrível como os filmes da Dreamworks têm uma distância singular das séries de TV, baseadas neles. Esse filme tem uma dose dramática, como nos filmes de "kung fu western" ao estilo clássico protagonizados por Jet Li e Jack Chan nos áureos anos da juventude deles e um ritmo de comédia ágil e muito boa de se acompanhar. É filme pra se maratonar com a família, comendo pipoca e comentando em como um panda grande e gordo como Po consegue ser incrivelmente ágil e carismático, pois, com certeza, não há nenhum Dragão Guerreiro mais incomum do quê ele.
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