Com recursos mínimos e sem grandes efeitos especiais, Contato, de Robert Zemeckis, continua a cativar o público e a levantar as grandes questões da ficção científica.
Desde sempre, o espaço fascina a humanidade e serve como cenário perfeito para especulações da ficção científica — primeiro na literatura e, mais tarde, no cinema. Estamos sozinhos no universo? Existem outras formas de vida lá fora? E, se existirem, o que isso significaria para a humanidade? Seríamos ameaçados, como em Independence Day? Ou encontraríamos visitantes amigáveis, como em E.T. - O Extraterrestre?
O diretor Robert Zemeckis, responsável por clássicos como Forrest Gump e De Volta para o Futuro, também deu sua contribuição a essa grande pergunta do gênero: "e se?". O resultado foi Contato, um ambicioso filme de ficção científica estrelado por Jodie Foster e Matthew McConaughey.
Anos depois, McConaughey voltaria ao espaço em Interestelar, mas, na época das filmagens, era conhecido principalmente por Tempo de Matar. O público do AdoroCinema atribuiu a nota de 4,2 de 5 estrelas e se você quiser assisti-lo para avalia-lo também, o longa está disponível para compra ou aluguel no Prime Video.
Sobre o que é Contato?
A astrônoma Dra. Ellie Arroway (Jodie Foster) é uma cientista brilhante e lidera um programa do SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), dedicado à busca por vida extraterrestre. Sua grande descoberta acontece quando ela recebe uma mensagem codificada vinda do sistema estelar de Vega.
Ao analisar os sinais, Ellie percebe que eles escondem algo ainda mais impressionante: as instruções para construir uma espécie de máquina de transporte capaz de levar uma pessoa através do espaço e do tempo.
O que torna Contato especial não são os efeitos visuais grandiosos, como os que fizeram a fama de produções como 2001 - Uma Odisseia no Espaço ou do próprio Interestelar. Pelo contrário: os efeitos aparecem em poucos momentos, principalmente durante a viagem de Ellie e sua breve experiência em Vega.
Vista hoje, a tecnologia utilizada pode parecer simples, com efeitos de morphing e chroma key bastante discretos. Mas é justamente essa simplicidade que faz o filme funcionar tão bem. Com poucos recursos visuais e muita imaginação, Zemeckis cria uma história capaz de discutir questões profundas de maneira convincente, honrando plenamente o espírito da obra original.
Uma história sobre fé
Outro grande mérito do filme está em tudo o que acontece após o primeiro contato. Milhares de pessoas passam a acompanhar o projeto, governos entram em disputa, representantes de diferentes países tentam influenciar os acontecimentos, extremistas recorrem à violência e até o presidente dos Estados Unidos é envolvido na discussão.
Assim como fez em Forrest Gump, Zemeckis utiliza imagens e montagens que misturam ficção e realidade para aumentar a sensação de autenticidade. A estratégia foi tão eficaz que, na época, a própria Casa Branca reclamou do uso de trechos editados de discursos do então presidente Bill Clinton.
No fim das contas, porém, a questão central de Contato é a fé. Deus pode existir sem provas concretas? E o que aconteceria com nossas crenças se descobríssemos que não estamos sozinhos no universo?
Ellie representa a lógica, a ciência e a razão. Em contraponto, surge Palmer Joss (Matthew McConaughey), teólogo e conselheiro espiritual da Casa Branca. O debate entre os dois conduz grande parte da narrativa. E, ironicamente, chega um momento em que a própria Ellie se vê diante de uma experiência transformadora — algo tão extraordinário que ninguém está disposto a acreditar nela.