Um transbordante trabalho de imaginação e artesanato que quis rivalizar com a Pixar.
Filmes de fantasia são lançados com certa frequência, pois parecem abrir espaço para blockbusters muito chamativos. Mas poucos desses filmes conseguem despertar aquela emoção que o melhor do gênero pode gerar, nos transportando por um mundo completamente novo e por uma história com a qual podemos nos conectar com força.
Agora que o diretor Travis Knight retorna ao gênero com um blockbuster como Mestres do Universo, vale a pena resgatar um dos filmes dele que mais nos despertou entusiasmo. Kubo e as Cordas Mágicas foi um trabalho artesanal realizado com incrível cuidado e emoção transbordante.
A jornada de Kubo pelo Japão feudal
No Japão antigo, Kubo é um jovem inteligente que leva uma existência tranquila ao lado de sua mãe em uma pequena cidade costeira onde nunca acontece nada. Ele se sustenta como contador de histórias, narrando aos aldeões contos maravilhosos por meio de figuras de origami. Mas um dia sua vida é completamente transformada quando, desobedecendo a mãe, não volta para casa antes do anoitecer.
Após esse incidente, o menino se vê obrigado a lutar contra deuses e monstros tão perigosos quanto o ressentido Rei Lua ou as malvadas gêmeas, mas por sorte contará com a ajuda de Mona, Besouro e de seu shamisen, um belo instrumento mágico. Porém, se quiser salvar sua família e resolver o mistério que envolve seu pai, terá que encontrar a armadura mágica que pertencia a ele, que foi um lendário guerreiro samurai.
Knight estava pronto para continuar a trajetória de seu estúdio de animação em stop-motion após o bom trabalho de Coraline e o Mundo Secreto, e decidiu que fazer uma fantasia épica com influência samurai era uma boa maneira de diferenciar a Laika das demais. Com uma história original, de inspiração folclórica, tenta despertar todos os sentidos que o cinema pode transmitir.
Kubo e as Cordas Mágicas: atenção aos detalhes
Sua animação, que tenta imitar detalhes da arte japonesa como o origami com uma estética de aquarela, é algo totalmente fora do alcance da maioria das produções em 3D. Kubo e as Cordas Mágicas tem um cuidado depositado em cada detalhe visual que depois se traduz na emoção de sua história familiar.
Sua requinte está nos detalhes menores, mas sua ambição é igualmente notável — a ponto de tentar rivalizar com Disney e Pixar na categoria de animação do Oscar, embora tenha ficado na vontade naquele ano ao enfrentar o fenômeno de Zootopia. Mesmo assim, é um filme de imensurável beleza que sempre vale a pena resgatar.