Com uma mistura vibrante de folclore filipino, referências a animes e estética 2.5D, o novo filme da dupla de Gato de Botas 2 entrega uma jornada inesquecível sobre memória e amizade.
Antes mesmo de terem ganhado forma, alguns filmes já estavam na ronda da mídia especializada quanto ao Oscar 2027. Quando falamos na categoria de Melhor Animação, pelo menos dois nomes já apareciam com muita força: Toy Story 5, que comprovou ser um tremendo sucesso e tem seu lugar garantido, e O Bosque Selvagem, o retorno da Laika Studios após anos e uma promessa imensa na área de stop-motion.
Nesta corrida, outro estúdio veterano estava simplesmente cozinhando um concorrente de peso para estes dois projetos: a DreamWorks. Com A Ilha Esquecida, a corrida pela estatueta de ouro ganha o melhor aspecto de todos: dá ao público obras tão boas que chega a ser difícil decidir a sua preferida. O AdoroCinema já assistiu ao filme de Joel Crawford e Januel P. Mercado, diretores de O Gato de Botas 2, e te conta por que ele não é apenas um dos melhores do ano em termos de animação, mas um show à parte no calendário de estreias deste ano.
A Ilha Esquecida é o ápice da nova DreamWorks com toques de animes
É impossível falar sobre A Ilha Esquecida sem citar algumas obras predecessoras. Uma vez que Homem-Aranha no Aranhaverso quebrou o padrão das animações feitas até aquele momento - um verdadeiro divisor de águas -, a indústria se transformou. A partir daí, abriu-se espaço para uma diversidade de estilos e a mistura de vários deles em uma única obra. No caso da DreamWorks, há um trabalho muito bonito com O Gato de Botas 2, que mistura o 2D e o 3D com um belo trabalho da aquarela, e Robô Selvagem, um projeto cheio de coração que se inspira no spin-off de Shrek, mas consegue estabelecer a sua unidade a partir da selvageria da floresta.
Desses passos promissores surgiu A Ilha Esquecida, a nova aposta do estúdio. Em termos técnicos, é preciso dizer que em uma era tomada pela ausência de cores, a produção é quase uma manifestação daquele meme do gatinho vomitando arco-íris - isso no melhor sentido, é claro. A coloração tanto do mundo real quanto da Ilha Esquecida são vibrantes, auxiliando o aspecto de fantasia dessa história.
Esse visual cheio de tonalidades, inclusive, é a porta de entrada para uma das maiores façanhas do projeto: uma brincadeira constante com a linguagem animada. Eu explico. O novo filme da DreamWorks não se contenta com o visual computadorizado comum: utiliza o 2.5D, uma linguagem híbrida entre o 2D e o 3D, mas também demonstra sua clara inspiração em um número incontável de tipos de anime.
Mergulha-se nas animações asiáticas para oferecer uma extravagante e variada homenagem a diferentes estilos - e isso inclui expressões, detalhes de cenário, movimentação, manifestação de sentimentos, exclamações, pensamentos e uma possível lista de outras abordagens que seriam impossíveis de se captar em uma única olhada.
Especiliastas explicam por que o visual de Shrek 5 é tão estranho“Tudo tem seu lugar, e você usa tudo. É tudo tão saturado e vibrante, e a combinação dessas inspirações orgânicas da cultura filipina com a estética dos anos 90, e até mesmo um estilo urbano com uma pegada ousada, resulta em uma nova voz específica na animação”, disse Joel Crawford, um dos diretores, à Variety.
A Ilha Esquecida vai das piadas ousadas de Shrek ao coração de Robô Selvagem
Fazia um bom tempo que não assistia uma animação de grande estúdio brincar tanto com o limite da classificação indicativa. E não me entendam mal: essa irreverência de A Ilha Esquecida não vai atingir as crianças, mas, assim como Shrek, fará os adultos darem algumas risadas a mais nos cinemas. Conforme o CLASSIND, o longa é destinado para pessoas de 10 anos acima por "drogas lícitas, temas sensíveis e violência" - nada que a maioria das produções atuais não faça.
Nada disso é agressivo, posso dizer, mas extremamente engraçado. Há momentos mais sombrios também com a presença de uma das vilãs mais amedrontadoras do cinema atual. Os ilustradores e animadores não pouparam na construção da antagonista de A Ilha Esquecida, que causa um assombroso fascínio sempre que entra em cena. Dá uma olhada:
Ao ser um Se Beber Não Case! versão isekai, o roteiro contempla piadas de duplo sentido como as dos filmes do ogro verde, do embriagamento pelo excesso de salgadinho e energético (que pode ser lido com outros olhos) à comédia física envolvendo tatuagens, o bumbum de um duende e o fato de uma personagens, após comer algo muito picante, não soltar fogo pela boca, mas... e isso faz de A Ilha Esquecida uma produção tão ousada como engraçada. Em uma era eventualmente polida até demais neste tipo de história, o filme não poupa a audiência. Na sessão onde estava, o riso foi frequente e algumas fungadas fizeram parte da exibição também - e é para lá que vamos agora.
Quem assistiu Robô Selvagem provavelmente saiu da sessão com os olhos inchados. Com o novo título da DreamWorks a emoção não chega a ter essa mesma dimensão, mas fará muitos ficarem com a vista embaçada por seus temas universais lindamente tratados. Apesar da amizade das protagonistas ser o grande mote da animação, o enredo que foge do tradicional em diversos momentos também se aprofunda na importância da memória, nos difícieis e maravilhosos laços com quem amamos e como as nossas vivências são parte essencial de quem nos tornamos.
Em um balaio de referências à cultura pop, incluindo A Odisséia e Predador, muitas cores, um refinado trabalho com diferentes estilos de animação em um único filme e um humor na maior vibe de Shrek, A Ilha Esquecida é uma das melhores animações de 2026.
Qual é a história de A Ilha Esquecida?
A trama acompanha duas melhores amigas de infância nas Filipinas da década de 90. Jo e Raissa prometem permanecer juntas para sempre, mas não conseguem dimensionar que a vida adulta pode acabar com esse juramento. Recém-formadas no ensino médio, as duas agora, porém, seguirão caminhos distintos, com Raissa prestes a se mudar para os Estados Unidos.
Enquanto celebram sua última noite juntas, as duas acabam encontrando um portal misterioso que as transporta para a fantástica ilha de Nakali. Criaturas mágicas e mitológicas retratadas nas histórias da avó de Jo fazem parte deste novo mundo, que parece tão fascinante quanto perigoso. A partir daí, uma bela aventura se inicia.
Pixar teria seu próprio Guerreiras do K-Pop: 3 anos em desenvolvimento jogados no lixo em uma semanaA Ilha Esquecida estreia nos cinemas em 24 de setembro de 2026.