Este é um dos filmes de faroeste mais importantes de todos os tempos, mas sua filmagem foi marcada por uma tragédia há 58 anos
por Giovanni Rodrigues

Al Mulock aparece por apenas alguns minutos em Era Uma Vez no Oeste, mas seu destino marcou tragicamente as filmagens da obra-prima de Sergio Leone. Relembre o drama que enlutou este faroeste mítico.

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Com Era Uma Vez no Oeste, Sergio Leone assinou uma das obras mais emblemáticas de sua carreira. Porém, por trás das imagens que se tornaram míticas neste faroeste lançado em 1968, esconde-se um episódio particularmente sombrio, ocorrido enquanto a equipe ainda trabalhava no filme, na Espanha.

O drama envolve Al Mulock, ator canadense que os fãs de faroestes italianos já tinham visto em várias ocasiões. No filme de Leone, ele interpreta Knuckles, um dos três homens armados encarregados de esperar por Harmonica, interpretado por Charles Bronson, na inesquecível sequência de abertura na estação de trem.

Um rosto já familiar no cinema de Sergio Leone

Nascido Alfred Mulock Rogers, Al Mulock estudou com Lee Strasberg antes de iniciar sua carreira no Reino Unido. Em 1955, ele apareceu ao lado de Paul Douglas em Joe Macbeth, antes de engatar uma sequência de papéis no cinema e na televisão.

Ele também atuou em Kill Me Tomorrow e Police Internationale, além de fazer aparições não creditadas em The Sherrif of Fractured Jaw, de Raoul Walsh, e The Mark, de Guy Green.

Nas telas, seu tipo físico o levava frequentemente a interpretar personagens pouco recomendáveis: traficantes, capangas e outros criminosos pontuavam sua filmografia, embora O Trem do Terror tenha sido uma exceção.

Foi Sergio Leone, no entanto, quem realmente gravou seu rosto na memória dos cinefilos. Em Três Homens em Conflito, lançado em 1966, Mulock interpreta o pistoleiro que tenta eliminar Tuco (Eli Wallach). Uma breve aparição associada a uma das frases mais famosas do filme, dita por Tuco: "Quando tiver que atirar, atire! Não fale!"

Um frequentador assíduo dos faroestes italianos

Após essa passagem no cinema de Leone, Al Mulock continuou, como era de se esperar, a atuar no gênero. Ele apareceu como um mendigo em Os Cruéis (1966), de Sergio Corbucci, e depois viveu um bandido particularmente brutal em I Giorni dell'ira (1967). Seu personagem espanca Giuliano Gemma antes de ser morto por Lee Van Cleef.

Também em 1967, ele teve um pequeno papel não creditado como detetive em O Pecado de Todos Nós, dirigido por John Huston. Em seguida, juntou-se a Charles Boyer e Robert Taylor em Le Rouble à deux faces, de Étienne Périer, antes de reencontrar Sergio Leone para Era Uma Vez no Oeste.

Essa nova colaboração seria, infelizmente, a última.

O drama ocorrido durante as filmagens

Em maio de 1968, enquanto o faroeste ainda estava em produção, Al Mulock se atirou da janela de seu hotel. Mickey Knox, que trabalhava como dialogista no filme, e o supervisor de produção Claudio Mancini testemunharam a cena.

Mulock caiu do primeiro andar e sobreviveu inicialmente à queda. Gravemente ferido, com um pulmão perfurado e uma costela quebrada, ele precisava ser levado o mais rápido possível para um centro médico. Ele ainda vestia o figurino e o sobretudo de seu personagem.

Mickey Knox contou mais tarde uma história que se tornou famosa sobre a chegada de Sergio Leone ao local. Segundo essa versão, também relatada por Christopher Frayling em seu livro Sergio Leone: Something to Do with Death, o cineasta, que ainda não sabia da gravidade do estado do ator, teria dito:

Peguem o figurino, nós precisamos do figurino!

Claudio Mancini finalmente transportou Al Mulock de carro, mas o ator morreu antes de chegar ao hospital.

As circunstâncias de sua morte permanecem incertas

Os motivos que levaram o ator a esse ato deram origem a várias explicações ao longo dos anos. Em seu livro The Good, the Bad and the Dolce Vita: The Adventures of an Actor in Hollywood, Paris and Rome, Mickey Knox afirma que Mulock sofria de dependência química e que sua estadia na Espanha para as filmagens o havia deixado em crise de abstinência.

Outra hipótese frequentemente levantada diz respeito à sua vida pessoal: o ator teria sido profundamente afetado pela morte de sua ex-companheira, a atriz Steffi Henderson, vítima de um câncer. No entanto, continua sendo difícil estabelecer com certeza as circunstâncias exatas que o levaram ao suicídio.

A morte de Mulock obrigou a produção a terminar a famosa cena da estação de trem sem ele. Os closes de Knuckles exibidos na montagem final são de fato do ator. Para alguns planos filmados de longe ou de costas, no entanto, foi utilizado um dublê vestindo o mesmo figurino. Isso também explica por que seu personagem fica ausente de grande parte do confronto com Harmonica.

Uma presença relativamente breve na tela, mas associada a uma das sequências mais célebres de um filme que se tornaria, ao longo das décadas, um monumento do faroeste.

Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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