"O filme mais caro que eu já teria feito": Steven Spielberg recusou um blockbuster de ficção científica apocalíptico para 'não arruinar um estúdio'
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

O gênero de ficção científica é a grande paixão da lenda da direção, Steven Spielberg. Em seu filme mais recente, Disclosure Day, lidamos com alienígenas. Já em Robopocalypse o tema seria inteligência artificial — mas Spielberg desistiu do projeto.

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Afinal, a Inteligência Artificial é boa ou má? No que diz respeito a histórias de ficção científica, geralmente escolhe-se a segunda opção — afinal, isso oferece um potencial de conflito muito mais empolgante. Filmes como O Exterminador do Futuro, Eu, Robô e também A.I. – Inteligência Artificial, do próprio Spielberg, giram em torno desse tema. E o diretor quase comandou uma adaptação literária que exploraria novamente essa questão, embora de forma bem mais marcial do que o filosófico A.I.: em Robopocalypse, explode uma guerra entre humanos e máquinas.

O romance de Daniel H. Wilson conta a história de um cientista da computação que liberta a inteligência artificial ARCHOS. Esta passa a classificar a humanidade como uma ameaça, assume o controle de todas as máquinas conectadas e declara guerra. Em meio ao apocalipse robótico, um pequeno grupo de rebeldes humanos supera seus limites. Spielberg mostrou-se entusiasmado com a história e planejou levar Robopocalypse para os cinemas, o que, como se sabe, não aconteceu. Agora, ele explicou os motivos.

Robopocalypse teria sido um "assassino de estúdios"

O anúncio da adaptação de Robopocalypse já completa 16 anos; os direitos cinematográficos foram vendidos antes mesmo de o romance chegar às prateleiras. Mas Spielberg logo percebeu que o projeto era ambicioso demais — mesmo para um titã da direção como ele. O risco de uma produção de ficção científica tão cara era grande demais, afirmou Spielberg em uma edição da revista Empire (via GamesRadar):

"Era gigantesco. Teria sido um assassino de estúdios. Teria arruinado um estúdio inteiro, que nunca recuperaria o dinheiro investido. Então, decidi que seria o filme mais caro que eu já teria feito — e eu não estava disposto a assumir esse fardo".

Caro demais para a DreamWorks, empresa de Spielberg

Após o anúncio do desenvolvimento do projeto em 2010, Steven Spielberg se comprometeu com a direção de Robopocalypse e cogitou, inicialmente, realizar a adaptação com seu estúdio, a DreamWorks. No entanto, o orçamento previsto de mais de 200 milhões de dólares (R$ 1,02 bilhão) fez o cineasta recuar:

Meu estúdio, a DreamWorks, financiava todos esses filmes, e eu não queria levar Robo para a minha própria empresa porque seria, pura e simplesmente, caro demais para nós produzirmos.

Dessa forma, Spielberg ofereceu o projeto — que na época tinha roteiro de Drew Goddard (Perdido em Marte) — a outros estúdios. "Eu não queria pagar por isso", disse o diretor. Outros estúdios mostraram interesse em arcar com o custo, mas apenas se Steven Spielberg permanecesse como diretor. Por fim, Robopocalypse acabou na Disney, com as filmagens anunciadas para o verão de 2012.

Contudo, ocorreram atrasos na produção e, finalmente, Spielberg anunciou em janeiro de 2013 que o projeto estava engavetado por tempo indeterminado. "Eu não queria fazer isso com ninguém, porque não podia garantir que o público acompanharia a ideia", explicou em entrevista. Posteriormente, o nome de Michael Bay (Bad Boys) chegou a ser cogitado para a direção, mas, até o momento, Hollywood não dá sinais de dar vida nova oficial a Robopocalypse.

O suspense alienígena de Steven Spielberg, Dia D, chega aos cinemas em 10 de junho de 2026.

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