Existem expectativas em relação a Star Wars: Starfighter como o filme capaz de finalmente resgatar o entusiasmo pela franquia, além de apresentar novas histórias que não dependam da família Skywalker. Contudo, o projeto parece cada vez mais uma tábua de salvação após o recente e relativo fracasso de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu.
Este não é o caminho
Arrecadar 345 milhões de dólares não é pouca coisa para quase nenhuma produção, exceto para uma franquia deste porte, acostumada a números astronômicos. Jon Favreau entrega um entretenimento simpático e despretensioso estrelado por Pedro Pascal, mas que não conseguiu transferir o fenômeno da televisão para as telonas. O longa estreou no streaming pelo Disney+, onde talvez encontre seu público e até mesmo seu lugar natural.
Lucasfilm Ltd. / Fairview Entertainment
A Nova República continua tentando se consolidar após a queda do Império, enquanto senhores da guerra e outros criminosos permanecem espalhados pela galáxia. É nesse cenário que entram o caçador de recompensas Din Djarin e seu aprendiz mandaloriano Grogu, aceitando missões da antiga Aliança Rebelde para tentar restaurar a ordem.
A intenção de resgatar tempos mais simples, voltados à pura aventura descompromissada, está presente em cada detalhe de O Mandaloriano e Grogu. Tanto que, em vários momentos, esse desejo descamba para o banal, ficando preso à leveza esquecível dos piores momentos da série original, que perdeu fôlego e propósito à medida que avançava.
É impossível afastar a sensação de assistir a uma temporada inteira condensada em formato de filme, o que não deixa de ser irônico em uma época em que o streaming está repleto de filmes esticados em oito episódios. A relação entre os personagens recorre a fórmulas já desgastadas, o acabamento visual não impressiona e a maior virtude da produção reside no design das criaturas, aproximando a aventura em alguns momentos do estilo de Ray Harryhausen.
O longa não comete erros desastrosos, mas a falta de brilho e o acúmulo de ideias pouco inspiradas o colocam facilmente entre os piores filmes da franquia. Trata-se de um universo que continuará buscando caminhos para se expandir, embora ainda não consiga resolver as oscilações provocadas pelo excesso de conteúdo e pela falta de direcionamento.