Buscando vingar a morte de seu pai, assassinado por um traficante negro, Derek abraçou as teses racistas de um grupo de militantes de extrema-direita e colocou-se a serviço de seu líder, um teórico brutal que defende a supremacia branca.
Uma noite, ele mata selvagemente, diante dos olhos de seu irmão mais novo, Danny, dois negros que tentavam roubar seu carro. Sua prisão vai abalar suas crenças e, ao sair da cadeia, ele já não é o mesmo. Mas Danny, por sua vez, aliou-se aos antigos "amigos" de seu irmão mais velho…
Ao ler a sinopse acima, alguns de vocês talvez tenham reconhecido a terrível (e obviamente trágica...) história do fantástico filme dirigido por Tony Kaye e lançado por aqui em 1999: A Outra História Americana. Dizer que sua descoberta nos cinemas teve o impacto de um tremendo soco no estômago é pouco. Para os atrasados, o filme está disponível na HBO Max.
A transformação de Edward Norton em A Outra História Americana
New Line Cinema
O longa é coprotagonizado por Edward Furlong, ainda em plena posse de suas capacidades antes de sua descida ao inferno durante anos devido a problemas com drogas. E, acima de tudo, conta com um extraordinário Edward Norton no papel do irmão mais velho, atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.
Dono de um físico comum, até mesmo franzino, Edward Norton, um ator de método por excelência, trancou-se em uma academia durante várias semanas para ganhar os 15 kg de massa muscular necessários para seu personagem. No fim, seu Derek Vinyard é simplesmente impressionante... e aterrorizante.
Filmagens sob alta tensão
Infelizmente, o filme foi um grande fracasso nos cinemas, arrecadando menos de 24 milhões de dólares nas bilheterias mundiais. Na verdade, as filmagens do longa foram muito tensas entre Norton e o diretor. O ator interferiu tanto na direção e na reescrita do roteiro que o cineasta quis abandonar o barco.
New Line Cinema
No fim das contas, foi Edward Norton, apoiado pela New Line Cinema, quem cuidou do corte final, remontando o filme pelas costas do diretor. Tony Kaye tentou então retirar seu nome dos créditos abrindo um processo contra o sindicato dos diretores e a New Line Cinema, exigindo o uso do famoso pseudônimo (hoje extinto) Alan Smithee.
Em vão, pois segundo o sindicato, o cineasta quebrou uma das regras ao revelar à imprensa o motivo pelo qual queria retirar seu nome. Ele havia desabafado abertamente nas páginas da revista Variety, explicando que Norton tinha sabotado os últimos quinze minutos de seu filme...
O poder da narrativa de A Outra História Americana, 27 anos depois, não perdeu absolutamente nada de sua força, muito pelo contrário. O filme continua extremamente atual em uma América marcada pelo trumpismo, onde os movimentos supremacistas brancos ganharam voz mais do que nunca.