Todo mundo sabia que estas três sequências eram péssimas ideias... mas mesmo assim foram filmadas!

Algumas continuações de filmes superam o filme original. É bem menos garantido para uma porção de outras sequências iniciadas, as quais todo mundo sabia que seriam um erro enorme, mas que acabaram sendo filmadas mesmo assim. A prova em três exemplos.

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Por Marco Rigobelli

"O original é melhor!" ouve-se com frequência. E costuma ser verdade. Mas também há exceções, nas quais a continuação se revela melhor do que o filme original, ou até mesmo o supera. Não é, por exemplo, nenhuma desfeita ao trabalho de George Lucas e à qualidade do primeiro capítulo de Star Wars preferir O Império Contra-Ataca, que é muito superior.

Se James Cameron conseguiu entregar com O Exterminador do Futuro uma obra-prima da ficção científica, ao mesmo tempo em que lançou brilhantemente as bases de uma franquia que, infelizmente, não parou de declinar ao longo dos anos, o seu O Exterminador do Futuro 2 entrou pela porta da frente no Panteão dos filmes de ação, com cenas tão eufóricas quanto cultuadas, e efeitos especiais revolucionários.

Também se pode afirmar sem vacilar que Batman: O Cavaleiro das Trevas é superior a Batman Begins. Que Homem-Aranha 2, de Sam Raimi, é muito superior ao primeiro filme. Que também se pode preferir O Poderoso Chefão 2 ao primeiro filme da trilogia, embora o longa de 1972 permaneça incontestavelmente como um dos maiores filmes da história do cinema.

Obras que, em todo caso, jamais sofrerão acusações de ilegitimidade. Por outro lado, o mesmo não se pode dizer de uma infinidade de outras continuações iniciadas, sobre as quais todo mundo sabia que seriam um erro enorme, mas que ainda assim foram rodadas. Porque o deus do dólar falou mais alto. Mesmo que isso significasse, no fim das contas, fracassar miseravelmente... A prova em três exemplos.

Instinto Selvagem 2

Dizer que o sulfuroso suspense erótico Instinto Selvagem, lançado em 1992, marcou época é pouco. O filme de Paul Verhoeven é um dos mais icônicos dessa década, além de ter catapultado de vez Sharon Stone ao estrelato, entrando para a posteridade graças também — ou por causa de — sua famosa cena de interrogatório, na qual ela cruza e descruza as pernas.

O sucesso foi tal que acabou arrastando em seu rastro toda uma série de filmes rotulados como "suspenses eróticos", que no entanto jamais chegaram aos seus pés: Invasão de Privacidade, de Philip Noyce, em 1993; A Cor da Noite, de Richard Rush, em 1994; Assédio Sexual, de Barry Levinson, e Jade, de William Friedkin, em 1995…

O fato é que, 14 anos depois, uma continuação oficial de Instinto Selvagem seria lançada. Embora Sharon Stone tenha reprisado seu papel principal, nem o diretor do primeiro filme, nem o roteirista Joe Eszterhas participaram do projeto.

Instinto Selvagem 2 quase foi feito sem a presença da atriz nos créditos. Em 1999, ela havia decidido aposentar seu picador de gelo após um desentendimento com os produtores em relação ao seu cachê. Várias atrizes foram então cotadas para substituí-la no papel de Catherine Tramell. Entre elas, a estrela em ascensão Ashley Judd e Demi Moore, que na época atravessava uma fase difícil na carreira.

Não se contentando com um simples desligamento, Sharon Stone processou esses mesmos produtores em 2001, exigindo os 14 milhões de dólares de seu contrato pay or play, que previa o pagamento de seu salário mesmo se o filme não saísse do papel. Por fim, os processos foram arquivados, pois Mario Kassar, Andrew G. Vajna e a atriz chegaram a um acordo para retrabalhar o projeto em 2004.

Já em junho de 2001, os estúdios MGM haviam decidido abandonar o desenvolvimento de Instinto Selvagem 2, irritados, entre outras coisas, pelas desistências sucessivas dos cineastas que por um tempo se interessaram pelo projeto (David Cronenberg, John McTiernan) e pela incapacidade dos produtores Andrew G. Vajna e Mario Kassar de conseguir um ator principal para o filme. Ou seja: ninguém queria subir a bordo desse barco à deriva, com exceção de Sharon Stone.

No fim das contas, quase ninguém ficou sensibilizado com o destino trágico do filme na bilheteria internacional, que arrecadou insignificantes 38 milhões de dólares, além de ter sido massacrado pela crítica, que apontou um filme malfeito sob todos os aspectos.

E pensar que estão preparando um remake do primeiro filme, com o retorno do roteirista original, Joe Eszterhas... "Qual é a idade do Joe Eszterhas?", perguntou Sharon Stone ao buscar a informação no Google. "Oh, ele tem 81 anos! Aposto que ele entende muito de sex appeal". Simpático...

Os Irmãos Cara-de-Pau 2000

Assim que sai da prisão, Jake Blues é levado por seu irmão Elwood até a Irmã Mary Stigmata, que comanda o orfanato onde foram criados. Para evitar o fechamento do local, eles precisam arrecadar 5.000 dólares, caso contrário serão despejados. A ideia genial? Reunir a banda de Blues novamente...

Os Blues Brothers são definitivamente o saudoso John Belushi e Dan Aykroyd, uma dupla nascida no Saturday Night Live que se estendeu com grande sucesso para a cena musical com um repertório de blues. Filme de ação (um recorde em matéria de acrobacias com carros, com 103 veículos destruídos!), Os Irmãos Cara-de-Pau é, acima de tudo, um filme musical eufórico, que reúne um verdadeiro "quem é quem" do R&B: Ray Charles, Aretha Franklin, Cab Calloway, James Brown. O resultado? Uma trilha sonora absolutamente cult... para um filme cult!

Os Irmãos Cara-de-Pau 2000 é um exemplo típico de continuação que chega tarde demais. Exatamente 18 anos depois. Embora o diretor John Landis tenha começado a preparar uma sequência antes da morte de John Belushi, o falecimento deste último, ocorrido dois anos após o primeiro filme, o levou a abandonar o projeto. Até que Dan Aykroyd o incentivou mais tarde a realizá-lo mesmo assim, por causa da popularidade da trilha sonora.

A verdade é que "ninguém queria fazer", como afirmou John Goodman em entrevista ao AV Club, ao assumir no filme o papel do falecido Belushi. "Danny e eu gravamos esse filme de graça, só para ajudar a lançá-lo", dando a entender que o jogo de poder nos estúdios havia na verdade atado as mãos de Aykroyd, pelo menos em um ponto. "Ninguém queria fazer, e os estúdios tinham sua própria visão de como agir, e o Danny é alguém muito conciliador". Como, por exemplo, deixar a Universal impor uma classificação Livre e um roteiro que o próprio diretor chegou a considerar "insosso e sem interesse".

Resultado final: uma humilhação em regra na bilheteria internacional, com pouco mais de 14 milhões de dólares arrecadados. E hoje, quase ninguém mais se lembra desse filme, ao contrário do seu (glorioso) predecessor.

Velocidade Máxima 2

Lançado em 1994 e estrelado pela dupla Keanu Reeves/Sandra Bullock enfrentando um Dennis Hopper mais vilão do que nunca, Velocidade Máxima, de Jan de Bont, tornou-se um clássico dos filmes de ação daquela década. Produzido com um orçamento de cerca de 30 milhões de dólares, arrecadou mais de 350 milhões na bilheteria internacional — o que corresponde, ajustado pela inflação, a mais de 788 milhões de dólares.

De certa forma, o início do desenvolvimento de uma continuação era lógico diante de tamanha repercussão. Só que Velocidade Máxima 2 se revelou tudo o que não deveria ser. Com um orçamento faraônico de 160 milhões de dólares (o que corresponderia, ajustado pela inflação, a mais de 343 milhões de dólares hoje!), Velocidade Máxima 2 naufragou nos recifes da bilheteria mundial, arrecadando apenas 164 milhões de dólares.

Vale lembrar que, nessa sequência lançada em 1997, Keanu Reeves sequer retornou, deixando a pobre Sandra Bullock embarcando com seu novo namorado (Jason Patric) em um cruzeiro pelo Caribe, antes que o navio caísse nas mãos de um vilão genérico, John Geiger (como o contador...), interpretado por Willem Dafoe.

25 anos após o lançamento do filme, a atriz disse que ainda se sente "envergonhada por estar em um filme que não faz o menor sentido", muito embora seu colega Dafoe assumisse completamente sua presença na produção sem se arrepender de nada, como explicou em entrevista à Variety.

Na verdade, o destino do filme parecia selado desde a desistência de Keanu Reeves, pois qual poderia ser o sentido dessa sequência se ele carregava nas costas o sucesso do primeiro longa? A exemplo do transatlântico fora de controle do filme, que não para de destruir maquetes a caminho de um píer, toda a equipe de Velocidade Máxima 2 seguiu em frente a toda velocidade. O deus dólar ditou mais uma vez as suas regras, mas a que preço...

Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.
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