"Eu não consegui me obrigar a fazer isso": Quentin Tarantino, um superfã de John Travolta, se recusa a assistir a um de seus maiores sucessos de bilheteria
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

Quentin Tarantino idolatra John Travolta há décadas e, segundo ele mesmo, assistiu a quase todos os filmes de seu ídolo. No entanto, o diretor se recusou categoricamente a ver justamente um dos maiores sucessos de público do astro.

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Quentin Tarantino é, com certeza, um dos maiores cinéfilos do mundo. O diretor de clássicos como Cães de Aluguel (1992) nunca escondeu sua paixão pelo cinema. Quase nenhum outro cineasta possui um conhecimento comparável sobre a história da sétima arte. Por isso, é ainda mais marcante quando o próprio Tarantino admite ter evitado deliberadamente um determinado filme.

O fato de John Travolta desempenhar um papel central nisso não é surpresa. Afinal, o ator foi uma das maiores estrelas do mundo na década de 1970. Com sucessos de bilheteria como Os Embalos de Sábado à Noite (1977), Grease: Nos Tempos da Brilhantina (1978) e o aclamado por Tarantino Um Tiro na Noite (1981), ele se tornou o ícone de toda uma geração. A admiração do diretor cult era tamanha que ele chegou a revelar que tinha um verdadeiro santuário dedicado a Travolta. Apesar disso, havia um filme do ator que mesmo esse fã fervoroso jamais quis ver.

Quentin Tarantino assistiu a quase todos os filmes de John Travolta

A paixão de Tarantino por Travolta é lendária. Quando os dois se conheceram pessoalmente pela primeira vez, eles chegaram a jogar jogos de tabuleiro baseados em filmes da carreira de Travolta (por favor, imaginem a cena!). Quem faz algo assim pode, sem exagero, ser chamado de super fã.

Por isso, é ainda mais surpreendente a confissão que Tarantino fez anos depois à Vanity Fair. Embora tenha acompanhado os altos e baixos da filmografia de Travolta, ele estabeleceu um limite claro em um título específico. "Por mais que eu goste de John Travolta, eu não consegui me forçar a assistir a nenhum maldito filme com um bebê falante", explicou o diretor. Em seguida, ele esclareceu: "Mas eu assisti a tudo o que ele fez".

Ele se referia à comédia Olha Quem Está Falando (1989). O filme, dirigido por Amy Heckerling (As Patricinhas de Beverly Hills), conta a história de Mollie (Kirstie Alley), uma mãe solo cujo bebê compartilha seus pensamentos com o público. Enquanto os adultos não percebem nada, o recém-nascido comenta os acontecimentos com um humor ácido através de uma voz em off.

No original, a voz da criança foi feita pelo astro de Duro de Matar, Bruce Willis, que anos mais tarde também apareceria em Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994).

O que para Tarantino aparentemente parecia uma premissa insuportável, provou ser um tiro certeiro para o público. Olha Quem Está Falando tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, arrecadando mundialmente muitas vezes o valor de seu orçamento. Por muito tempo, o filme foi até o segundo título de maior sucesso na carreira de Travolta — atrás apenas de Grease. O público adorou a mistura incomum de romance, comédia familiar e os comentários atrevidos do bebê, enquanto Tarantino se recusava terminantemente a dar uma única chance à produção.

Olha Quem Está Falando foi um sucesso, mas foi Tarantino quem transformou Travolta em um ícone novamente!

E a história não parou em um único filme. O sucesso gerou várias sequências. No entanto, enquanto a primeira parte se tornou um fenômeno cultural, o entusiasmo diminuiu rapidamente. O segundo filme, lançado em 1990, arrecadou bem menos dinheiro e teve reações muito mais frias. O terceiro capítulo, de 1993, acabou se tornando um fracasso espetacular. Os críticos massacraram a produção, e a bilheteria esperada não se concretizou. Travolta era considerado "carta fora do baralho" em Hollywood. Mas então...

... veio Tarantino e proporcionou um retorno triunfal ao astro de Hollywood. Depois que a estrela de Travolta havia empalidecido significativamente na indústria, o cineasta o escalou como Vincent Vega em Pulp Fiction. A decisão foi considerada arriscada na época, mas provou ser um sucesso absoluto. Travolta recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator e, de repente, voltou a ser o centro das atenções.

O sucesso do filme abriu novamente as portas para grandes produções e fez dele um nome disputado em Hollywood mais uma vez. Mesmo que sua carreira tenha passado por altos e baixos desde então, seu papel em Pulp Fiction continua sendo um dos pontos de virada mais importantes de sua trajetória e um exemplo impressionante do quanto Tarantino acreditava em seu ídolo.

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