Presente no elenco de As Five, o último trabalho da artista foi em Eu Vou Sentir Saudade de Você, novo filme do diretor Daniel Ribeiro.
Clodd Dias, cantora, atriz, dubladora e poetisa em constante crescimento no teatro e no audiovisual brasileiro, morreu na última quinta-feira (6), aos 49 anos. Sem detalhes sobre a causa do falecimento, a confirmação veio através de uma nota publicada pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de SP.
"Clodd construiu uma trajetória expressiva, memorável e sólida em São Paulo e todo país", afirma o comunicado. "Mulher trans negra, Clodd é e representa uma falange fundamental na luta por representatividade e pioneirismo LGBTQIAPN+ nas artes cênicas, tendo integrado grupos de destaque como o Coletivo Negro e o Pessoal do Faroeste."
Nascida em Itapetininga, São Paulo, Clodd se formou no Centro de Artes Célia Helena e, desde então, esteve presente em diferentes palcos artísticos. Participou de espetáculos como Entrega para Jezebel, Mãe de Santo e Esperando Godot, além de ser vista nas telonas do Brasil e do mundo em produções como As Five, Manhãs de Setembro, Ayô, Rodeio Rock e Lugar para Ninguém.
Nos últimos dois anos, ela também trabalhou com Anna Muylaert em A Melhor Mãe do Mundo e O Clube das Mulheres de Negócios, e tem como seu último trabalho Eu Vou Ter Saudade de Você, novo filme do Daniel Ribeiro (Hoje Eu Quero Voltar Sozinho). Segundo o IMDb, Dias também terá um lançamento póstumo com a série Tarã, do Disney+, sem previsão de lançamento.
O ator e diretor Flávio Rodrigues fez uma publicação em homenagem à artista. "Tive a alegria de conhecê-la e trabalhar ao seu lado na montagem do espetáculo Luz Negra, com o pessoal do Teatro Faroeste, sob direção do saudoso Paulo Faria. Naquele período, acompanhei de perto sua transição e me emocionei com a delicadeza e o amor com que Leona Jhovs a acolheu", escreveu.
"Foi muito bonito testemunhar aquele processo de descobertas, de coragem e de afirmação, mesmo imaginando o quanto ele também pudesse ser difícil", acrescentou. "Quero registrar aqui a alegria e a honra de ter conhecido você, Clodd, de ter aprendido com sua presença, sua delicadeza e sua coragem."
Ruy Cortez, diretor da Companhia da Memória, se manifestou após a morte de Clodd. "Tristeza absoluta com a perda de Clodd Dias, mais uma mulher trans preta que nos deixa, mais uma atriz, uma artista brasileira que foi sendo morta pela tristeza de um país que não valoriza seus artistas, pior, os maltrata com absoluto desinteresse. Clodd sempre lutou por condições de dignidade para si. Triste quando constatamos que mais uma vez falhamos", escreveu.