"O material era péssimo": Clint Eastwood não queria de jeito nenhum ser associado a este filme "bizarro"
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Um ator do calibre de Clint Eastwood naturalmente não quer prejudicar sua reputação participando de produções que são fracassos garantidos. Por isso, ele se recusou a atuar no bizarro longa-metragem Ratboy, de 1986.

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Ele é amplamente conhecido como o misterioso pistoleiro sem nome da famosa Trilogia dos Dólares de Sergio Leone ou como o policial implacável em Perseguidor Implacável (1971): Clint Eastwood é uma lenda imortal do cinema que também se eternizou na história das telonas como diretor de filmes de sucesso como As Pontes de Madison (1995), Menina de Ouro (2004) e Gran Torino (2008).

Um total de cinco estatuetas do Oscar (incluindo duas como Melhor Diretor) fala por si só. O astro, hoje com 96 anos, conhece a indústria cinematográfica como poucos e sabe exatamente quais filmes têm grande potencial. Da mesma forma, seu instinto acende um sinal de alerta quando um projeto promete ser um fracasso total.

Foi exatamente o que aconteceu com Ratboy, um filme com o qual ele não queria associar seu nome de forma alguma, apesar de sua própria empresa, a Malpaso Productions, ter produzido o longa.

"O material era péssimo, simplesmente horrível, totalmente bizarro", declarou o ator de Por um Punhado de Dólares sobre Ratboy (via Far Out Magazine). O curioso enredo acompanha Nikki (Sondra Locke), uma vitrinista que descobre em um lixão uma criatura — metade homem, metade rato — e tenta integrá-lo à sociedade ao estilo de O Homem Elefante (1980).

Ratboy foi tudo menos um sucesso

A aversão de Clint Eastwood acabou se justificando: os críticos detonaram o filme, as bilheterias ficaram vazias e a diretora e atriz principal, Sondra Locke, foi indicada ao Framboesa de Ouro na categoria de Pior Atriz (no fim, Madonna acabou levando o prêmio por seu papel em Quem É Essa Garota?).

Não é de surpreender que Clint Eastwood não quisesse manchar sua reputação com esse filme de fantasia sem salvação. Mas sua rejeição ao projeto tinha raízes muito mais profundas: Sondra Locke, que nunca havia dirigido antes, mas acalentava esse desejo, já estava junto com o aclamado ator há dez anos, embora ainda fosse casada com seu marido, Gordon Anderson. Quando Eastwood leu uma das primeiras versões do roteiro de Ratboy, não ficou nada contente com o excesso de tempo de tela concedido a Anderson.

Uma "homenagem a Gordon Anderson"

Clint Eastwood se sentiu traído, pois só havia concordado com a participação de Gordon Anderson se fosse em um papel muito pequeno. De repente, o filme havia se tornado uma "homenagem a Gordon Anderson", que assumia o papel principal ao lado do "garoto-rato". No final das contas, Anderson acabou fazendo a voz da criatura, que foi interpretada fisicamente por Sharon Baird, marcando o último papel dela no cinema.

O roteiro com o qual Clint Eastwood havia concordado inicialmente, aliás, não era o mesmo que Sondra Locke queria filmar no final. O intérprete de Perseguidor Implacável ficou furioso, sentiu-se enganado e confrontou sua parceira na época: "Escuta aqui, eu não vou filmar esse roteiro!"

A primeira produção da Malpaso sem Eastwood

No fim, Locke cedeu e reformulou o roteiro, temendo que a produção de sua estreia na direção fosse cancelada definitivamente. A Malpaso Productions acabou produzindo Ratboy, mas, nos créditos finais, apenas Fritz Manes, amigo e colega de Eastwood, foi creditado como produtor. O ícone dos faroestes se manteve completamente afastado do projeto, tanto como ator quanto como produtor executivo.

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