"Essa novela deveria ser proibida": Há 6 anos, este ator fez duras críticas a uma das tramas mais polêmicas da Globo – e o autor não deixou barato
Victor Mascarenhas
-Redator
Jornalista, curioso e sempre ligado em tudo o que acontece na TV. Um sonho? Ter o maior número de referências possíveis.

Durante uma live em 2020, o ex-global criticou até a própria atuação na produção assinada por Aguinaldo Silva no horário nobre.

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Será que grandes nomes da televisão se orgulham de todos os papéis que já interpretaram? A vida de ator é uma verdadeira montanha-russa, e cada personagem traz desafios, descobertas e experiências diferentes. Por isso, não é difícil imaginar que alguns trabalhos acabem se tornando motivos de arrependimento e não deixem boas lembranças.

Marco Pigossi, por exemplo, foi sincero ao falar sobre sua relação com Fina Estampa, novela de Aguinaldo Silva exibida originalmente em 2011, no horário nobre da Globo.

O grande arrependimento da carreira

O ano era 2020, e Marco Pigossi participava de uma live com João Vicente de Castro nas redes sociais do canal GNT. Durante o bate-papo, o apresentador do Papo de Segunda perguntou ao ator sobre sua estreia em uma novela que não havia alcançado grande repercussão, referindo-se a Eterna Magia, exibida em 2007 no horário das seis.

Apesar do baixo desempenho da trama, Pigossi revelou que a experiência foi importante. "Foi ótimo. Eu sempre falo que foi maravilhoso. É a melhor coisa, porque você não está preparado mesmo, você é um péssimo ator ainda. Eu era... Sei lá, tinha tanto para aprender."

No entanto, quando o assunto chegou a Fina Estampa, que na época estava sendo reprisada pela Globo no horário nobre devido à paralisação das gravações de Amor de Mãe durante a pandemia de Covid-19, o tom da conversa mudou.

Na trama, ele interpretava Rafael, o gerente da Fashion Motos que chega a cometer alguns crimes, mas passa por uma mudança após se apaixonar por Amália (Sophie Charlotte). O ator, porém, não escondeu o incômodo com o personagem e com alguns aspectos da novela.

Eu tinha 22 anos, com umas mechas loiras no cabelo. Fora o que se falava. Essa novela deveria ser proibida de reprisar porque são tantas barbaridades. É uma loucura passar uma novela dessas

Para explicar sua opinião, Pigossi afirmou que a trama não se encaixava mais com os tempos atuais. "Em 2011 era um tempo em que as pessoas ainda podiam se dar ao direito (de falar): 'Ai, não ligo para política'. Era o começo dessa discussão. Agora, você passar uma novela dessas hoje é uma loucura. E eu tenho vergonha de algumas coisas que são faladas, de como são tratadas na novela, vergonha um pouco também da minha atuação", confessou o ator.

Aguinaldo Silva rebateu as críticas

Quem não gostou nadinha dos comentários de Marco Pigossi foi Aguinaldo Silva, autor da novela, que, na época, rebateu as críticas em seu perfil no Twitter, atual X.

"Um ator diz que Fina Estampa 'devia ser proibida de ser reprisada'. Acho que ele quis dizer que os 50 milhões de espectadores que a veem deviam ser proibidos de gostar tanto da reprise da novela. E eu, que vivi os tempos da censura, achando que finalmente era proibido proibir", disse.

Minutos depois, Aguinaldo completou: "Aliás, deixem que lhes diga uma coisa: quando um artista que se considera libertário diz que o trabalho de mais de 150 pessoas que vivem das artes como ele devia ser proibido... Bem, alguma coisa está errada"

Fina Estampa envelheceu mal?

Na época de sua exibição original, entre 2011 e 2012, Fina Estampa encerrou com média geral de 38 pontos de audiência. Quando foi reprisada em 2020, a novela registrou 33,7 pontos. Apesar do bom desempenho (para efeito de comparação, sua sucessora, Avenida Brasil, fechou com 38,8 pontos), hoje é fácil compreender porque a trama se tornou uma das controversas.

Durante a reprise do folhetim, o jornalista Fefito apontou, através da sua coluna no UOL, algumas das problemáticas da história. Um dos exemplos citados foi o personagem Crô, vivido por Marcelo Serrado, apresentado como um mordomo gay caricato e sem muito aprofundamento, muitas vezes utilizado apenas como alívio cômico.

Outro ponto crítico foi o núcleo de Baltazar (Alexandre Nero), que agredia a esposa Celeste (Dira Paes) e, em nenhum momento, foi responsabilizado de forma efetiva por isso. Na verdade, o personagem migrou para o núcleo cômico da novela e passou a desenvolver uma relação de proximidade com Crô, o que gerou críticas por sugerir que seu comportamento violento seria resultado de uma suposta sexualidade reprimida.

Outro ponto que gerou bastante insatisfação entre os telespectadores foi o desfecho de Griselda (Lilia Cabral) e René (Dalton Vigh). Após construírem um romance que parecia destinado a terminar em final feliz, a protagonista terminou ao lado de Guaracy (Paulo Rocha). Na trama, a separação aconteceu depois que o chef descobriu que a companheira havia investido secretamente em seu restaurante, atitude que ele não recebeu bem.

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