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    Shazam!
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Shazam!

    Quero ser grande e herói

    por Renato Furtado
    O peso da ausência e o impacto da presença parecem ser as chaves para compreender a mais singular empreitada do Universo Estendido da DC até o momento. Dentro e fora de sua narrativa, Shazam!, filme dirigido por David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam), é marcado tanto por aqueles que fizeram o sétimo longa da constelação de projetos de super-heróis da Warner acontecer, quanto por aqueles que, omitidos, por forças maiores ou do roteiro da aventura em si, constroem a diferença por via da falta.

    Os minutos iniciais de Shazam!, dedicados a um prólogo pouco inspirado, um enfadonho preâmbulo que poderia ter sido descartado ou rearranjado, comprovam a tese: apesar da sobriedade e do drama da requentada história de origem do vilão Thaddeus Sivana (Mark Strong), a assinatura de Zack Snyder (Batman vs Superman), afastado do cargo de diretor e produtor criativo do DCEU após o fiasco de Liga da Justiça não é encontrada — a essência cartunesca e quadrinesca permanece, mas já não é a mesma.



    De forma inédita, portanto, um longa do Universo Estendido da DC deixa para trás a pompa e a circunstância do épico estilo snyderiano, baseado em trevas e tragédias, para investir quase todas as suas fichas no humor e na mais pura graça juvenil. Em outras palavras, Shazam!, com seus inúmeros closes próximos, planos holandeses, slow-motions e câmeras subjetivas, parece pular diretamente das páginas das ingênuas HQs clássicas, e não das sombras das mais recentes graphic novels.

    A outra manifestação da ausência, para seguir nesta mesma estrada, dá-se, desta vez, a nível do roteiro: aqui, tanto o herói da película quanto o vilão são definidos, mesmo que por oposição diametral, por abandonos maternal e parental, respectivamente. Enquanto o jovem e "órfão" Billy Batson (Asher Angel) perde-se da mãe quando pequeno, Sivana é rejeitado pelo pai durante sua infância — e são as consequências de ambos os desaparecimentos que fazem aparecer o caráter dos protagonistas.



    São estas presenças que, de fato, sustentam a adaptação das aventuras do antigo Capitão Marvel para as telonas, um projeto que sofre quando perde a suavidade e a jovialidade de vista, escorregando em pequenos deslizes melodramáticos que dão um certo tom de irregularidade ao produto final. Trata-se, para resumir a ópera, de um filme verdadeiramente fundamentado por seu diversificado e vasto elenco principal, um conjunto de velhos conhecidos dos fãs e de caras novas, alquímica e perfeitamente balanceado.

    Partindo da interpretação quase canastrona de Strong e da inocência da performance de Zachary Levi, que prova ser um real astro da comédia neste Shazam!, Sandberg parece reforçar o tempo todo a ideia de que ver dois homens soltando raios pelas mãos enquanto voam e cruzam os céus da Filadélfia é um tanto quanto ridícula. E é precisamente por isso, que o diretor é bem-sucedido: ao não levar a sério a maior parte do roteiro, o sueco, egresso do cinema de terror, cria um filme bobo, no melhor e mais divertido sentido.



    Como se sentiria um adolescente de 14 anos ao descobrir que pode transformar-se em um homem extremamente forte proferindo somente uma curta palavra mágica? As cenas em que os personagens de Angel e do hilário Jack Dylan Grazer testam e documentam a evolução e os poderes de Shazam são o tesouro do longa, e nos apontam a influência que melhor define o núcleo emocional desta aventura: Quero Ser Grande — atenção para a sensacional homenagem preparada por Sandberg ao filme de 1988.

    Adicionando a dimensão das questões dos super-heróis ao caldeirão, mas operando de forma basicamente semelhante ao clássico oitentista de Penny Marshall, Shazam! explora, ainda que tangecialmente, a questão da responsabilidade (alô, Tio Ben!). Todo jovem sonha em atingir a maioridade o mais rápido possível, mas é só quando alcança tal patamar que percebe que seus deveres, muito mais pesados do que qualquer mente juvenil pode supor, só podem ser devidamente executados com o benefício da maturidade.



    Quebrar um compromisso com seu melhor amigo ou sua família e exibir imprudentemente poderes mágicos que podem colocar vidas em risco são faltas igualmente graves no script de Henry Gayden (Terra para Echo). Em seu íntimo, mesmo que coloque a pergunta apenas de passagem, Shazam! questiona o que significa ser um herói, com poderes ou não, e quais são os limites entre o bem e o mal, a luz e as trevas, seguindo a cartilha aperfeiçoada pela saga Guerra nas Estrelas.

    É o material humano — a família adotiva de Batson, com destaque para a pequena Faithe Herman, é um primor, e poderia sozinha estrelar uma dramédia das mais tocantes e engraçadas —, enfim, que faz esta aventura brilhar, mesmo quando a genealogia e os pobres efeitos especiais ameaçam prejudicar a experiência. A qualidade e a importância dos atores, muito bem conduzidos por Sandberg, fica ainda mais evidente no ato final, que guarda deliciosas surpresas a despeito de seu desnecessário alongamento.



    Se com Shazam! a DC tenta seguir os passos da Marvel, que desenvolveu e engrandeceu as narrativas ora dramáticas, ora cômicas de super-heróis, isto não é demérito nenhum, particularmente porque, na maior parte do tempo, a aventura de Sandberg, Levy e cia. tem êxito. Ainda que não seja particularmente memorável, Shazam! aponta rumos mais sólidos para o Universo Estendido da DC, surfando com propriedade a onda das comédias de ação e apostando alto no carisma. E essa estratégia funciona.
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    Comentários

    • Franklim c
      Eu vi pelo trailer que seria um filme bobo, mas achei bobo demais pro meu gosto, não rolou.
    • VR5
      Gostei do filme. Um filme que não se leva a sério (como, por exemplo, Deadpool), mas um filme que posso assistir com minha filha de 11 anos dessa vez...
    • Lee
      Eu penso que hoje em dia, como as produtoras parecem jorrar dinheiro e possuem condição de fazer qualquer tipo de filme e em qualquer quantidade, esse tipo acaba por estar completamente banalizado. filme totalmente esquecível justamente por ser banal e cheios de clichês bobos.
    • Robson Silva
      filme horrivel
    • Misael C
      Otimo filme, superou a expectativa. Estava com medo da Dc fazer mas um filme sombrio... Mas fizeram como se espera de do shazam.Agora só uma sugestao pra adoro cinema, troque esse critico mas rápido possivel, mto fraco, meu irmão de 6 anos sabe fazer analises melhor q ele.
    • Felipe
      Antes de assistir imaginei que seria um filme inteligente com uma historia cativante, mas me decepcionei pois percebi que se trata um filme para divertir pessoas que acham que a vida é uma comédia.
    • Rovilson A
      Se você começa a assistir filmes de super-heróis com roupas coloridas, supostos super poderes, não importa se DC ou Marvel, você inevitavelmente veste sua identidade secreta de criança quando senta na cadeira, poltrona ou o que seja e começa a assistir, pois se deseja continuar adulto, melhor mudar de sala, ou de mídia do player, não vi onde possa ter decepcionado, nenhum dos filmes da DC ou Marvel, nenhum deles, todos são de uma genialidade incrível em cada detalhe, uma característica bem nítida no universo Marvel é a complexidade e meticulosidade de cada filme, nos fazendo assistir dezenas de vezes pra pegar os detalhes, o da DC é a seriedade e maturidade dos heróis, por isso não me sinto nada decepcionado com os filmes da DC e inclusive surpreendido com o nível de humor e atenção ao público infantil dado. Estou feliz por acompanhar todos os filmes de heróis e muito satisfeito com o desenvolvimento de todos os filmes, eu nem sou fã da DC, mas estou gostando de tudo, manda mais filmes galera uhul....
    • Bia Bittencourt
      Shazam! é muito mais legal. Não gostei do filme da Capitã Marvel. Se tirar da lista dos filmes da Marvel, não faz nenhuma falta.
    • Bia Bittencourt
      Filme leve, divertido, sem muita frescura. Excelente para toda a família. O ator Zachary Levi está ótimo no papel adulto do menino que conseguiu super poderes. Muito bom! Bem diferente do estilo sombrio de outros filmes da DC/Warner. Super recomendo para todos!
    • Gazy Andraus
      Filme muito fraco.
    • LEANDRO QUARESMA VIANNA
      o filme é bem ruimmm!! ponto.
    • Eduardo Macedo
      Gostei do filme
    • klaus
      A comédia que a DC estava precisando.
    • Mestre Tartaruga
      Quem compila nota é o IMDB, não o Rotten. Se um filme X recebe nota 7 de todos os críticos, o IMDB vai dar nota 7 e o Rotten vai dar 100% de aprovação.
    • Gabriel Morgan
      Compila sim Cara, a cada critica, um critico dar uma nota (por exemplo um A+), assim o rotten acaba compilando
    • Mestre Tartaruga
      Para de ser Noob, carai. O Rotten NÃO COMPILA NOTAS!!! Ele compila APROVAÇÕES!!! Isso significa que ter 91% no Rotten é o mesmo que dizer que 91% dos críticos APROVARAM o filme! Não é que o filme tem nota de 91% e sim que que ele tem APROVAÇÃO de 91%. Entende a diferença?
    • Bilmar Angelis
      Típica critica de quem não sabe fritar um ovo ou desenhar um O com o toba na areia... o filme atende a uma proposta de divertir todas as idades. Parabéns à DC pela genialidade de ressuscitar um herói adepto da simplicidade.
    • PERIVALDO RINELLY PASSOS DE OL
      fraquinho fraquinho, bem sessão da tarde mesmo, com muita dose de comédia pastelão. Se eu tivesse 9 pra 10 anos teria achado nota 9 kkkkkkkk mas como não tenho e sou fã do Capitão Marvel achei uma bosta n' agua, flutua e não afunda, só isso.
    • Gabriel Morgan
      O filme ta com 7.31 no score, mediano seria see tivesse uns 6 ou 7, falou bosta sim
    • Mestre Tartaruga
      Por que? O Rotten não faz médias de notas. Ter 91% não é a mesma coisa de ter nota 9 por exemplo.
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