Tom Cruise, de 64 anos, sobre sua transformação mais radical: "Nunca enfrentei um desafio como este antes"

Sob camadas de próteses, o ator se transforma em um magnata do petróleo no novo filme de Alejandro González Iñárritu.

Por Bruno Botelho dos Santos

Já vimos Tom Cruise saltar de penhascos, ficar pendurado em um avião em plena decolagem e pilotar helicópteros sem medo de processos do seguro. No entanto, aos 64 anos, ele enfrenta um novo desafio que não envolve ultrapassar seus limites, mas sim esconder seu corpo sob a barriga, os cabelos grisalhos e as rugas de Digger Rockwell, um magnata do petróleo que causa uma catástrofe ambiental e depois tenta convencer o mundo de que é a pessoa certa para resolvê-la.

O resultado é Digger, o novo filme de Alejandro González Iñárritu. Uma comédia sombria em que Cruise aparece quase irreconhecível devido às próteses e lidera um elenco que também inclui Sandra Hüller, Jesse Plemons, Riz Ahmed, Emma D'Arcy e John Goodman. Durante a apresentação do trailer nos estúdios da Warner Bros., o ator explicou que este projeto o obrigou a aplicar tudo o que aprendeu durante seus 45 anos de carreira: "Nunca tive um desafio como este antes, e Alejandro também não".

Warner Bros. Pictures

O desafio de se tornar Digger

Parte do desafio foi encontrar o tom certo para um personagem que precisava ser engraçado, mas ao mesmo tempo perigoso. "Não existe um ritmo único ou uma fórmula universal para a comédia", observou Tom Cruise, e com Digger ele teve que descobrir onde estava a linha divisória entre comédia e drama sem transformar o personagem em uma caricatura. "O nível de detalhe envolvido na produção de um filme como este é impressionante".

Para Cruise, assumir o papel exigiu dar um salto para um vazio bem diferente daqueles em que ele costuma se aventurar em Missão Impossível. No entanto, sobre sua colaboração com Iñárritu, ele diz: "Não há nada melhor do que estar, física e metaforicamente, à beira de um precipício e dizer: 'Vamos nessa. Confio em você, e seja lá o que for que façamos, sei que será uma experiência incrível'".

Essa capacidade de intervir em aspectos que vão muito além de sua atuação (como maquiagem, figurino, sua relação com a câmera...) não surgiu de repente no ator. Cruise gosta de atuar quase tanto quanto gosta de saber como funciona a produção cinematográfica por trás das câmeras.

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Essa curiosidade começou quando ele ainda era um jovem ator promissor, passando seu tempo visitando sets de filmagem e fazendo inúmeras perguntas a qualquer profissional disposto a respondê-las. Embora nem sempre entendesse as explicações sobre câmeras, lentes e enquadramento naquela época, ele continuava ouvindo.

A lição que ele aprendeu observando Paul Newman

Quando o ator filmou A Cor do Dinheiro sob a direção de Martin Scorsese e contracenou com Paul Newman, Tom Cruise tinha 23 anos e Newman, que ganharia o Oscar por essa atuação, já trabalhava na indústria há mais de três décadas.

Poder observar Newman mesmo quando ele não estava em frente às câmeras fez parte desse aprendizado: "Sinto-me muito afortunado. Poder estar fora das câmeras assistindo Paul Newman atuar enquanto Scorsese o dirigia... Reconheço o quão incrivelmente sortudo fui simplesmente por poder absorver tudo isso".

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Quatro décadas depois, Cruise não é mais o jovem tentando decifrar o que a equipe de filmagem estava falando. No entanto, ele ainda encara a produção cinematográfica com a mesma curiosidade. Em Digger, tudo o que ele absorveu enquanto observava Newman e perseguia os cinegrafistas agora faz parte, de forma invisível, da barriga protética, das botas de caubói e dos cabelos grisalhos de seu personagem. O filme estreia em 1 de outubro.

Bruno Botelho dos Santos
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.
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