Sean Connery certamente se lembrará de Zardoz — e não apenas por causa de sua roupa bizarra. Ele teve que repetir uma sequência três vezes!
Ao longo de uma carreira que atravessou várias décadas, Sean Connery construiu a reputação de ser um profissional extremamente disciplinado e exigente. Carismático e dedicado, o ator dava vida a seus personagens com intensidade e paixão, mas seu temperamento forte e sua presença marcante também podiam intimidar quem trabalhava ao seu redor.
A lenda de Hollywood, que morreu em 2020 aos 90 anos, não escondia sua irritação quando algo saía do planejado durante as filmagens. E a equipe de Zardoz sabe bem disso! Um problema ocorrido durante a gravação de uma das cenas mais complexas do clássico cult de ficção científica levou Connery ao limite.
O mundo estranho e distópico de Zardoz
Lançado em 1974, Zardoz apresenta uma sociedade futurista dividida em duas classes. A história se passa no ano de 2293, em um mundo pós-apocalíptico onde uma elite intelectual e imortal vive isolada no chamado Vortex, enquanto o restante da população sobrevive em condições miseráveis nas regiões externas.
Esses grupos são controlados por Zardoz, uma gigantesca cabeça de pedra venerada como uma divindade e responsável por manter a ordem estabelecida. É nesse cenário que surge Zed (Sean Connery), um dos escravos que se recusa a aceitar uma vida marcada pela fome, pela pobreza e pela falta de direitos, iniciando uma rebelião contra seus opressores.
Dirigido pelo cineasta britânico John Boorman, de Excalibur, o filme está longe de ser considerado um dos melhores trabalhos de Connery. O orçamento limitado, estimado em cerca de 1,5 milhão de dólares, é perceptível nos cenários e figurinos, enquanto a narrativa excessivamente ambiciosa e alguns diálogos involuntariamente engraçados dividem opiniões até hoje.
Ainda assim, Zardoz conquistou o status de cult justamente por suas excentricidades: a trama extravagante, a estética de baixo orçamento e, claro, o famoso figurino vermelho usado por Connery, frequentemente comparado a uma espécie de "fralda futurista".
A cena que fez Sean Connery perder a paciência
Uma das sequências mais importantes do filme acontece no final da história, quando Zed e Consuella, personagem interpretada por Charlotte Rampling, envelhecem rapidamente diante da câmera. Para criar o efeito, foi necessário um trabalho extenso de maquiagem. E esse era justamente um dos maiores pesadelos de Sean Connery, que nunca teve paciência para passar horas na cadeira de caracterização e nem gostava de ter camadas de maquiagem cobrindo sua pele.
Segundo John Boorman, em entrevista resgatada pela revista Far Out, a cena consumiu um dia inteiro de gravação por causa do trabalho de maquiagem. Quando tudo finalmente terminou, veio a má notícia: o material enviado ao laboratório foi danificado por arranhões na película. "Tivemos que filmar tudo de novo no dia seguinte", relembrou o diretor.
Boorman contou que Connery já estava de mau humor na primeira gravação justamente porque odiava maquiagem e qualquer coisa que tocasse seu rosto. Quando soube que precisaria repetir toda a sequência, ficou furioso. Mas o pior ainda estava por vir!
Depois que a cena foi refeita, um assistente de câmera abriu acidentalmente o compartimento do filme, expondo toda a película à luz e inutilizando novamente o material gravado. O resultado? A equipe precisou marcar um terceiro dia de filmagens para refazer a mesma sequência!
Quando Connery recebeu a notícia, perdeu completamente o controle. Em depoimento para o documentário Sean Connery vs. James Bond, da ARTE, Boorman revelou que membros da produção precisaram literalmente segurar o ator para impedir que ele partisse para cima do assistente responsável pelo erro.
Felizmente, a situação não passou disso! Mas o episódio entrou para a história como um dos momentos mais tensos da produção de Zardoz, um filme que, décadas depois, continua tão estranho quanto fascinante.
Zardoz está disponível no Disney+.