O Outro Lado das Redes não supera A Rede Social, mas chega aos cinemas cheio de paralelos com a política brasileira
por Diego Souza Carlos

A Rede Social 2 apresenta uma versão ficcional do escandalo revelado pelo Washington Post, que fez uma série de artigos investigativos e reveladores sobre o Facebook.

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Aquela famosa expressão de que "a arte imita a vida" nunca esteve tão próxima da realidade brasileira e um filme norte-americano. O Outro Lado das Redes, filme que dá sequência ao aclamado A Rede Social, acaba de chegar aos cinemas do Brasil com uma ironia tremenda: o conteúdo da trama, que mostra as interferências do Facebook na política estadunidense, tem sido pauta contínua da vivência nacional com as eleições de 2026.

Embora o longa seja baseado em uma "história real chocante", como diz o marketing do projeto, ninguém esperava que a população fosse viver um capítulo inédito (porém muito semelhante) ao cenário da produção de forma tão intensa - e isso, meus amigos, é torna este lançamento tão engraçado quanto instigante.

Antes, entenda a história do filme.

O Outro Lado das Redes: Qual é a história da sequência de A Rede Social?

O Outro Lado das Redes segue a engenheira Frances Haugen (Mikey Madison). Ela trabalha no Facebook e tem acesso a informações privilegiadas sobre o funcionamento da empresa. Ao descobrir pesquisas internas que provam os impactos negativos da plataforma sobre seus usuários, ela decide expor o que está acontecendo e concorda em conversar com o jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White).

No drama baseado em fatos reais, Frances compartilha tudo que sabe com Jeff e mostra as práticas que contradizem o discurso público da companhia. Conforme as denúncias ganham repercussão, ela passa a enfrentar consequências das suas ações que colocam em risco sua carreira e a própria segurança.

A arte imita a vida: As polêmicas da Meta nas eleições brasileiras

Não é a primeira vez que ouvimos falar ou presenciamos a forma como a Meta, nome da empresa que antigamente atendia por Facebook, acabou se envolvendo com manifestações políticas extremas. O que O Outro Lado das Redes apresenta, a partir da série de artigos do Washington Post, é a forma como a plataforma teria facilitado a proliferação de discursos de ódio através do algoritmo. Segundo as denúncias retratadas no longa, essa dinâmica contribuiu para que grupos de extrema direita se organizassem para invadir o Capitólio.

Conforme apontam os documentos vazados, a falta de deliberação e filtragem para fake news ou mensagens de ódio acabou integrando as engrenagens de crescimento do Facebook. Agora, a empresa volta a ser alvo de questionamentos e acusações de favorecer uma parcela política em um período delicado - só que dessa vez no Brasil.

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Isso não é necessariamente novo, já que em 2022, conforme a Folha de S. Paulo demonstrou em outubro daquele ano, o Facebook veiculou e impulsionou anúncios pagos com desinformação eleitoral previamente checada e classificada como falsa por agências de fact-checking parceiras do TSE (como Lupa e Aos Fatos), descumprindo compromissos do Memorando de Entendimento assinado pela Meta em fevereiro de 2022.

Algoritmos, Meta AI e alcance: O que dizem as denúncias no Brasil?

Já no cenário atual, também segundo a Folha, funcionários da Meta admitiram em conversas internas que o perfil oficial do candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT) ficou impedido de impulsionar postagens no feed do Instagram por quase 24 horas (dia 09/10), prejudicando o alcance estimado de 1,3 milhão de eleitores.

Outro apontamento foi em relação à inteligência artificial da empresa, a Meta IA, que se recusava a criar imagens com informações da campanha do atual presidente, mas gerava materiais do candidato do PL. Procurada na ocasião das reportagens, a Meta atribuiu os episódios a 'falhas técnicas' e negou qualquer interferência intencional no processo eleitoral.

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Como têm relatado usuários e analistas de redes sociais, o perfil de alguns políticos de direita no Instagram tem registrado visualizações atipicamente superiores às de celebridades mundiais como Beyoncé e Cristiano Ronaldo, mesmo com um número inferior de seguidores.

O Outro Lado das Redes vale a pena? Um alerta sobre a era digital

Essas e outras questões são curiosas, já que integram a premissa de O Outro Lado das Redes, em como a era das redes sociais e da ampliação dos laços digitais influencia os processos políticos de diferentes nações. Neste momento decisivo, o longa chega datado por já sabermos o desenrolar dos acontecimentos de 2021, mas também pode ser visto como um ponto de alerta e reflexão sobre todos os meios que utilizamos em nossas rotinas.

O Outro Lado das Redes está em cartaz. O AdoroCinema assistiu ao filme há algumas semanas, na coletiva de imprensa da 50ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo. A crítica já está disponível.

Diego Souza Carlos
-Redator | Crítico
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
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