Nicola Siri preferiu fazer sua estreia no Brasil a atuar em um longa-metragem hollywoodiano, mas a escolha veio acompanhada de um personagem polêmico em Mulheres Apaixonadas. Saiba como ele está hoje!
Nem mesmo as novelas de maior audiência estão livres de polêmicas, e Mulheres Apaixonadas (2003) é a prova disso. A obra ficou marcada como a estreia de um querido ator italiano no Brasil, mas, para fazer sua primeira novela no país, ele precisou abrir mão de um filme de Hollywood. Seu personagem, por sua vez, acabou revoltando parte do público. Vixe!
Nicola Siri já havia participado de produções na Itália, mas o rumo de sua carreira mudou quando conheceu o diretor de novelas da Globo, Luciano Sabino, durante um jantar em Roma. Na ocasião, ele foi convidado a conhecer a emissora e estreitar seus laços com o Brasil. O que ele não sabia é que aquele encontro seria um divisor de águas em sua vida.
Paixão de Cristo ou paixão proibida?
Em 2001, quando Nicola Siri veio ao Brasil para filmar o longa Subterrâneos, aproveitou a viagem para entrar em contato com Sabino, que sugeriu que ele deixasse um teste gravado para o banco de dados da Globo. No ano seguinte, uma produtora de elenco o apresentou a Ricardo Waddington e Manoel Carlos, diretor e autor de Mulheres Apaixonadas, respectivamente, que se encantaram pelo italiano e o escalaram para viver o Padre Pedro.
No entanto, Nicola também havia sido aprovado para atuar no filme hollywoodiano A Paixão de Cristo (2004), coescrito, coproduzido e dirigido por Mel Gibson. Como o filme e a novela começariam a ser gravados na mesma época, ele precisou fazer uma escolha difícil e acabou optando por apostar na novela brasileira e se mudar de mala e cuia para cá.
"Tinha acabado de ter sido escolhido pra fazer o guardião do templo de A Paixão de Cristo. Perguntei se podia fazer o longa e depois ir pro Brasil, mas falaram que não era possível. Então, tive que escolher. No final das contas, escolhi Mulheres Apaixonadas. Eu nem sabia o que era fazer novela das nove, mas escolhi pelo papel", afirmou o ator ao Notícias da TV.
A partir daí, Siri mergulhou de cabeça no personagem e fez questão de morar em um apartamento próximo a uma igreja para dar mais veracidade ao padre que interpretaria. Assim, frequentou o local todo santo dia entre dezembro de 2002 e agosto de 2003.
No entanto, seu personagem não era um padre qualquer, e sim uma figura polêmica para a Igreja e para os conservadores fora da novela. O motivo? Apesar de ser muito correto e do bem, Padre Pedro ficou dividido ao conhecer Estela (Lavínia Vlasak), uma jovem socialite por quem se apaixona. A atração entre os dois fez com que muitos católicos ficassem chocados com a tentativa de “corromper” o religioso, que, na prática, não pode ter relacionamentos.
Romance proibido com padre, trama mística com Sandy e mais: 7 novelas brasileiras que despertaram a fúria dos religiososNas missas que Nicola frequentava começaram, as senhoras começaram a comentar a novela e criticar o enredo. "Quando me reconheceram, no comecinho todo mundo ficou meio com raiva. Falavam: 'Não tem que ceder à tentação, você é padre, não pode, larga a Estela'. Mas a grande arte de Manoel Carlos foi mudar o pensamento do público, eu vivi isso na pele", disse.
"No final da novela, essas mesmas beatas foram as primeiras a dizerem: 'Olha como a Estela mudou, ela realmente te ama, case com ela, viva esse amor' (risos). Foi muito engraçado".
No fim, o padre largou mesmo a batina e assumiu seu amor por Estela. Na época, a cena da primeira noite de amor dos personagens alcançou 50 pontos de audiência.
Por onde anda Nicola Siri?
O fato é que, apesar de polêmico, o primeiro papel de Nicola Siri no Brasil abriu muitas portas para ele no país. Depois de Mulheres Aoaixonadas, ele atuou em títulos de sucesso como Belíssima (2006), Império (2014) e Éramos Seis (2019), da Globo, além de produções da Record, como Vidas Opostas (2006), Poder Paralelo (2009) e Jesus (2018).
"Adoro o Brasil tanto que decidi morar aqui, no Rio. Quando fui convidado para viver o Padre Pedro de Mulheres apaixonadas", eu fiz as malas para ficar um ano. Vim ficar um ano e não voltei", contou Siri em entrevista ao jornal O Globo.
Hoje, aos 57 anos, após oito anos afastado da TV, o ator italiano radicado no Brasil retornará à TV com o personagem Quintus Arrius na próxima supersérie bíblica da Record, Ben-Hur. A obra tem estreia prevista para outubro de 2026 e será lançada primeiro na plataforma de streaming Univer Video, antes de ser exibida na programação da emissora.
Além disso, ele segue fazendo filmes e vive uma vida discreta ao lado da família. É casado desde 2008 com a jornalista brasileira Júlia Koiller Schnoor, com quem tem dois filhos.