Em seu lançamento em 2004, Tróia se consolidou como um dos grandes blockbusters históricos de sua época. O longa-metragem dirigido por Wolfgang Petersen faturou quase 500 milhões de dólares na bilheteria mundial. Ao encarnar Aquiles, o mais temido dos guerreiros gregos, Brad Pitt reforçou seu status de estrela internacional.
No entanto, por trás desse sucesso comercial, o ator guarda memórias ambivalentes dessa aventura cinematográfica.
Tróia, um projeto aceito por obrigação
Embora Brad Pitt tenha acabado dando vida ao célebre herói mitológico, essa não era sua escolha inicial. O ator planejava colaborar com os irmãos Coen em To The White Sea, um projeto cancelado antes mesmo do início da produção. Após esse cancelamento, a Warner Bros. lhe ofereceu o papel em Troia.
Em entrevista ao The New York Times em 2020, o astro americano explicou que aceitou o projeto mais por necessidade contratual do que por verdadeiro entusiasmo:
"Eu tive que fazer Troia porque — acho que já posso falar isso agora — eu tinha abandonado outro filme. Então, precisava fazer algo para o estúdio em troca. Assim, me colocaram no filme de Petersen. Não foi uma experiência dolorosa, mas percebi que o filme estava indo em uma direção diferente da que eu gostaria. Eu mesmo cometi erros nesse projeto e notei que aquilo não correspondia ao que eu queria fazer. Foi um erro da minha parte."
Warner Bros. Pictures
Uma superprodução formatada demais para o seu gosto
A principal frustração do ator era o tom comercial excessivo adotado pelo longa. Brad Pitt lamentou especialmente a falta de sutileza de seu personagem, retratado de forma demasiadamente heroica.
"A cada plano, era como se dissessem: 'Olha o herói!'. Não havia mistério. Foi nessa época que tomei a decisão de me dedicar apenas a obras de qualidade, na falta de um termo melhor. Foi um divisor de águas na minha carreira, guiando minha trajetória na década seguinte."
Warner Bros. Pictures
Olhando para trás, ele considera a experiência um momento difícil de gerenciamento profissional: “Esse projeto foi uma grande decepção. Quando você tenta guiar sua carreira, recebe muitos conselhos. Alguns dizem que você deve fazer isso ou aquilo, outros dizem o oposto.”
Preparação física intensa... e uma lesão simbólica
Apesar das ressalvas, Brad Pitt se entregou totalmente ao papel. Durante seis meses, ele se submeteu a um treinamento físico intensivo para alcançar um físico digno de um guerreiro mitológico. Dieta estrita e interrupção do tabagismo: o ator adotou uma disciplina rigorosa.
Ironicamente, as filmagens lhe deixaram uma lesão altamente simbólica: ele machucou o calcanhar durante uma cena de combate, um eco involuntário do famoso ponto fraco de Aquiles.
Warner Bros. Pictures
Após Troia, uma guinada decisiva na carreira
Essa desilusão influenciou profundamente as escolhas profissionais de Brad Pitt. A partir de então, ele passou a buscar projetos mais ambiciosos e diretores renomados, acumulando colaborações de prestígio:
- Terrence Malick (A Árvore da Vida)
- Irmãos Coen (Queime Depois de Ler)
- Alejandro González Iñárritu (Babel)
- David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
- Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios e Era uma Vez em... Hollywood, filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2020)
Mais recentemente, o ator se destacou em Ad Astra, Babilônia e Trem-Bala. Ele também dividiu as telas com George Clooney em Lobos, antes de protagonizar F1 de Joseph Kosinski, demonstrando talento real ao volante.
Um filme ainda querido pelo público
Embora Brad Pitt guarde arrependimentos, Troia continua sendo um épico muito querido pelo público, especialmente em sua versão estendida. O longa reúne um elenco impressionante com Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Kruger, Rose Byrne, Brian Cox, Brendan Gleeson, Sean Bean, Saffron Burrows, Garrett Hedlund, além dos consagrados Peter O’Toole e Julie Christie.
A epopeia antiga está atualmente disponível no catálogo da HBO Max e Prime Video.